sábado, 31 de dezembro de 2011

Mensagem de início de 2012! Sucesso e Bençãos!

video

Nossa alma como um “maracujá de gaveta”


        
        Fogos de artifícios, girândolas coloridas e muito barulho são as mais comuns testemunhas do que chamamos de “a Virada do Ano”. Sempre me perguntei porque tanto barulho se faz presente, num momento somos convidados ao silêncio e oportuna reflexão...
            Bem, o filósofo e educador Rubem Alves diz que as pessoas fazem isso para não ouvir o barulho que se encontra dentro delas... O barulho de fora tem que ser maior do que o barulho de dentro... Inquieto e desconfortante, o barulho de dentro nos lembra que mais um ano passou e temos que encarar pela natureza da vida, um balanço nem sempre positivo...
            Muitos vêem no barulho dos fogos uma oportunidade de esquecer da falta... De tudo que ainda falta em nós e fora de nós; do barulho da ausência. Ausência que é tão importante para nossa esperança.
            É... Os anos passam, são virados, são marcados nas nossas vidas. E passam para todos... Passam para mim e para você. Assim, ficamos com o passar dos anos: Enrrugados... E essas rugas podem ser “de expressão”, da falta de colágeno no corpo, ou da alma.
            Lembro-me que recentemente, em uma reunião com o Prefeito Cezar Schirmer sobre soluções urbanas para nossa Santa Maria, uma citação dita por um empreendedor do ramo de mobilidade urbana chamou a atenção de todos. Disse ele: “Os anos enrugam a pele, mas renunciar ao entusiasmo faz enrugar a alma...”. Logo o prefeito voltou-se para mim e disse: Olha aí, meu amigo! Mais uma, para você que gosta de reflexões!
            Fiquei então ruminando aquela frase como quem já havia ouvido aquele pensamento antes. Sim, teria lido em um livro chamado: “A Arte de Lidar com Pessoas”, de Jamil Albuquerque. Jamil parafraseia Albert Schweitzer, o teólogo, músico, filósofo alemão, citando esse aforismo assim: “A idade enruga a pele, mas a ranzinzice enruga a alma!”.
            Depois de mais um Revellion uma pessoa de 20 anos pode parecer ter 80 anos; outras com 80 podem parecer ter 20. Umas envelhecem, outras crescem, evoluem e amadurecem.
            Por que isso acontece?
            O segredo, possivelmente, está nisso: Bom-humor; Entusiasmo... E tudo aquilo que propicia bons relacionamentos, amizades verdadeiras, facilidade em fazer amigos e gerar esperança em todos! Isso faz renovo em todas as almas.
            Já a ranzinzice gera queixume, intolerância, e crítica a tudo e a todos... Com ela os anos são envelhecedores e desgastantes. A pessoa mal humorada torna-se cruel e intolerante com aqueles que ama e por quem ela é amada; tambem leva a ranzinzice para sua atividade profissional. Assim, sua linguagem gera postura e sua postura gera resultados. Essa atitude, queima a saúde e a empatia, dificulta a sintonia, a afinidade, e o plugar-se... Enfim, enruga a alma.
            Espero que minhas rugas continuem aparecendo em minha face e desaparecendo em minha alma a cada ano virado. Espero que no momento do barulho dos fogos de artífios você possa lembrar de tudo que pode melhorar dentro de você, e o que ainda está precisando de renovação. Deus, em Cristo, pode ajudar diretamente nisso. Pode acreditar!
            Na minha terra se chama, em tom de brincadeira, uma pessoa com muitas rugas na face de “maracujá de gaveta”, por essa estar bem engelhada. Fica então a pergunta diante desse final de ano: Estamos envelhecendo nossa alma como um “maracujá de gaveta”, ou renovando nosso interior?
            Minha dica é que fiquemos amigos do Bom Humor e do Entusiasmo! Tenho a certeza que isso vai tornar o nosso Novo Ano menos enrugado...


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Pelo menos três imagens...



Alguns presépios retratam este cenário conforme a imagem de cada artista, bem como tantas vezes e em tantas outras formas - peças, poesias, livros e filmes. Porém, poderíamos passear mais um pouco sobre o que certamente esteve presente naqueles momentos há 2000 anos, e frequentemente nem lembramos ou não ouvimos nada sobre eles.
O cansaço da jornada. O cansaço que muitas vezes sentimos ao final de uma jornada se fazia presente no físico daquele casal de palestinos, pois mesmo ao chegar na cidade bem antes dessa data do nascimento do bebê, que faria mais sentido, a jornada de Nazaré a Belém normalmente durava três dias de árdua caminhada. A Primeira imagem é o cansaço, que é vencido pelo casal e seu bebê...
A família que não acolhe. O famoso hospedeiro presente em algumas peças teatrais, que provavelmente nunca existiu, deixa-nos esquecer que José era um belemita, e que teria parentes ou familiares na pequena Belém Efratá. Parentes esses que também não os hospedaram em suas casas. Possivelmente, só vieram a encontrar descanso num estábulo de animais, comum na parte inferior nas casas da época. Embora os hoteleiros sejam importantes personagens nas muitas peças teatrais de Natal, é bem possível que Maria e José tenham na verdade se hospedado numa casa com parentes. Não em algum tipo de hotel dos tempos bíblicos, mas num tipo de acolhimento que não é o que esperamos de uma família... A Segunda imagem é o acolhimento distante das pessoas mais próximas...
O medo do extraordinário de Deus que margeia o ordinário do homem. Bíblia não diz especificamente que os anjos cantaram nos altos céus. Ela diz que primeiro um anjo apareceu e falou, "e, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus" (Lucas 2:13). Nas descrições do profeta Ezequiel e do Apocalipse e em outras passagens bíblicas, os anjos são descritos de forma impressionantemente espantosa, diferente daquela imagem angelical barroca com anjos branquinhos e gordinhos. Diz no primeiro Capítulo do livro de Ezequiel: “E do meio dela saía à semelhança de quatro seres viventes. E esta era a sua aparência: tinham a semelhança de homem; cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas. E as suas pernas eram retas; e as plantas dos seus pés como a planta do pé dum bezerro; e luziam como o brilho de bronze polido. E tinham mãos de homem debaixo das suas asas, aos quatro lados; e todos quatro tinham seus rostos e suas asas assim: Uniam-se as suas asas uma à outra; eles não se viravam quando andavam; cada qual andava para adiante de si...” .
Imaginemos então, que o que aqueles pastores viram com medo tornou-se benção... O extraordinário anunciava o ordinário. O nascimento de uma criança que viria dividir a historia em antes e depois de seu Natal. Hoje, parecemos ter mais sede do extraordinário, o inexplicável, o espantoso, o absurdo, o miraculoso, mas não reconhecemos o que Deus está fazendo todos os dias no ordinário de nossas vidas. Talvez seja por isso que Ele ainda apela para as extraordinárias imagens das coisas mais simples, que ficam à margem de nossos orgulhosos olhos... A terceira imagem é o grande valor do ordinário em meio ao extraordinário.
Diante da riqueza do momento bíblico natalino, podemos apontar, pelo menos, essas três imagens, as quais podem fazer uma grande e sensível diferença em nossas relações humanas. Pense nisso! Meus sinceros desejos a todos é que possamos vencer o cansaço da jornada, saber acolher de uma forma preciosa quem por vezes está ao nosso lado, e reconhecer que na ação ordinária da vida estão os maiores milagres que Deus faz e fará em nós e através de nós...
Feliz Natal!   

sábado, 17 de dezembro de 2011

Necessária Escolha...




A diferença entre visitar a igreja e ser membro da igreja está no comprometimento. Visitantes são espectadores que ficam à parte; membros são os que se envolvem com o ministério da igreja. Visitantes “absorvem”; membros contribuem. Visitantes se beneficiam do que a igreja traz, sem participar da responsabilidade da missão.


Infelizmente, muitos de nós crescemos em famílias com relacionamentos rompidos ou difíceis. Então, carecemos das habilidades relacionais necessárias para nutrir uma verdadeira comunhão. Devemos ensinar e ser ensinados a lidar e se relacionar com as outras pessoas.

