quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Arrisque-se, morra ou ria...!


Se quisermos saber onde dorme a liberdade, olhemos para o risco. A pessoa que corre riscos é livre. Corra o risco de amar. Para qualquer economista uma afirmação é uma verdade inquestionável, e essa pode ser tratada como universal. Não existe investimento seguro.

Evitar todos os envolvimentos, fechar-se com segurança no esquife de seu egoísmo seguro, sombrio, imóvel, sufocante, não mudará nada. Nada será quebrado... Alguém já disse que “o único lugar fora do céu onde você pode se manter perfeitamente seguro contra todos os perigos e perturbações é o inferno”.

Na verdade ser livre é isso: Correr riscos! Corra o risco de amar. Corra o risco de perdoar. Corra o risco de mudar... Corra o risco de caminhar ao lado de Deus. E isso não é fácil ou simples. Por isso a liberdade é uma virtude singular. Para tê-la é preciso coragem. Não a dos guerrilheiros, não a dos belicosos, não a dos estóicos, mas possivelmente a dos mais humanos homens. Lembro-me da afirmação de Boff quando se refere a Cristo como um libertador: “Humano como Ele foi, só podia ser Deus mesmo...”.

Corra o risco de renunciar seu ego. Esse é o grande desafio da espiritualidade sadia. Lispector disse certa vez: “Só o que está morto não muda! Repito por pura alegria de viver: A salvação é pelo risco, Sem o qual a vida não vale a pena!”.

A maior experiência de liberdade é entregar a vida a Deus. Correr o risco de entregar a vida inteira para Deus é uma experiência pessoal e saborosa. Pena que o ego muitas vezes atrapalha essa liberdade... Quando o ego vence o risco, tudo é mais aprisionado.

O risco de chorar parece ser o risco de parecer sentimental. O risco de estender a mão parece o risco de se envolver. O risco de expor os sentimentos parece o risco de mostrar quem somos de verdade. O risco de defender sonhos e idéias parece ser o risco de perder pessoas. O risco de amar parece ser o risco de não ser correspondido. O risco de tentar parece ser o risco de fracassar. O risco de viver parece ser o risco de morrer.

O chamado de Jesus tem reivindicações muito difíceis, mas ao mesmo tempo libertadoras: “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram”. Livro de Mateus, capitulo 7, versos 13 a 14. Já Senega, 55 anos antes de Cristo já recomendava: “Rir é correr o risco de parecer tolo.

Assim, o maior perigo da vida é não arriscar nada. Muitas pessoas não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada. No objetivo de evitar sofrimentos e desilusões, mas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam nada, não crescem nada, não amam ninguém, não vivem a vida. Preciso terminar esta reflexão te dizendo: Arrisque-se, morra ou ria...!