segunda-feira, 18 de outubro de 2010

“Quando a gente não quer, qualquer desculpa serve...”



Das mais marcantes propagandas da televisão que tenho lembrança, uma é campeã. Trata-se de um comercial de uma rede especializada na venda de óculos de grau em Recife, chamada Casa Lux Ótica.
Tudo começava num palco iluminado de um teatro vazio. Nele, homem sentado numa cadeira, sozinho, olhando fixamente para um ponto da platéia, dizia: “Tem gente que precisa usar óculos de grau, mas não usa. Diz que é feio, que incomoda, que envelhece e que machuca. A visão é uma coisa mais importante do que muita gente pensa. Veja bem, óculos apropriados podem até dar charme e distinção... Procure o seu oculista, e leve sua receita numa casa séria, que trate do seu problema profissionalmente. Eu, por exemplo, não preciso usar óculos de grau. Mas gostaria muito de poder usá-los...”.
Então, o aquele homem saía, tateando a cadeira, alcança uma bengala e levantando sai de cena fazendo toc-toc com a bengala... Ele era cego!
Essa frase: “Quando a gente não quer, qualquer desculpa serve”, ficou tão popular, que tornou-se um axioma popular, algo muito falado pelo povo. Esta expressão apresenta uma verdade ética incontestável: quando nós não queremos algo, uma situação de continuidade, um compromisso, uma tarefa, uma mudança, então qualquer desculpa que possamos usar, irá servir de pretexto. Corremos o risco de transformarmos pretextos em argumentos.
Com o apelo ao individualismo ao egocentrismo presentes na ética da pós-modernidade surge então um grande veneno social para as gerações futuras: a falta do QUERER mudar. Cada vez menos as pessoas querem confrontar-se com suas limitações, com seus interiores, seus erros, defeitos, frustrações, suas fragilidades, suas curtas visões.
A superficialidade impera numa sociedade em que as pessoas não querem mudança. Tudo parece de plástico: os tratamentos, os sorrisos, os abraços, as relações... E é claro que quando falamos de algo novo em nós mesmos, pensamos em algo que nos faça crescer, amadurecer, integralizar e se redescobrir.
Muitos “cegos” reclamam demais de tudo e de todos, porém nunca mudam. Por que será? A explicação é que, na verdade, elas NÃO QUEREM MUDAR. Querem que tudo mude ao seu redor, mas uma mudança substancial em suas vidas não faz parte do seu querer. Por isso continuam sem enxergar claramente a realidade.
Afinal, “quando a gente não quer, qualquer desculpa serve...”.