Entretanto, se estamos cansados de uma comunhão fajuta, o nosso desejo é de viver verdadeiramente o cultivo de uma relação amorosa e sadia, teremos sempre que assumir riscos e fazer algumas escolhas difíceis.

Reconhecemos que algumas características de cultivo sempre serão necessárias para um crescimento saudável e o fortalecimento de qualquer comunidade ou grupo; Igreja ou não.

Não temos por vezes a coragem de falar em meio ao grupo com a franqueza amorosa necessária, enquanto a vida de um irmão ou amigo desmorona ao nosso lado… Muitas comunidades e pequenos grupos permanecem superficiais por terem receio de conflitos. Isso pode trazer uma falsa sensação de paz entre nós. Que engano bobo...

Já a verdadeira comunhão, seja no casal, seja na amizade, seja na igreja, no grupo, depende de franqueza. A franqueza nos ajuda a crescermos em intimidade uns para com os outros, ao enfrentar e resolver nossas diferenças.

As relações exigem franqueza e amor. A franqueza não é uma licença para dizer o que queremos, onde queremos e sempre que queremos. Não é grosseria. Palavras impensadas deixam feridas permanentes. Somos convidados pelo Apóstolo Paulo a tratarmos uns aos outros com o carinho e a sinceridade que merecem os que se relacionam verdadeiramente. (Gl 6:9-10).

Contudo, o orgulho obstrui a Graça de Deus em nossa vida, nos impede de crescer, de nos transformar, de nos sarar e ajudar os outros. Devemos desenvolver a humildade de algumas maneiras práticas entre nós: admitindo nossas fraquezas, sendo paciente com a fraqueza dos outros, estando abertos para a admoestação e pondo os outros em nossa atenção pessoal. As pessoas podem ter carências emocionais, inseguranças profundas, e inabilidades sociais. Mas a nossa tolerância deve ser exercitada para com elas sempre de forma generosa.

Relacionamentos também exigem tempo. Devemos desenvolver o hábito de estarmos juntos. Se nós quisermos cultivar uma comunhão autêntica, isso implicará em estarmos juntos mesmo quando não tenhamos vontade, porque acreditamos que é sumariamente importante para nós. Viver em comunidade requer investimento de tempo; pois isso nos trará o hábito de estarmos juntos.

Se com franqueza, se com amor, se com humildade, se com tempo, fique certo de que tudo não passa de uma Necessária Escolha...









terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Recado para os olhos


É ensinado nas bancas dos seminários teológicos que sacramento é “um sinal visível de uma graça invisível”. Palavras sábias de Agostinho de Hipona no século IV, um dos grandes do período chamado de patrística. Contudo, o sacramento é uma imagem carregada de emoções. Como diria Rubem Alves: “Os sacramentos são símbolos que têm o poder de invocar ausências”.


Bem da verdade todo símbolo é forjado a partir da ausência. Presente a ausência o ser humano logo eleva um símbolo que traduz aquela ausência em presença desejosa... Lembre-se de um símbolo e perceba que por trás dele há algo que estava ausente ou está, para determinado indivíduo ou grupo. Mas todo símbolo tem que ser bem degustado, senão se torna sem “graça”...

Poderíamos dizer de uma maneira simples que sem a poesia o gosto do sacramento é insosso. As poesias são imagens carregadas de emoções...

É possível defender a idéia de que, quem não tem poesia é “pobre”. Pobre nas emoções, possivelmente pobre no amor. Na liturgia, por exemplo, se uma cerimônia não for celebrada com poesia e arte, essa corre um sério risco de se tornar “o rito pelo rito”. As orações também muitas vezes se tornam imagens ocas, porque são resultados de vãs repetições. (Mt 6:7-8). Pois, é no calor do coração que as orações se tornam poesias declamadas a Deus...

A pobreza das emoções torna o ser humano cego na alma. A cegueira espiritual pode ser resultado de uma vida pobre de emoções. Tenhamos a certeza de que existem coisas que só são vistas com os olhos da alma, com os olhos da Fé... Blake disse certa vez: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Por isso as crianças são sábias, elas vêem com a alma e se divertem com isso...

Mas como ver então?

A poesia é um caminho. Devemos educar nossos olhos para que vejam com olhos poéticos. Devemos educar de forma que as pessoas vejam com olhos de poeta... Os poetas vêem e ensinam a ver. A poeta Adélia Prado disse certa vez: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra...”.

Pouco tempo depois da morte de Jesus, os discípulos no caminho de Emaús caminharam com o ressuscitado durante horas, mas só o reconheceram quando seus olhos viram com o coração. (Lc 24:13-35).

Às vezes nosso encontro com o Cristo ressuscitado só depende de nosso olhar. Por vezes o nosso encontro com a vida, com as pessoas amadas, com a esperança, com a vitória, com a Paz só depende de nossos olhos.

Como diz Adélia, sem olhos poéticos uma pedra continua pedra, uma cadeira continua uma cadeira, um céu estrelado permanece escuro, um rito permanece rito, um amor continua mal amado, uma vida continua fria, uma árvore continua seca, um sacramento continua sem gosto, uma cidade continua uma simples cidade.

Fica aqui o meu recado para vossos olhos...



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Mistério dos LOGOS



No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ela estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dela, e sem ela nada do que foi feito se fez. Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela. (Evangelho de João 1:1-5).
Diante do prólogo desse evangelho, destaca-se o “mistério do Logos”. O Logos é aquele que está presente desde o início de todas as coisas e estava com o Criador de todas as coisas; o Logos era o próprio Criador e estava no Criador. Esse Logos citado por João está presente na mediação de todas as coisas criadas, e iluminando a humanidade desde o princípio. Porém o significado do Logos é mais profundo e é resultado de um conjunto de conceitos que revelam a sua importância na vida de um aprendiz maçom. São esses conceitos que podemos de uma forma breve abordar a seguir.
O Logos (λόγος - no grego pode várias traduções), o Verbo, uma palavra, uma narração ou pronunciamento, prática, conceito ou idéia. Não é a palavra como é falada ou escrita, mas o significado, ou seja, seu conceito. Reforçando ainda o conceito mais profundo do Logos, sabe-se que o termo "palavra", puro e simples, no grego é: Lexi.
Antes do surgimento da filosofia, o Logos significava apenas Palavra. Porém, filósofos como Heráclito de Éfeso, apontaram esse conceito como: Razão universal.
Foi a partir dos filósofos gregos o termo Logos passou a ter um significado mais amplo. Tanto como a capacidade de racionalização individual ou como um princípio cósmico da manutenção da Ordem e da Beleza.
Para o Estoicismo todo o universo é corpóreo e governado por um LOGOS divino (noção que os estóicos tomam de Heráclito e desenvolvem). Para esta escola de pensamento a alma humana está identificada com este princípio divino, como parte de um todo ao qual ela mesma pertence. Assim, este Logos (ou razão universal) ordena todas as coisas; tudo surge a partir dele mesmo, e de acordo com ele, graças a ele o mundo é um KOSMOS (termo que em grego significa "harmonia").
            Para Fílon de Alexandria (filósofo judeo-helenista 25 a.C. – 50 d.C), o Deus absoluto é cercado por seus poderes (δυναμεις - dunameis) como um rei por seus servos. Esses poderes são, em linguagem platônica, idéias, e para os judeus, os anjos, mas todos são essencialmente Um, e sua unidade, tal como existem em Deus, eles emanam Dele.
Diante da influência do pensamento grego de Heráclito de Éfeso, do Estoicismo e de Fílon de Alexandria, o Evangelista João (que a tradição da Igreja defende ser “João de Éfeso”) elabora seu evangelho pedagogicamente para um público de cultura greco - judaica. O evangelista tinha como alvo de sua mensagem a comunidade dos “gentios cristãos” de sua época, ou seja, a comunidade de não judeus convertidos ao cristianismo.
Para o Evangelista o Verbo é pessoal, relacional e é o próprio Deus. Só através dele existe uma mediação entre o Finito (homem) e o Infinito (Deus). Ele está na mediação na criação do mundo, e que entra na vida humana tornando-se carne, para que, como Jesus Cristo homem (o Messias histórico), possa viver e morrer como homem e revelar a todos o coração do absoluto; o Criador de todas as coisas.
Você conhece o Logos?

