domingo, 30 de janeiro de 2011

O fator que costura tudo...


O conjunto de técnicas, axiomas e crenças praticadas visando principalmente o desenvolvimento pessoal é conhecido como programação neurolingüística (ou simplesmente PNL). A base da PNL consiste na idéia de que a mente, o corpo e a linguagem interagem para criar a percepção que cada indivíduo tem do mundo, e tal percepção pode ser alterada pela aplicação de uma variedade de técnicas. A fonte que embasa tais técnicas é chamada de "modelagem", e envolve a reprodução cuidadosa dos comportamentos e crenças daqueles que atingiram o "sucesso".

Hoje, “Sucesso”, “Excelência”, “100%”, “Equipe”, "Treinamento”, “Vitória”, são palavras que recheiam as palestras motivacionais dos “Coaching” em empresas, equipes esportivas, pequenos grupos e assemelhados. Os chamados “Motivadores” apontam para o segredo do “sucesso” da pós-modernidade, e esse tem sido o “mote” de muitos para responder questões a um ser humano descentrado em si mesmo.

O ano de 2006 foi um dos mais produtivos na área de documentários sobre auto-conhecimento, auto-ajuda, PNL e Coaching. Entre os grandes destaques está o filme "O Segredo" que através de uma linguagem simples apresenta como os homens mais famosos da humanidade conseguiram o “sucesso”. A obra até poderia se chamar “Como ser um sucesso egoisticamente...”, pois o “segredo do sucesso” é sempre o pessoal, e nunca de um ser humano que melhore a humanidade. É o vislumbre de um sucesso que é “meu” e não “dele”.

Se você já leu o livro de Bernardinho “Transformando suor em ouro”, que propõe de uma forma clara uma “roda da excelência”, equipando sua metodologia de trabalho em perseverança, disciplina e obstinação, deve ter percebido que ele trabalha disciplina, liderança, motivação, comprometimento, perseverança esquecendo de um fator que costura tudo isso: a Espiritualidade.

Talvez o Caso “Bernardinho versos Ricardinho” nos mostre que a espiritualidade é a ferramentas indispensável para um líder lidar com um outro grande líder ao seu lado, ou aparentemente a sua frente. Indiscutivelmente o poder de liderar seu grupo pode ser ameaçado por um outro grande exemplo. Um ser humano talentoso, um gênio da área, um líder nato, que por acaso pode ser comandado por outro tão parecido. No exemplo “Bernardinho x Ricardinho”, a relação deles se quebrou, aí a roda se partiu...

Infelizmente, a excelência para muitos é uma meta que dispensa algumas coisas fundamentais para o ser humano... Podemos chegar onde queremos? É provável que sim, se tivermos pensamento positivo, e talvez isso nos ajude a perseverar e conquistar... Mas há algo que Bernardinho esqueceu em seu livro: A importância da Espiritualidade - a catalisadora das relações.

Os motivadores às vezes esquecem que lidamos com pessoas e não com números e máquinas... Isso faz ainda mais diferença na busca pela excelência. Quer saber mais? Podemos conversar sobre isso.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

É... O cavalo era pernambucano e não paraguaio


Já é comum no futebol atribuir a equipes esportivas que no início das competições arrancam na frente, o codinome de “cavalo paraguaio”. No futebol, por exemplo, no começo dos campeonatos estaduais, esses times não menos expressivos, mas ditos de “pouca chance”, fazem a magia do futebol ganhar mais tempero. O futebol certamente é um esporte que tem a surpresa por aperitivo. Como disse o jornalista pernambucano Nelson Rodrigues em um de seus chavões: “Das coisas menos importantes da vida, a mais importante é o futebol”...

Nesses casos, credita-se ao time chamado de “cavalo paraguaio” uma queda de rendimento ao final da competição. Com isso, esse acaba frustrando os seus torcedores e deixando que times de maior regularidade tomem a frente da disputa do campeonato.

Mas da onde vem essa expressão? Algum pesquisadores destas curiosidades afirmam que o termo "cavalo paraguaio" é uma expressão originária do Mato Grosso do Sul, que remonta aos tempos da Guerra do Paraguai, quando o Paraguai tomou a iniciativa do combate, mas acabou forçado a recuar, até ser totalmente derrotado. Isso aponta que ele saiu na frente e chegou atrás... Claro que toda essa história se reporta ao imaginário do Turfe, e das grandes corridas de cavalos. E é numa delas que conta-se a “verdadeira história do “cavalo paraguaio”. A qual eu gosto mais...

