sábado, 21 de agosto de 2010

Tolerantes ou tolerados?

Vista como a capacidade que o ser humano tem de aceitar uma atitude diferente de uma pessoa ou grupo social, a tolerância é também uma atitude pessoal e comunitária diante dos valores diferentes daqueles adotados pelo outro.

A palavra tolerância vem do latim tolerare (que significa sustentar, suportar), que denota atitude de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física. Diante disso, surge em nosso cotidiano pós-moderno a inegável necessidade de sermos mais, ou menos, tolerantes. Ou quem sabe, no nosso senso de justiça tão limitado pela nossa natureza, termos a consciência de quem realmente somos.

Partindo deste pensamento, o ser humano percebe-se diante da necessidade de tolerar o que não quer ou o que não concorda. Entretanto, a intolerância nem sempre é um erro. Mesmo porque algumas coisas devem ser repudiadas. Ainda é possível considerar algumas coisas como toleráveis, que apesar de desprezíveis e frívolas, exigem atitude de paz.

Contudo, para não corrermos o risco de sermos conformados ante uma atitude pacífica, é necessário transformar essa ação em uma atitude de superação diante daquilo que não se pode mudar, refletindo até onde se pode assumir a responsabilidade da mudança. Alguém já disse que “tolerar é assumir responsabilidades”. Transferir a responsabilidade para o outro, não se trata mais de tolerância, mas de egoísmo e indiferença.

Quais são os limites, então? É possível que este seja determinado pela ameaça da Liberdade, da Paz, da Segurança e Sobrevivência. Para tanto, tudo aquilo que causa sofrimento, injustiça ou opressão ao outro precisa e deve ser combatido, nunca tolerado.

Nos séculos XVI e XVII, o tema da tolerância ganhou força nos EUA por parte do fundamentalismo religioso e hoje está relacionado a uma cultura política liberal que trata de uma relação entre diferentes, quando esta faz com uma diferença relevante. Um preconceituoso, por exemplo, não deve apenas exercitar a tolerância, mas superar o preconceito.

Considerando a psicologia do ego, nas antipatias e aversões indisfarçadas que as pessoas sentem por estranhos com quem tem de tratar, pode-se identificar a expressão de amor a si mesmo. Esse amor a si mesmo trabalha para a preservação do individuo, que se comporta como se a critica fosse uma exigência de sua alteração. A essência do conflito do ser humano com o outro atravessa tanto o processo civilizatório quanto o desenvolvimento pessoal, fazendo com que o estranho que o sujeito quer eliminar se transforme no adversário que precisa ser eliminado socialmente, ou pela idéia de que o homem mantém com seu próximo a mesma relação de ódio que sustenta consigo mesmo.

A expressão mais autentica da tolerância é de constituir uma espiritualidade que supere o fanatismo, o preconceito, o dogmatismo, o fundamentalismo, e que se manifeste como uma profunda expressão de amor pela verdade encontrada com o outro. Com isso, somos convidados a observância do nosso contexto pensando: Somos os tolerantes ou os tolerados da nossa história?