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Burnout e o melhor azeite...




           Já não é de hoje que observamos que toda liderança tem seu alto preço. Temos percebido os holofotes em direção ao que se convencionou de “excelência” na arte de liderar, entretanto, todo e qualquer líder está à mercê de uma realidade a sua volta, de condições e contingências de um trabalho que pode, em algum momento, não trazer o sucesso desejado, e assim por “em check” sua capacidade de cumprir a missão; a meta. Aí vem o possível stress, a exaustão, a frustração, o abatimento, o esgotamento e a angústia do próprio líder.
            Lembro das palavras de Cristo no Jardim do Getsêmani momentos antes de ser levado preso, quando diante do sono de seus liderados, bradou: “Então nem uma hora pudeste velar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Mt 26:40-41). Depois de três anos de formação, os discípulos ainda dormiam...
            Uma das condições comuns em alguns líderes é o esgotamento emocional, chamado, em inglês, de Burnout (literalmente, “queimado, tostado”). Definido pelos americanos como Síndrome de Burnout, esse estado leva o ser humano a um esgotamento físico, mental e emocional, que se caracteriza por um cansaço constante e crônico, sentimentos de abandono e falta de esperança, desenvolvimento de uma auto-estima negativa e uma atitude também negativa em relação ao seu trabalho, a sua vida e as outras pessoas.
            Percebe-se assim, porque um “Bernardinho” também chora pela frustração de “transformar seu suor em prata”, e não “ouro”... Não há ouro para todos, toda hora...
            Existem distâncias entre as expectativas idealistas e a dura realidade que às vezes tem de se enfrentar. Muitos com lindos sonhos, mas circunstancialmente a realidade do seu trabalho torna-se dura, por demais esgotante, muito para uma pessoa só, e, às vezes, acompanhada de uma persistente sensação de solidão. É o “Getsêmani” de cada um... Não é por coincidência que no hebraico “Getsêmani” quer dizer “prensa de azeitona”.
            Muitos sentem uma falta de preparo para tarefas esmagadoras que desafiam as azeitonas. Há também os que ficam desanimados por terem de lidar constantemente com problemas e conflitos. Há aqueles, cuja auto-estima depende diretamente do resultado do seu trabalho, acabam tendo de lidar com uma auto-imagem prejudicada pelas dificuldades que enfrentam. Sem a leveza, o humor, e o lazer, e fé algumas pessoas levam tudo tão a sério que se esquecem de rir, divertir- se e desfrutar do que Deus tem dado agora a todos.
            A “Burnout” é autodestrutiva, e pior, destrói quem está por perto ou liderado por um portador desta síndrome que parece “queimar” junto também... Para tanto, não se faz azeite sem pressão nas azeitonas.
            Diante dos sentimentos de fracasso quanto à sua vocação e questionamento em relação a seu carisma, o que fazer? Diante do sentimento de desesperança e incapacidade de enxergar solução para os problemas, o que fazer?
            Para evitar o esgotamento é importante que encontremos na espiritualidade novas formas de seguir as antigas. Podemos inovar na nossa vida devocional! Temos que reservar tempo para ficar a sós e “recarregar as baterias”. É parar para afiar o machado! Até Jesus se retirava das multidões para estar a sós, e saborear o Pai Celeste. Com a ajuda de Deus, todas essas medidas nos ajudarão a prevenir o esgotamento emocional e físico.
            Talvez a pior conseqüência da “Síndrome de Burnout” seja a possibilidade desta nos levar a perder a capacidade de descansar em Deus, pois é ai que reside a base para a prevenção e a cura desse mal. Diante do “Getsemani” de cada um de nós podemos ter Paz, pois a Fé nos dá a certeza de que o melhor e mais nobre azeite vem de uma forte pressão nas azeitonas.
            O melhor é que o azeite alimenta a todos...  O Burnout...? Espera no Senhor nosso Deus e renova o teu azeite!

sábado, 19 de novembro de 2011

“Quem tu é...?”


“Quem tu é? Quem tu é...?”. Com essas simples palavras e com um português embrutecido, um amigo de currutela sempre me aborda todas as vezes que nos encontramos. Sua pergunta é mais que um questionamento... É um convite a maior reflexão que devemos nos aventurar a fazer: a busca do auto-conhecimento.

Socrates já imortalizou essa questão pelo seu aforismo grego: “Conhece-te a ti mesmo”. Essa afirmação foi a pedra angular da filosofia socrática e do seu método, a maiêutica.

O conhecimento sobre nós mesmos é fator importante para nosso crescimento interior. É indispensável nos conhecermos e sabemos que esta é uma tarefa difícil que requer sabedoria e esforço. Precisamos firmemente nos analisar melhor, procurando saber quais são nossas virtudes e quais são nossas dificuldades, quais são nossas possibilidades e limitações e o que deve e o que não deve ser mudado; melhorado.

A maior dificuldade que temos em nos conhecer, advém do nosso egoísmo, pois normalmente preferimos um elogio falso a uma sujestão construtiva. Nossa tendência é de assumirmos o que é bom e atribuirmos aos outros o que é ruim...

Assim, de maneira popular o meu amigo filosofa sempre quando nos pergunta: “Quem tu é? Quem tu é...?”

Recentemente tive o prazer de assistir ao filme “O Palhaço”, dirigido e protagonizado pelo ator Selton Mello. Na ocasião, uma cena chama o público a uma reflexão importante. O palhaço mais velho da dupla do riso ao encontrar com o palhaço mais novo, percebe que esse estava passando por uma crise pessoal, acreditando não ser mais engraçado... Não ser feliz. Então, o velho palhaço diz para seu companheiro de picadeiro: “O gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço...”. Daí inicia-se uma busca do palhaço por descobrir o que ele era...

Essa busca deve servir ao menos para desvendar algo que, de fato, jamais nos foi tirado: nossa capacidade de recomeçar. De renascer a cada crise. Quando desejamos responder essa pergunta e abraçamos o desafio de nos conhecermos, somos todos renascimento, somos um recomeço possível.

O problema é que não vamos saber quem somos se não descobrirmos qual é a nossa vocação. Qual propósito de nossa existência? Para que somos vocacionados? Quando descobrirmos a nossa vocação, descobriremos que o prazer está presente no que fazemos e como fazemos. É quando beijamos a auto-realização.

Descobrir quem somos é na verdade descobrir que nossa existência tem um propósito, e que esse transforma nossa vida em Missão. Quando encontramos nossa vocação, ou vocações, encontramos o que nos faz responder quem somos. Competirá a nós, nessa caminhada, reconhecer, aceitar, acolher e integrar o colorido de nós mesmos, que nos faz únicos.

O palhaço do filme de Selton Mello descobriu uma coisa muito importante e voltou a sorrir... Se ao final do filme meu amigo cruzasse com esse palhaço e perguntasse: “Quem tu é? Quem tu é...?” O palhaço lhe diria: “O gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço...”.

E você? “Quem tu é...?”

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

É fácil ser Negligente?

“Esta é uma geração maravilhosa para quem faz parte dela, tudo o que está errado é culpa da geração anterior, e terá que ser corrigido pela geração que virá depois”- Bill Vaugham .




Quero sinceramente acreditar que Bill Vaugham estava errado... Uma geração que abraça suas responsabilidades e as faz isso por e com paixão, jamais deixará para o futuro missões que podem ser cumpridas hoje no mundo. Porém, tenho a convicção de que só nos apaixonamos por aquilo que conhecemos e relacionamos.