Essa curiosidade data de 6 de agosto de 1933, no Hipódromo Brasileiro, situado no Rio de Janeiro. Conta-se que a cidade estava em alvoroço por conta da realização do primeiro Grande Prêmio Brasil. Relatos da imprensa registram que a pompa da ocasião e a recompensa oferecida atraíram a inscrição de vários competidores nacionais e estrangeiros. Em pouco tempo, a fama de competidores prestigiados inflacionaram os valores nas casas de apostas daquele ano. No fim, contrariando todas as expectativas, “Mossoró”, um cavalo pernambucano que de paraguaio só tinha a descendência, venceu a prova e arruinou o prognóstico dos mais experientes apostadores.

É... O cavalo era pernambucano e não paraguaio. Com o passar do tempo, o imprevisível arranque do cavalo pernambucano (chamado de paraguaio) foi notícia de capa nos jornais da época. Aos poucos, a expressão passou a incorporar o vocabulário futebolístico carioca e nacional. Toda vez que um time inesperadamente conquistava vitórias, os cronistas esportivos anunciavam a presença de um “cavalo paraguaio”.

Nas corridas de cavalos como na vida temos e somos preconceituosos com pessoas, grupos, administrações, projetos que denotam “pouca chances” de dar certo. Essa história nos ensina que devemos ter zelo nas nossas expectativas e “apostas” em relação aos outros e a nós mesmos. Somos inspirados a aprender que o imprevisível também acontece nos melhores planos, programas e projetos.

Lembro que um dos maiores estrategistas de guerra afirmou certa vez: "A grande arte é mudar durante a batalha. Ai do general que vai para o combate com um esquema." (Napoleão Bonaparte).

Cuidado apostadores! Lembrem-se do cavalo pernambucano, ou melhor, do “paraguaio”.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Sabe do que Ele está falando?


O teólogo e filósofo Hans Kung defende a teoria de que só teríamos uma Cultura de Paz estabelecida quando as religiões promovessem a paz entre elas. A verdade é que Kung defende a Paz como fruto do macro-ecumenismo. Por outro lado, um de meus mestres, o educador e teólogo Paulo Siepierki aponta que o caminho para uma Cultura de Paz é trilhado no campo da educação e não das religiões.

Bem, a noção de Cultura de Paz diz respeito a um conjunto de ações, atitudes, estilo de vida e valores voltados para a manutenção da vida em harmoniosa e em uma ética pacífica entre as pessoas seja qual for a sua cultura. Em 1999, um documento da ONU chamado “Declaração e programa de ação sobre um cultura de paz” apresentou uma idéia de que uma cultura de paz se faz necessária por causa da cultura que se tornou vigente, que valoriza a dominação do outro, que impõe medo, opressão, subordinação e exploração.

Essa declaração está baseada na não violência e na promoção de ações por meio da educação, do diálogo e da cooperação, dando referência ao respeito aos direitos humanos e do direito de ser humano, às liberdades fundamentais, incluindo aí a noção de sustentabilidade, condições e chances equilibradas para todos; a tolerância e a liberdade de opinião e informação.

Se na religião ou se na educação, temos que pensar como traçar diretrizes para a promoção a uma cultura de paz. O que realmente é capaz de motivar a promoção e o surgimento das iniciativas de uma cultura de paz de fato?

Jesus disse: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” Evangelho de João 16.33 (NVI). Bebendo dessas palavras do Cristo acredito que um resgate dos valores virtuosos não trilha outro caminho que não seja o da pedagogia de uma ética de paz. Se as religiões levantassem essa bandeira e buscassem um caminho de Paz esbarrariam em questões conceituais... Ora, Paz para um budista pode não ser Paz para um islâmico, ou divergir do que é Paz para um cristão pode ser Paz para um Hindu.

