domingo, 3 de outubro de 2010

“Tiriricando” o voto...


O voto como uma dimensão simbólica nas sociedades democráticas chega próximo a representação do sagrado. Parar a rotina e refletir sobre o significado das funções públicas no nosso dia a dia toma forma na consciência e invade a dimensão do privado, nessas horas.

Aprendemos desde cedo que votar é um dever e um direito de todo o cidadão. Diferente de outras democracias no mundo, no Brasil, somos obrigados a comparecer na seção eleitoral para nos revestirmos da capa que vela a nossa suposta liberdade. Tudo simbologia... Parece uma completa sintonia com a dinâmica das relações humanas que fazem parte de nosso cotidiano.

Infelizmente, para muitos, fazer política é aquilo que se resume ao período eleitoral. Muitos percebem que a vida dos últimos anos ficou resumida em uma propaganda eleitoral, e que na medida em que refletem sobre suas opções eleitorais, entendem que no intervalo de dois anos a vida aconteceu. Sentimo-nos como tolos, que não sabem nada do que fazem conosco, para nós e por nós na política publica, e que no período de eleição somos os avisados de que nada sabemos para “além do horizonte”...

Assim, diante da possibilidade simbólica da mudança, alguns preferem uma terceira via, a do protesto silencioso do voto em branco ou nulo. Há também aqueles que se alienam ou se revoltam totalmente, no sentido de transferir para outro a responsabilidade pelo seu destino ou banalizá-lo. Hoje seria aquilo que chamo de “Tiriricar” o voto.

O voto assumiu a dimensão simbólica de que é possível colocar ordem nas coisas a partir de uma simples adesão, e que, ao escolher o candidato, estamos desobrigados de nossa responsabilidade social, moral e espiritual. Quando escolhemos, pomos em registro nossa consciência, que muitas vezes ainda é imatura. Escolhemos a possibilidade da realização de um sonho, de um projeto de cidade, de nação e de mundo que imaginamos possível. Acreditamos que o nosso candidato representa aquilo que acreditamos simbolicamente construir com ele.

Votar é mais do que escolher um candidato. È dar forma ao poder. Por isso que voto tem conseqüência real. Porque é um ato de nossa consciência, o qual somado a outros tantos gestos semelhantes, poderá definir o rumo das circunstâncias que envolvem a nossa vida.

A oportunidade de participar de um interregno eleitoral construindo o futuro junto com os que vestiram o poder é experimentar o resultado da escolha. Exige atitude! Ou diferente disso, podemos ignorar tudo e acreditar que é melhor mesmo é “Tiriricar” o futuro também... Boa escolha.