Ser apaixonado requer conhecimento, entrega, compromisso. Requer gasto de tempo com a relação com Deus, com o outro, e o assumir custo de ser inconformado e transformado pela renovação da mente. (Rm 12:2)

Na composição de nossos planejamentos e no exercício dos relacionamentos vemos que a geração atual, por vezes assentada nos bancos de nossas comunidades, não tem sido alvo de uma estratégia fundamental de construir uma igreja que preparada e motivada para o futuro, com leigos fortes e capacitados, poderá compor os diversos ministérios da igreja na transformação dos reinos deste mundo no Reino de nosso Senhor Jesus Cristo.

Infelizmente, a grande realidade é que na maioria das vezes a “nova geração” só tem papel fundamental na beleza estética de uma nave cheia de membros jovens aos domingos. Isso é bonito de se ver o colorido...

George Washington disse certa vez: “A perpetuidade de uma nação depende da formação cristã de seus jovens.” Temos visto muito mais a juventude sendo INFORMADA do que FORMADA a cerca do que somos e do que devemos desejar em nossas comunidades. Ora, se a praga da formação frívola mina o arbusto, que lhe restará quando a árvore for crescida? Devemos gastar tempo com a preparação do jovem; isso é olhar para as sementes e ver florestas...

Temos uma geração negligenciada? Ou não?

Em verdade, é mais fácil aceitar uma informação, que uma formação sólida, pois o cair do véu da ignorância pode tornar cristãos mais desafiados, mais responsabilizados, mais compromissados; e ser omisso ou inerte diante dos desafios da missão da igreja, dói menos...

O Evangelho de Cristo nos desafia a irmos ao mundo, e esse desafio muitas vezes é negligenciado porque isso tem um custo. O custo de ter que ensinar e o custo de ter que aprender. É mais fácil ficar nos bancos e ser irrelevante... É fácil ser Negligente!

Ser relevante é aceitar que sem Kerigma (proclamação do Verbo) não há Didaquê (ensino, formação), sem Ensino não há Pathos (paixão, sofrimento), sem Paixão não há Diaconia (serviço), sem Serviço não há Martiría (Testemunho), sem testemunho a mensagem perde Hupostasis (crédito).

A Igreja precisa de credibilidade no mundo de hoje. Acorda!





domingo, 30 de outubro de 2011

Lembranças da Reforma Protestante



O cristianismo nas ilhas britânicas é muito mais antigo do que se pensa. Suas origens remontam ao século II, e data dos registros dos primeiros cristãos na Inglaterra; romanos que ocupavam o território e deixaram a Grã- Bretanha no século V. Mas foi a a chamada Igreja Celta que se desenvolveu ao redor do Mar da Irlanda nos séculos V e VI entre célticos da Bretanha, tais como bárbaros irlandeses, escoceses, galeses, córnicos e os habitantes da Ilha de Man, que estabeleceu uma ética institucional.

Diferente do continente europeu na forma de governo eclesial, ao qual se desenvolvia com seus bispos e suas dioceses, o cristianismo celta dispunha-se em mosteiros e seus abades, considerando-se uma entidade unificada e identificável separada da grande Cristandade Latina.

Em 603, o monge beneditino Agostinho (que não é o de Hipona) chamou representantes da Igreja Celta numa tentativa de convencê-los a se submeter às práticas e disciplinas católicas romanas, mas eles se recusaram. O principal ponto de discórdia era a data da Páscoa, pois a Igreja Celta seguia uma tradição bem mais antiga do que a Igreja de Roma (tradição joanina). Havia ainda questões menores, como a forma da tonsura monástica - a área raspada da cabeça do monge - pois como muitos monges tinham sido druidas (sacerdotes do xamanismo celta), mantinham as suas tranças por trás das orelhas e só raspavam a parte superior e frontal da cabeça, diferentemente dos monges católicos do continente.

A questão das diferenças entre a Igreja Britânica e a Igreja Romana continuou sendo motivo de controvérsias, dando espaço para a seu constante histórico de interdependência diante de Roma.

Neste aniversário de 494 anos da Reforma Protestante, celebrado no dia 31 de outubro, lembrei de uma freqüente afirmação histórico-oficial que minha professora de história fazia nos meus tempos de banca escolar. A afirmação de que a Igreja Anglicana fora fundada pelo rei Henrique VIII da Inglaterra, pois queria separar-se de Catarina de Aragão e casar com Ana Bolena em busca de um herdeiro varão para a casa dos Tudor.

De fato uma das perguntas que sempre se faz a um anglicano é: “Qual a origem da Igreja Anglicana?”. A resposta encontrada nos livros didáticos de história é oficial e não real. Henrique VIII não poderia fundar algo que já existia desde o cristianismo celta, pois o fato real é que o controverso rei não fundou uma nova igreja.

Durante a Reforma Protestante alavancada pelo monge alemão Martinho Lutero, a igreja anglicana protesta também e abraça os cinco pilares da Reforma: Somente as Escrituras - ou seja, a Bíblia, como única regra de fé e prática; Somente a Graça – pela graça de Deus não por qualquer mérito humano, é que podemos ser salvos; Somente a Fé - É mediante a fé, que é dom de Deus, e somente por ela, é que somos justificados pelo sacrifício de Cristo na Cruz; Somente Cristo – Jesus Cristo como mediador entre Deus e os homens; e Somente a Deus a Glória - Devemos exaltar e glorificar aquele que fez todas as coisas.

Simples assim. Então, Soli Deo Gloria!!



domingo, 23 de outubro de 2011

Qual o rótulo da sua garrafa?



O que é a religião? A religião é fundadora da noção de ambiente, de tempo e de valores sagrados, a partir dos quais se dá a experiência de encontro, de junção e de releitura da realidade que nos circula através dos séculos, marcando a história da humanidade desde seus primórdios. É uma experiência humana que se manifesta culturalmente e se moderniza, ou regride, à medida da própria experiência humana.


Quando falo de religião, não penso inteiramente na religiosidade... Quero refletir sobre a espiritualidade humana. Um pensador de nossos dias diz que “a religião é muito mais do que uma questão de escolha pessoal. É assim porque sempre temos diante de nós a pergunta pelo sentido da vida, pelo fim último de nossa existência. Se o homem não encontra em Deus o fundamento último de sua existência, tende a adotar outros absolutos e a fazê-lo conforme a sua imagem e semelhança. Do contrário, mergulha no desespero e no vazio existencial”.

Você já se perguntou quem é o absoluto na sua vida?

Bem, é nas relações da experiência humana que se verifica que a liberdade e transcendência são relativas, limitadas e condicionadas... De fato, é quando nos damos conta que somos marcados pela liberdade, mas também pelo determinismo; pela transcendência, mas também pela contingência; pela eternidade, mas também pela finitude, é que construímos nossas relações. É na ambiguidade que surgem os necessários relacionamentos.

Diante da força da indústria cultural, a religião insurge hoje como um negócio e como uma mercadoria, destinada a legitimar uma ideologia que orienta a relação simbólica com o sagrado e a busca de soluções imediatas para o sofrimento humano. O problema é o imediatismo da época em que vivemos. Época em que se rejeita a idéia da tradição religiosa que enfatizava a limitação humana, para dar lugar à possibilidade de uma vida de sucesso e de prosperidade... Uma nova religiosidade. A religião da pós-modernidade “resolve” o problema com receitas simples e proclama que é possível conquistar uma vida de sucesso e prosperidade.

O psicólogo americano A. Maslow quando elaborou sua “pirâmide de hierarquia das necessidades” apontou que depois de subjugarmos a necessidade de “Sobrevivência”, buscamos conquistar a “Segurança”. Assim, os homens e mulheres pós-modernos precisam de algo que os ajude a superar o sentimento de incerteza diante de um mundo fragmentado, que lhes rouba a segurança e põe em risco a sua identidade. Surge então o elemento religioso... O que alimenta o encantamento humano.

Vivos, precisamos transformar a incerteza em auto segurança, reelaborar o que nos encante, o que nos seduza, e que nos convença de que se está diante da experiência do sagrado. O problema é quando tudo isso é posto numa garrafa que tem como rótulo: Instituição!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

É claro que Igrejas morrem...