De fato, é na educação que se pode universalmente promover uma mudança de mentalidade e maturidade existencial. A mudança das atitudes necessárias para que se troque o orgulho pela humildade, o individualismo pela solidariedade se faz presente nesta trilha. Concordo com Siepierski que a Paz é fruto da Educação e ainda ratifico quando a Bíblia afirma que ela é fruto da justiça.

A mudança de paradigma necessária leva a mudanças conjunturais na vida. Jesus aponta isso e nos deixa um recado bem contundente no evangelho de João, capítulo 14, verso 27: “Deixo com vocês a paz. É a minha paz que eu lhes dou; não lhes dou a paz como o mundo a dá. Não fiquem aflitos, nem tenham medo.”

Sabe do que Ele está falando? De uma Cultura de Paz. Busque conhecê-LO mais de perto e ouça o que ele ensina...

domingo, 9 de janeiro de 2011

Morrendo os “Boomers”, tudo acaba...


Sou um integrante da chamada “Geração X” que geralmente inclui as pessoas nascidas a partir do início dos anos 1960 até o final dos anos 1970, por vezes podendo considerar o início dos anos 1980, sem, contudo ultrapassar o ano de 1982.

Essa minha geração segundo pesquisadores da sociologia apresenta uma busca a individualidade sem a perda da convivência em grupo. Tem facilidade de conviver com as diferenças, pois já são de uma geração de “pais separados”... Têm maturidade na escolha de produtos de qualidade e inovadores. Dão um maior valor a indivíduos do sexo oposto e buscam racionalmente seus direitos. Gostam de liderar e de trabalhar em grupo. Respeitam hierarquias, mas não aceitam o conformismo com o antigo e ultrapassado.

A grande parte das igrejas históricas de hoje parecem, diferentemente do campo organizacional, ignoram o perfis das gerações. Estar adequado as linguagem correta para com as gerações é mister na vida de qualquer projeto futuro e na missão de uma congregação ou igreja.

Lembro que minha fé foi forjada em uma comunidade que já valorizava a Geração X. Trabalhos em grupos e inovação litúrgica eram as marcas para alcançar uma geração que via nascer a tecnologia da comunicação e informação na informática. Lá, os músicos atuavam com vários instrumentos, as liturgias eram projetadas em um telão deixando as mãos livres dos livretos, e as celebrações eram menos conservadoras, mais marcantes e criativas.

Mesmo diante da forte presença da “Geração Y” (nascida entre os anos 1980 e 2000) ainda vemos congregações abraçadas em um modelo de trabalho que só atende aos “Baby Boomers” do pós-grande guerra. A Geração “Baby Boomer” (nascidos entre 1943 e 1960) é de apaixonados pelo idealismo. Conservadores, não gostam de inovações e ao planejarem o futuro, buscam seguir o passo a passo para alcançá-lo. São carreiristas... Carregam suas verdades como imutáveis e preferem qualidade a quantidade. Suas igrejas estão vazias...

Agora a dificuldade aumentou! É a vez de atentar para a Geração Y. Essa geração é daqueles que são os filhos da Geração X e netos dos Baby Boomers. A Geração Y nasceu em um mundo que estava se transformando em uma grande rede global. A Internet, emails, redes de relacionamento, recursos digitais, fizeram com que a Geração Y conquistasse milhares de amigos ao redor do mundo, sem ao menos terem saído da frente de seus computadores.

Os Y’s estão sempre conectados. São extremamente impacientes com reuniões e encontros de longa duração, pois procuram informação fácil e imediata. Preferem computadores a livros, emails a cartas, compartilham tudo o que é seu: dados, fotos, hábitos. Tem atenção seletiva e estão sempre em busca de novas tecnologias. No entanto, é uma geração eternamente atrelada e preocupada com a ecologia e o respeito ao meio ambiente. Acompanhar as novas ferramentas de comunicação e informação favorece a igreja e comunidade que não quer fechar as portas para a geração Y. Outro fato é que a “Geração Alpha” (nascendo desta próxima década) já nascerá com o “mouse” na mão.

A morte de comunidades religiosas cristãs nem sempre tem como causa a secularização do homem ocidental pós-moderno. A verdade é que muitas igrejas e comunidades ainda estão fazendo igrejas para agradar os Baby Boomers,..

O futuro deste modelo é fácil de adivinhar... Morrendo os “Boomers”, tudo acaba...