segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Alexandre chorou...



Alexandre “O Grande” como conquistador macedônico, construiu com pouco mais de trinta anos o maior império de sua época. Ele assumira o trono de seu pai em 336 a.C. e aos 32 anos já havia conquistado todo o mundo. Sua campanha militar durou 12 anos e levou-o, e ao seu exército, a 15 mil quilômetros de distância da macedônia, até o Rio Indo, na Índia.
Diz-se que quando Alexandre contemplava seu império, ao final de uma grande campanha, chorou, porque não havia mais nada a ser conquistado... Entretanto, seu vasto domínio não sobreviveu à sua morte, vindo depois a fragmentar-se em três grandes blocos centralizados na Grécia, Egito e Síria, controlados por seus antigos generais. A pretensão singular de Alexandre era compreensível para sua época, pois os valores de um ser humano estavam alicerçados nos reinos e terras que ele “conquistava”.
Lembrei-me de uma lenda que conta da ocasião em que o grande imperador Julio Cesar, em Cadiz na Espanha, por volta do ano 63 a.C., período em que servia como questor (o primeiro passo na hierarquia política da Roma Antiga), chorou diante da lembrança do conquistador macedônio, pelo fato de Alexandre com mesma idade que ele já ter conquistado um fabuloso império. A pretensão de Cesar não era descabida, pois foram confirmadas posteriormente por suas conquistas.
Não obstante para mim, o choro mais emblemático de um grande conquistador foi o de Jesus diante das portas de Jerusalém. Diz o texto do livro de Lucas: "E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! Se tu conhecesses também, ao menos neste dia, o que à tua paz pertence! Mas, agora, isso está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todas as bandas, e te derribarão, a ti e a teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo de tua visitação”. (Lc 19: 41-44).
Sabemos que comparações são inevitáveis diante daquilo que temos e que devemos conquistar. Para tanto, talvez o primeiro passo seja reconhecer as nossas limitações e em que elas podem impedir as nossas conquistas. Por sua vez, a grande diferença entre Alexandre, Julio Cezar e Jesus é o fato de que Jesus buscava conquistar pessoas e não as terras ou reinos. O choro do Cristo diante de Jerusalém foi pelo coração duro das pessoas, que não estavam sensíveis a um projeto anunciado por Ele. Projeto de uma vida vivida com mais VIDA.
Em nossos projetos futuros, nossas conquistas postuladas, nosso choro virá mais cedo ou mais tarde... A característica comum a todos os grandes conquistadores é que eles têm um plano bem elaborado, um projeto possível, objetivos e metas bem definidos. Entretanto, a pergunta diante de nossas fragilidades é se também temos interesse no coração das pessoas... Estes quase sempre os mais difíceis a serem conquistados...
O projeto de Alexandre, como vimos, durou cerca de 250 anos, o de Júlio Cezar cerca de 500 anos, o de Jesus dura há mais de 2000 anos. Faça sua escolha por conquistar pessoas, além de ser mais desafiante, é o que te fará eterno!

sábado, 21 de agosto de 2010

Tolerantes ou tolerados?

Vista como a capacidade que o ser humano tem de aceitar uma atitude diferente de uma pessoa ou grupo social, a tolerância é também uma atitude pessoal e comunitária diante dos valores diferentes daqueles adotados pelo outro.

A palavra tolerância vem do latim tolerare (que significa sustentar, suportar), que denota atitude de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física. Diante disso, surge em nosso cotidiano pós-moderno a inegável necessidade de sermos mais, ou menos, tolerantes. Ou quem sabe, no nosso senso de justiça tão limitado pela nossa natureza, termos a consciência de quem realmente somos.

Partindo deste pensamento, o ser humano percebe-se diante da necessidade de tolerar o que não quer ou o que não concorda. Entretanto, a intolerância nem sempre é um erro. Mesmo porque algumas coisas devem ser repudiadas. Ainda é possível considerar algumas coisas como toleráveis, que apesar de desprezíveis e frívolas, exigem atitude de paz.

Contudo, para não corrermos o risco de sermos conformados ante uma atitude pacífica, é necessário transformar essa ação em uma atitude de superação diante daquilo que não se pode mudar, refletindo até onde se pode assumir a responsabilidade da mudança. Alguém já disse que “tolerar é assumir responsabilidades”. Transferir a responsabilidade para o outro, não se trata mais de tolerância, mas de egoísmo e indiferença.

Quais são os limites, então? É possível que este seja determinado pela ameaça da Liberdade, da Paz, da Segurança e Sobrevivência. Para tanto, tudo aquilo que causa sofrimento, injustiça ou opressão ao outro precisa e deve ser combatido, nunca tolerado.

Nos séculos XVI e XVII, o tema da tolerância ganhou força nos EUA por parte do fundamentalismo religioso e hoje está relacionado a uma cultura política liberal que trata de uma relação entre diferentes, quando esta faz com uma diferença relevante. Um preconceituoso, por exemplo, não deve apenas exercitar a tolerância, mas superar o preconceito.

Considerando a psicologia do ego, nas antipatias e aversões indisfarçadas que as pessoas sentem por estranhos com quem tem de tratar, pode-se identificar a expressão de amor a si mesmo. Esse amor a si mesmo trabalha para a preservação do individuo, que se comporta como se a critica fosse uma exigência de sua alteração. A essência do conflito do ser humano com o outro atravessa tanto o processo civilizatório quanto o desenvolvimento pessoal, fazendo com que o estranho que o sujeito quer eliminar se transforme no adversário que precisa ser eliminado socialmente, ou pela idéia de que o homem mantém com seu próximo a mesma relação de ódio que sustenta consigo mesmo.

A expressão mais autentica da tolerância é de constituir uma espiritualidade que supere o fanatismo, o preconceito, o dogmatismo, o fundamentalismo, e que se manifeste como uma profunda expressão de amor pela verdade encontrada com o outro. Com isso, somos convidados a observância do nosso contexto pensando: Somos os tolerantes ou os tolerados da nossa história?