Lembrei de um artigo do pastor Ricardo Gondin o qual relata seu testemunho sobre uma visita feita a algumas igrejas na Inglaterra que morreram lentamente. Gondin descreve sua perplexidade neste artigo quando cita que ao visitar um antigo templo fundado durante o avivamento wesleyano – o qual fora um espaço de muita vitalidade espiritual - percebe que as placas de granito e mármore, ainda fixadas nas paredes, mostravam que naquele altar (que agora era o balcão de um bar) haviam pregado pastores e missionários ilustres...
Menciona Gondin em seu texto: “Devido aos altos custos de manutenção, só restava ao remanescente negociar o imóvel. Atualmente, os maiores compradores são os muçulmanos, donos de lojas de antigüidades e, infelizmente, de bares e boates”. Em sua imaginação ao visitar aquele templo, recorda que um dia fora um lugar cheio de pessoas comuns, porém lotado de pessoas ansiosas por participarem do mover de Deus que varria toda a Inglaterra...
Bem, se na Inglaterra de outrora, com toda a firmeza doutrinária, ética e disciplina anglo-saxônica aquelas igrejas morreram, o mesmo pode acontecer no Brasil? A resposta é Sim. Se por um lado as históricas envelhecem sem renovação, as mais “modernas” são carentes de identidade e fartas de rotatividade de seus membros, os quais chamo de pan-denominacionais... As razões que implodiram inúmeras congregações européias, obviamente são diferentes, porém Gondin aponta para pelo menos três perigos em nossa realidade brasileira:
A trivialização do sagrado - Faltam “temor e espanto” diante de Deus. O único temor é o do pastor ou ministro: de que a oferta não cubra as despesas e os seus planos de expansão. A cultura religiosa, em especial, está fomentando uma atitude muito displicente quanto ao sagrado. O deus que está a serviço de seu povo para lhes cumprir todos os desejos certamente não é o Deus da exortação do livro de Hebreus 12.28-29.
O esvaziamento dos conteúdos - Uma das marcas mais patéticas do tempo em que vivemos é a repetição maçante de jargões nos púlpitos. Frases de efeito são copiadas e multiplicadas nos sermões. Algumas, vazias de conteúdo, criam êxtases sem nenhum desdobramento. Surge um enraizamento de princípios, valores e ética que na verdade ficam a desejar em seus membros e envergonham a mensagem do Evengelho.
A mistura de meios e fins - Não se sabe mais o que é meio e o que é fim. Não se sabe mais se a igreja existe para levantar dinheiro ou se o dinheiro existe para dar continuidade à igreja. Canta-se para louvar a Deus ou para entretenimento do povo? Publicam-se livros como negócio ou para divulgar uma idéia? Os programas de televisão visam popularizar determinado ministério ou a proclamação da mensagem? As respostas a essas perguntas não são facilmente encontradas.
Reconheço que igrejas morrem e outras vão morrer... Seria bom que todos reconhececem isso... Já seria o início da ressurreição de muitas. Porém, se nada for feito por quem planeja estrategicamente os caminhos e valores de suas igrejas, esse estará condenando as mesmas a se tornarem bares, pubs, bibliotecas, estúdios de gravação, como já acontece na Europa... Melancólico sonho. Porém, esse pesadelo pode se tornar realidade...
Acorda para Jesus!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Morrendo os “Boomers”, tudo acaba...



Sou um integrante da chamada “Geração X” que geralmente inclui as pessoas nascidas a partir do início dos anos 1960 até o final dos anos 1970, por vezes podendo considerar o início dos anos 1980, sem, contudo ultrapassar o ano de 1982.


Essa minha geração segundo pesquisadores da sociologia apresenta uma busca a individualidade sem a perda da convivência em grupo. Tem facilidade de conviver com as diferenças, pois já são de uma geração de “pais separados”... Têm maturidade na escolha de produtos de qualidade e inovadores. Dão um maior valor a indivíduos do sexo oposto e buscam racionalmente seus direitos. Gostam de liderar e de trabalhar em grupo. Respeitam hierarquias, mas não aceitam o conformismo com o antigo e ultrapassado.

A grande parte das igrejas históricas de hoje parecem, diferentemente do campo organizacional, ignoram o perfis das gerações. Estar adequado as linguagem correta para com as gerações é mister na vida de qualquer projeto futuro e na missão de uma congregação ou igreja.

Lembro que minha fé foi forjada em uma comunidade que já valorizava a Geração X. Trabalhos em grupos e inovação litúrgica eram as marcas para alcançar uma geração que via nascer a tecnologia da comunicação e informação na informática. Lá, os músicos atuavam com vários instrumentos, as liturgias eram projetadas em um telão deixando as mãos livres dos livretos, e as celebrações eram menos conservadoras, mais marcantes e criativas.

Mesmo diante da forte presença da “Geração Y” (nascida entre os anos 1980 e 2000) ainda vemos congregações abraçadas em um modelo de trabalho que só atende aos “Baby Boomers” do pós-grande guerra. A Geração “Baby Boomer” (nascidos entre 1943 e 1960) é de apaixonados pelo idealismo. Conservadores, não gostam de inovações e ao planejarem o futuro, buscam seguir o passo a passo para alcançá-lo. São carreiristas... Carregam suas verdades como imutáveis e preferem qualidade a quantidade. Suas igrejas estão vazias...

Agora a dificuldade aumentou! É a vez de atentar para a Geração Y. Essa geração é daqueles que são os filhos da Geração X e netos dos Baby Boomers. A Geração Y nasceu em um mundo que estava se transformando em uma grande rede global. A Internet, emails, redes de relacionamento, recursos digitais, fizeram com que a Geração Y conquistasse milhares de amigos ao redor do mundo, sem ao menos terem saído da frente de seus computadores.

Os Y’s estão sempre conectados. São extremamente impacientes com reuniões e encontros de longa duração, pois procuram informação fácil e imediata. Preferem computadores a livros, emails a cartas, compartilham tudo o que é seu: dados, fotos, hábitos. Tem atenção seletiva e estão sempre em busca de novas tecnologias. No entanto, é uma geração eternamente atrelada e preocupada com a ecologia e o respeito ao meio ambiente. Acompanhar as novas ferramentas de comunicação e informação favorece a igreja e comunidade que não quer fechar as portas para a geração Y. Outro fato é que a “Geração Alpha” (nascendo desta próxima década) já nascerá com o “mouse” na mão.

A morte de comunidades religiosas cristãs nem sempre tem como causa a secularização do homem ocidental pós-moderno. A verdade é que muitas igrejas e comunidades ainda estão fazendo igrejas para agradar os Baby Boomers,..

O futuro deste modelo é fácil de adivinhar... Morrendo os “Boomers”, tudo acaba...

sábado, 1 de outubro de 2011

Saúde na “Receita de Bolo”




