domingo, 19 de setembro de 2010

Holos



O termo tão conhecido como “holístico” vem do grego
Holos e significa "totalidade". Hoje no Brasil, existem educadores que, ancorados nessa palavra, sugerem uma proposta de ensino que considere não apenas o corpo e o intelecto, mas também a espiritualidade e a alma, defendidas por eles como dimensões intrínsecas ao ser humano. Desde a Grécia Antiga, a totalidade do ser já era levada em consideração.

Segundo Rudolf Steiner, em seu tratado de antroposofia “A Ciência Oculta”, foi no ano de 869 que a Igreja Católica no Concílio de Constantinopla estabeleceu o dogma de que o ser humano é formado apenas de corpo e da alma, tendo-se eliminado o espírito de sua constituição. Estabeleceu-se, ainda, que a alma tinha algumas características espirituais. Para Steiner, esse foi um dos motivos da cisão da Igreja Ortodoxa, que continuou a encarar o ser humano como “tri-membrado”. Historicamente, até hoje, isso leva muitas pessoas a confundirem alma com espírito, ou achar que tudo é a mesma coisa...

Por esse motivo, estando ausente do vocabulário oficial da Igreja Católica que, até há alguns séculos, ditava no ocidente os costumes e conceitos ligados à espiritualidade, a palavra espírito passou a ter múltiplas conotações. Mas, a partir de Descartes, houve uma fragmentação da realidade em corpo e alma, o que incentivou o desenvolvimento de linhas mais materialistas. Esse modelo “Cartesiano” começou a ser questionado no século XX, com estudos sugerindo a retomada da visão integral do homem e a valorização daquilo que os cartesianos haviam abandonado e a igreja negligenciado...
Chegou-se a essa tecnologia moderna, avançada, que ninguém pode descartar, mas hoje é fundamental e inquestionável a retomada a unidade perdida. Não se trata de voltar atrás, mas de dar um novo passo em direção ao ser humano.
Entende-se que assim, sendo o ser humano um co-criador de instituições sociais (grupos, empresas, associações, sociedades, países e etc.), esse faz dessas a imagem e semelhança de sua estrutura mais sutil e espiritual. Muitas dimensões do ser foram suprimidas em prol do desenvolvimento material que, possivelmente gerou uma sociedade excludente. Dois terços da humanidade não podem consumir a tecnologia e a ciência que é produzida.
Surge então uma reflexão interessante.
De acordo com alguns educadores, dentro da educação existe uma pergunta que parece óbvia, mas não é: “O que é educar?”. Educar depende da concepção que ser humano tem dele mesmo; se ela é estreita, sua maneira de educar será igualmente estreita...
A proposta “Holística”, “Quântica”, ou “Complexa” ainda choca a tradição universitária, que está acostumada ao saber positivo, entretanto é preciso lembrar que a psicologia positiva não depõe contra isso. Embora a metodologia científica seja necessária, precisamos reconhecer também a complexidade da condição humana, e assim trilhar o caminho pedagógico para desenvolvimento da inteligência espiritual deste que se encontra em crise: O Ser Humano.