Não existe apenas uma “receita de bolo” para as diversas situações de crise nos nossos relacionamentos pessoais. Entretanto, sabemos que uma maneira de estabelecer uma ética pessoal de se relacionar de forma saudavel é possivel, se adotarmos algumas atitudes e torná-las um hábito em nossas vidas.
Poderia apontar alguns ingredientes da “receita” para levarmos ao forno o “bolo” que poderia ser mais saboroso... Para tanto, penso que três desses ingredientes seriam indispensáveis para o sucesso do sabor final. A partir destes três elementos podemos nos transformar em ótimos confeiterios, cujos bolos adoçariam muitas relações...
O primeiro desses ingredientes diria respeito à recuperação e restauração da nossa dignidade como seres humanos. Precisamos compreender que somos limitados como humanos e que ainda assim temos valor. O problema é que temos ideias equivocadas sobre o nosso valor enquanto seres humanos e alvos do amor de nosso Criador. Esse equívoco pode atingir diretamente nossa auto-estima até destruí-la... Podemos ir de um lado ao outro atribuindo a nós mesmos um valor superior ou muito inferior ao verdadeiro valor que temos; esse que só conhecemos, conhecendo o Deus que nos conhece.
Como disse um pensador de nossos dias: “A maior expressão de nossa condição humana é a capacidade que temos de dar e receber relacionamentos. Isso está bem no âmago de nossa personalidade. O problema é que estamos perdidos, desorientados e cegos”.
O segundo ingrediente é descobrir que somos aceitos por alguém. Apesar de às vezes estarmos perdidos, quem nos aceita vem ao nosso encontro. Quem nos aceita, nos ama como nós somos, todavia, se recusa a nos deixar do mesmo jeito. Nos quer melhor, mais maduros. È disso que Jesus fala quando aponta para o amor que devemos ter por nós mesmo e pelo outro semelhantemente.
E o terceiro ingrediente é ser capaz de celebrar a alegria de viver apesar dos problemas. Existem duas razões para que haja uma grande festa. Estar junto é a primeira delas. Ninguém celebra nada sozinho. A celebração só acontece no encontro; na alegria da chegada. A segunda é a entrega. Nossa atitude se assemelha muito mais a um menino teimoso que não quer aceitar o conselho de seus pais para que faça a escolha pelo que é melhor para a sua vida. Entregar-se é render-se ao plano que Deus tem para cada um e se alegrar com ele. Quando alguém se rende e se quebranta diante dEle, há grande manifestação de alegria. Isso posso garantir!
Quer garantir saúde na sua “receita de bolo”? Então, não esqueça de acrescentar na receita: Aceite-se, seja aceito e celebre a vida!

sábado, 24 de setembro de 2011

Razão e Fé de mãos dadas?



Uma experiência com Deus sem logos, ou seja, sem a razão, é apegada ao contemplativo e ao ilusório, por vezes voltada para as soluções imediatas. Se ponderamos que a Teologia é resultado de uma tentativa de compreender da revelação divina nas circunstâncias palpáveis em que ela foi recebida, a própria noção da verbalização da palavra de Deus deve ser entendida não como palavra humana, mas como a fala divina é recebida, entendida e expressa na fala humana, com as circunstâncias socioculturais e históricas que permeiam a linguagem.

Então surge uma tradicional questão: Razão é fé são verdadeiramente opostos?

Bem, até mesmo durante a Escolástica, que representava o pensar filosófico da época medieval, já se promovera a junção entre o intelecto humano e Deus. Essa junção entre conhecimento e fé não ocorre de maneira alheia, ao contrário, ela traz, em seu bojo, questões existenciais que irão repercutir diretamente na formação dos sujeitos e da sociedade. Quando Tomás de Aquino afirmou que o saber racional e a aceitação da palavra Sagrada competem ao mesmo ser em sua totalidade, ele acabou por atribuir aos homens maior autonomia em relação à influência da Igreja naquele período histórico.

Naquela conjuntura, dava-se início a uma discussão sobre a razão humana, até que ponto essa é conduzida por Deus e em que medida o uso dela é uma atividade dos homens. Passados os séculos, memo o Iluminismo tendo jogado fora a água do banho e o bebê junto, é um engano pensar que o enfraquecimento da razão pode resultar em um fortalecimento da fé, ou vice-versa. O enfraquecimento da razão resulta, isso sim, numa fé supersticiosa que se alimenta do mágico e do ilusório. O enfraquecimento da fé, por sua vez, resulta na fragmentação e na perda de sentido, pelo fato de a razão não ser capaz de abarcar a totalidade e o sentido último das coisas.

Magias a parte, mesmo na reflexão filosófica dos pensadores que contribuíram para ampliar a distância entre fé e razão, com seus pensamentos aprofundados e desenvolvidos com mente e coração honesto, poder-se-ia descobrir um caminho saudável. Contudo, isso não pode nos fazer perder a capacidade de aceitar a relação entre fé e razão com um cuidadoso esforço de discernimento, porque tanto a razão como a fé ficaram reciprocamente mais pobres e débeis isoladamente...

A razão, privada da fé, percorreu trilhas marginais sempre com o risco de perder de vista a sua meta final. A fé, privada da razão, pôs os pés no caminho de super evidenciar o sentimento e a experiência, correndo o risco de deixar de ser uma proposta universal.

Em resumo, sem essa aceitação, a Fé cairá no grave perigo de ser reduzida a um mito ou superstição, e da mesma maneira, uma Razão que não tenha pela frente uma fé madura não é estimulada a fixar o olhar sobre a novidade do sentido da vida.



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O Criador das Equações e as Deuscidências






Sempre admirei e respeitei o cientista britânico Stephen Hawking por sua incrível capacidade intelectual. Li dois de seus livros anos atrás, onde ele, enquanto estudioso das teorias sobre a criação do Universo e suas nuances, nos presenteia com uma mostra de que a complexidade que leva o “nada” vir a ser “alguma coisa criada” deveria ter por traz uma “mente” superior. Hawking sugeria que a idéia de Deus ou de um ser divino não é necessariamente incompatível com a compreensão científica do universo. Era um físico agnóstico admitindo a existência de um Criador do Universo...


Recentemente, segundo notícias, em seu novo livro chamado The Grand Design, o físico teórico e cosmólogo afirma que “Deus não tem mais lugar nas teorias sobre criação do universo, devido a uma série de avanços no campo da física...”. Segundo trechos da obra publicados, ele tem demonstrado uma posição mais dura em relação à crença de um Criador, garantindo que o Big Bang foi simplesmente uma consequência da lei da gravidade. Diz ele: “Por haver uma lei como a gravidade, o universo pode e irá criar a ele mesmo do nada. A criação espontânea é a razão pela qual algo existe ao invés de não existir nada, é a razão pela qual o universo existe, pela qual nós existimos...” Agora, para ele “tudo não passa de uma feliz coinscidência”.

Hawking admite a existência das equações como fundamento da realidade, mas despreza se indagarmos se tais equações poderiam ser obras de um Deus que as superasse e que transcendesse todos os universos.

Feliz Coinscidência? O termo Coinscidência é utilizado para se referir a eventos com alguma semelhança, mas sem relação de causa e consequência. Poderia ser exemplificado com o ato de jogar uma moeda e obter três coroas consecutivamente... Acreditando nesta possibilidade.

Hoje tenho mais facilidade em acreditar em “Deuscidências” que em Coincidências. Tudo passa... A mente, o cientista, seu cérebro envelhece, mas o criador das equações parece não passar. Como disse um outro cientista a respeito desta última afirmação de Hawking: “Um universo finamente ajustado-projetado para manter a vida sem necessidade de um Projetista? A Informação sem necessidade de fonte informante?? O acaso como “originador” da ordem???”. Como?

Bem, a questão passa pelo fato de um dos maiores cientista do mundo acreditar em coinscidência. Entretanto, na psicologia ações baseadas em interpretações de coincidências são chamadas de “comportamento supersticioso”. Agora posso afirmar que um dos maiores físicos do mundo é superticioso, pois acredita em coinscidências...

Eu, como não sou superticioso, prefiro acreditar no Projetista, no Informante, no Criador das Equações e nas Deuscidências. Isso não vai passar... Equilibra a vida.

Encontro vocês por aí, passando por debaixo de uma escada qualquer...





quinta-feira, 15 de setembro de 2011

11/9/2011 - Capitão América está no ostracismo




O dia de 11 de setembro de 2001 deu início ao século XXI. Lembro que na ocasião do ataque as torres do WTC estava na empresa em que trabalhava e percebi que em dado momento a agitação tomou conta dos ambientes. Parecia que alguem tinha anunciado em alto e bom tom: Roma está em chamas!
Toda sensação de “segurança” que o imaginário americano transmitira através dos filmes “hollywoodianos” fora por água abaixo. Aquela propaganda cinematográfica sobre segurança internacional, a competência do FBI, a confiabilidade da CIA, a fantástica espionagem espacial, os super-agentes, só estavam intocáveis nos filmes... Assim como no passado, os “Bárbaros” estavam mostrando a “Roma” que era o início do fim de uma era imperialista...
Lembro bem do depoimento de uma brasileira que morava em Nova York naquele ano. Ela mencionou sobre a sensação de que a “segurança que fora quebrada, e que agora era como um vaso colado...”. Também o aviso dos cientistas políticos era claro: O imperialismo norte-americano não poderia mais ser o mesmo e as relações econômicas começariam a dar lugar a novas nações emergentes que despontariam no cenário mundial.
Passados dez anos, o Iraque e o Afeganistão continuam desgastando a imagem do poderio americano... Mesmo sem Saddam Husseim e Bim Laden os “romanos” de hoje não fizeram o mundo mais seguro ou melhor de se viver... O Capitão América está no ostracismo, o Super-Homem agora é budista e o Homem-Aranha está viciado em craque...
De fato, sempre tive reservas com a expressão: “Orgulho”... O “Orgulho Americano”, “Orgulho Gay”, “Orgulho Nacional” e etc., não são sinônimos de uma palavra das mais virtuosas... Sempre parece ter uma conotação excludente no sentido inverso das relações. Essa declaração sugere e ratifica uma ideia de radicalizar o que é diferente em prol de uma pseudo-superioridade, ao invés de abraçar uma unidade na diversidade. É uma Alteridade mais gloriosa ante a uma Inclusão necessária.
Por vezes, o orgulho radical provoca reações igualmente radicais. O “Orgulho Americano” paga seu preço de forma dura. Consequência de sua cultura “umbiguista”...
Contudo, a história nos mostra que tudo cai e se levanta. Os americanos estão levantando outras torres no lugar em que estavam as antigas torres do World Trade Center de Nova York. A questão é, se quando você se levanta faz isso de forma diferente...?
Afinal, quando caímos, temos a oportunidade de leventar com outra motivação, de forma diferente, com um propósito novo... É um grande momento para a mudança; sem lugar para o orgulho.
A pergunta agora é: Diante da reconstrução das torres em NY, a motivação dos americanos mudou?

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Força na Fama



Por que muitos querem prestígio e fama? Ou seria melhor perguntar por que muitos querem mais que outros a fama e o reconhecimento...? Alguém já disse que a fama é determinada pela nossa história de vida. Você pode ser famoso por uma vida virtuosa ou famoso por uma vida lamentavelmente indigna. A diferença está na escolha que fazemos diante da oportunidade a nossa frente.
Perante isso podemos refletir o fato de que Deus não olha para os nossos títulos ou rótulos para agir em nossa vida. A verdade é que Ele não tem vergonha do nosso passado, e precisa de nossa história para mostrar o quanto pode transformá-la.
A questão é quando a fama é poder. É quando essa tem a ver com a influência que exercemos sobre o outro. Então me pergunto: O que faz com que algumas pessoas sejam extremamente bem-sucedidas e outras não? Bem, segundo alguns especialistas em planejamento de carreiras, cerca de 90% das pessoas jamais terão sucesso, e isso tem relação com o “poder”.
O filósofo e pastor carioca Irênio Silveira afirma que o poder é um aspecto que mexe com a consciência humana. O ser humano busca o poder incessantemente. Diz Irênio: “Ouvimos falar de várias formas em que o poder se dá: poder da influência, da sedução, de decisão, do dinheiro, do amor, da cura, pessoal, de atração etc. Quem tem oportunidade de exercitar o poder, considera-se autônomo a ponto de passar por cima de seus semelhantes e até trair a confiança das pessoas mais próximas. Isso é uma questão que envolve ética”.
Segundo o pai da sociologia moderna Max Weber, o poder significa toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação social, mesmo contra resistências, seja qual for o fundamento dessa probabilidade. O poder tem origem na personalidade – o poder de ser –, na propriedade – o poder de ter – e na organização – o poder de fazer. O poder envolve, então, a força, a influência e o controle.
A verdade é que poder tem aquele que decide. Mas, no meio social para que o poder se realize, é necessário que alguém queira algo que está sob controle de outro. Podemos dizer que a Fama pode ser uma delas. Por isso inveja mata o invejoso e atrapalha a vida do invejado...
Assim, podemos perceber que exercício do poder de formar leviana e egoísta destrói os relacionamentos. A única coisa que pode neutralizar os efeitos nocivos do poder é o amor. Para a fé cristã, o poder não emerge da força, mas da ternura. “Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Coríntios 12.9).
Logo me veio a mente o seguinte pensamento: A Fama tem a ver com Ternura e não com Força...
Pense nisso.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Nihil sine Dio






O que tem orientado a sua vida? Sonhos, desejos e aspirações? Essa é uma questão importante porque aquilo pelo qual você se orienta revela a base seu caráter. Consequentemente, seu caráter pode e vai apontar os caminhos do seu futuro e o que vai ser dele... Mesmo que ele ainda não exista. Infelizmente, parece que o futuro é algo descartável para muitos. E por isso o caráter tambem o é... A questão é que o Viver implica em um enredamento maior que a imediata e efêmera vivência diária.
Etimologicamente, no hebraico bíblico, alguém que tem a função de pregador ou de presidente da assembleia chama-se: “Qohélet”. Traduzido depois para o grego por “Eclesiastes”, foi também tranferido para o latim e, depois, para as outras línguas. Existe um livro na bíblia atribuido a esse tal “pregador”, o qual vale a pena conferir pela grandesa de suas palavras. Líderes, executivos, gestores, pais, filhos, e todos seres humanos que são próprios daquilo que chamamos de vaidade, deveriam ler esse “palestrante bíblico”.
No livro de Eclesiastes, no capítulo 2, verso 1, o autor desabafa: “Disse eu no meu coração: Ora vem, eu te provarei com alegria; portanto goza o prazer; mas eis que também isso era vaidade...”. Em outras palavras o autor diz ao seu coração: “Vem, experimente a alegria. Descubra as coisas boas da vida! Mas isso também se revelou fantasioso para mim durante a vida...”.
Esse texto revela o que todos nós desejamos saber: o que faz a vida ter sentido? No verso 11 ele ainda conclui dizendo: “E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade, foi correr atrás do vento; e que proveito nenhum havia debaixo do sol”. Depois de relatar uma trajetória de conquistas e de busca de prazer, ele conclui com uma aparente tristeza e dureza nas palavras.
Contudo, o sábio pregador de seu tempo usa essa reflexão para dizer que não vale a pena ter tantas aspirações na vida e até se sacrificar por elas se Deus não está participando de nada. Assim, ao final de tudo, o “Qohélet” encerra seu texto com palavras conselheiras, resultado de quem provou, saboreou e degustou uma vida de vaidades. Diz ele: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus ensinamentos; porque isto é o dever de todo o homem. Porque Deus há de trazer justiça a toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau. (Eclesiastes 12:13-14).
Poder, sexo, fama e dinheiro, de um modo geral, é o que tem orientado os sonhos e desejos de muitas vidas... Isso não quer dizer que esteja errado ou que essas coisas não sejam boas... Mas qual o tamanho delas para você diante do grande mistério da vida?
Ora, tudo nessa vida passa e chega ao fim, a vida é transitória demais, cada momento deve ser desfrutado, e não temos o controle total de nosso futuro. A resposta não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia… Então vai o conselho desse “Cabra da Peste”: Nihil sine Dio! (O pouco com Deus é muito, e o muito sem Deus é nada).

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Zimmerman



Como se aplaina o caráter de uma pessoa? Bem, imagine que o carater seja uma peça bruta a ser trabalhada... Um artífece de pedras e madeira trataria esta peça com todo comprometimento que fosse necessario para moldá-la. Na época de Jesus, o chamado “carpinteiro” era aquele trabalhador que tanto construia casas como um pedreiro e moveis como um moveleiro. Era um oficio de amplos talentos manuais.
A palavra “carpinteiro” (do grego - Tekton) tão usada no Novo Testamento pode significar também “biscateiro”, no sentido de uma classe que faz serviços manuais. Existem hipóteses levantadas por bibliastas e arqueólogos que, possivelmente, Jesus tenha trabalhado no campo e, eventualmente, atuado em algumas obras de construção civil. Na sua juventute pode ter trabalhado na construção de Tiberíedes na Galiléia. A construção era apenas uma das várias obras que estavam sendo erguidas por Herodes Antipas, governante da Galiléia no tempo de Jesus, em homenagem ao imperador Tibério.
É esse carpinteiro que nos chama para um relacionamento profundo com ele. Isso deixa marcas de suas ferramentas em nossa vida. Por isso que não há como ter uma experiência de encontro com Jesus e continuar o mesmo. Somos marcados por seu labor, por seu cuidado, por seu poder manifestado em nós. O nosso caráter passa a ser moldado ao caráter de Jesus Cristo.
Mas o Zimmerman (carpinteiro em alemão) vai mais além. Ele nos desafia a viver no mundo deixando também as marcas de nosso relacionamento com ele. Em sua primeira epístola, João está preocupado com isso. Suas afirmações despertam alguns questionamentos.
De fato o trabalho do carpinteiro é arduo... Trabalha a pedra bruta, aplaina a madeira torta, estabelece fundações... Ora, se Ele nos chama para continuarmos o seu trabalho, como estamos usando nossas ferrementas no mundo? Que marcas temos deixado de nossa presença e atuação no mundo? De que maneira somos reconhecidos pelas pessoas que convivem conosco? Temos sido relevantes para esse tempo? Como temos despertado o interesse dos outros pela maneira como vivemos a mensagem de Jesus Cristo hoje? Como podemos ter uma vida bem-sucedida de fé em meio a sociedade tão fragmentada da Pós-modernidade?
De fato, são muitas as perguntas. Mas todas elas nos apontam para a necessidade de vivermos de maneira que deixemos marcas que influenciem positivamente as pessoas que convivem conosco a respeito do que o Carpinteiro tem feito em nossa vida.
Que nesse trabalho feito em nós mesmos, tambem ajudemos as pessoas a descobrirem que através de um modo de vida que faz a diferença, vale à pena seguir a Jesus Cristo como caminho, verdade e vida. Isso vai nos proporcionar um novo tempo em nossa jornada da VIDA e nos fortalecer a uma vida com muito mais sentido. Trabalhe Carpinteiro!

Há respostas?



Bem, a Fé cristã trata daquilo que chamamos de “revelação”, pois aprendemos sobre o caráter de Deus, Sua natureza e Sua vontade. À luz do Verbo (logos) de Deus – Jesus Cristo – tanto a adivinhação quanto a mistificação perdem a vez...
A religião bíblica sem floreios possui um conteúdo passível de exame histórico e de degustações filosóficas. Existe nela muito mais do que indícios e conjecturas. Parte do relacionamento com a pessoalidade de Deus pode ser formulado em sentenças que respondem e testemunham algumas das perguntas que as pessoas fazem. Assim, o que vemos no geral não são rejeições as respostas, já que isto resultaria em uma religião de recantos obscuros, cheiros de incensos e elementos desconexos... Vemos aridez.
Existe busca por conhecimento, mas não por paixão; compaixão. Paixão que vem do grego Pathos, que significa: Sofri mento, Dor. Compaixão é sofrimento partilhado no coração. De fato, o ponto de questionamento se dirige contra a secularização das respostas, ou seja, dada a busca do conhecimento, separá-lo da fonte e usá-lo como convém. O “discurso”, separado de sua origem histórica e proclamação reduz-se, muito sumariamente, a simples sofisma, verdades sobre Deus divorciadas do próprio relacionamento com Ele. Já diz o autor de Eclesiastes na bíblia, capítulo 1:18: “Pois quanto maior a sabedoria maior o sofrimento; e quanto maior o conhecimento maior a dor”.
Isso ressoa para nós como um desmanche ruidoso de ídolos, das respostas fáceis sobre o sentido da vida, inclusive as religiosas, pois aqueles que apresentam questionamentos religiosos na maioria das vezes são bem sinceros. Porém, com muita freqüência apresentam apenas um interesse periférico por Deus.
Informações sobre Deus? Sim, claro! Pensamentos interessantes e úteis vindos D’Ele? Para muitos é sempre bom evitar o conhecimento bíblico sincero, pois esse sempre envolve intimidade e compromisso. Manter distância é sempre conveniente... Então, é melhor só fazer perguntas...
Para tanto, cada geração de líderes que atentam para as exigências do contemporâneo buscam apresentar respostas. A resposta de Jesus é sempre instrutiva e interessante para os que são questionados sobre religião. Em primeiro lugar, Ele ancora sua afirmação sobre Deus em um relacionamento íntimo com o criador. Nosso Abba - Pai, nosso paizinho. Em segundo lugar Ele nos apresenta um resumo de toda lei e profetas, direcionando-nos para um ato de amor a Deus e ao próximo. O caráter cognitivo não é minimizado nem ridicularizado, mas sim, expressado de forma que possa ser vivido na fé e na prática desta fé.
Assim, a única maneira de evitar que o conhecimento de Deus se torne fruto de um pseudo-gnosticismo, e se separe de um relacionamento pessoal, é voltar à base confessional da mensagem de Nova Vida vinda do Cristo.
O conhecimento “religioso” jamais será “biblicamente cristão” quando transformado em um item de informação ou quando for usado de forma impessoal. Se for usado para aumentar as distâncias entre as pessoas, alguma coisa está errada. Se for aplicado para colocar alguém em “seu devido lugar”, também algo está errado... Se o objetivo for melhorar a vida, sem que haja fé em Deus, mais uma vez, está errado. Se você colabora em qualquer uma dessas situações, está transformando em árido o terreno de possível compaixão...
Não se satisfaça com simples respostas, mas com o próprio Deus, que está acima das respostas. Você tem perguntas? Leia o que Cristo responde sobre elas.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Deserto: um lugar de mudança


O deserto tem sua importância... Esse que, aparentemente, é um lugar de escassez pode ser tambem um lugar de liberdade. O profeta Jeremias diz sobre seu povo no capítulo 31, verso 2 do seu livro na bíblia:"O povo que escapou da morte achou favor no deserto". Mas como? Bem, foram repetidas as vezes em que os hebreus se queixaram das dificuldades no caminho que percorreram no deserto do Sinai e quiseram retornar à escravidão egípcia, mesmo quando não fazia sentido voltar para a angústia do Egito.
A questão é que mesmo com a perda sentida no deserto, temos que entender que existe vida após a perda. A liberdade do deserto significa estar sujeito a abraçar a Deus sem garantias. O que vemos claramente na história da saída do povo hebreu da escravidão do Egito é que o caminho da escravidão para a liberdade passa pelo deserto. E isso quer dizer que há um tempo de preparo e de reflexão na vida para que possamos entender os verdadeiros valores.
No entanto, atravessar o deserto não é fácil. É preciso, porém, que se descubra que há vida depois dele. Antes de experimentar o deserto, experimenta-se a experiência da “garantia”... Mesmo que essa seja a recompensa do trabalho escravo com comida. No deserto, embora experimentasse a liberdade, o povo hebreu teve que depender de Deus. A pergunta é: Dependemos DELE?
No deserto, aquele povo viveu um tempo de descoberta, um tempo de mudança que envolvia montar e levantar acampamento, armar e desarmar tenda, levar as cargas... Tempo de apredizado.
No deserto você não vê as grandes conquistas humanas, mas contempla a providência de Deus mais claramente, e assim, poedemos Vê-lo face a face... O deserto é a oportunidade de resolver o problema com simplicidade. O tempo no deserto pode ser marcado por um período de limitações, muitas vezes de escassez, mas não nos esqueçamos que é Deus quem nos conduz para o deserto para nos falar o que é importante com intimidade.
Assim, a nossa conquista não está no deserto, mas na restauração que vem depois do deserto. Por isso, o caminho para um novo tempo de alegria e felicidade passa pelo deserto. Nele aprendemos a viver com gratidão e humildade. Nele aprendemos a sermos verdadeiros. Nele podemos aprender a viver mais.