domingo, 18 de julho de 2010

O consumismo e o nosso abono...


O mundo tem provado de mudanças de ordem estrutural que promovem marcas no campo sócio-econômico principalmente desde os anos 80. Com isso, a cultura tem sido moldada pela dinâmica e preocupações ligadas ao consumo e a sustentabilidade. O ser humano orientado por suas ações de acordo com os símbolos, normas, valores e tradições culturais vem tecendo seus valores e significados no registro da história das civilizações.

Parece que a Gula, que na idade média foi um “pecado capital” de grande valia para os interesses da igreja católica, hoje, reveste-se como um pecado pós-moderno na imagem de um consumismo exacerbado do descartável. Pecado esse, que tem ajudado o ser humano a ser mais viciado que nunca. Claro, o vício é o oposto da virtude... Então...

A produção cultural é consumida com dinâmicas diferentes... Às vezes essa se torna frívola para as próximas gerações, ou seja, insustentável. A “velocidade” faz com que a humanidade viva cada momento como sendo de profundas transformações e isso tem afetado as relações humanas, dando espaço para o surgimento de novos e necessários paradigmas de ética e valores.

Entretanto, não se pode fugir da realidade tecnológica e de informação, tão necessária para a contextualização do indivíduo. Buscar a restrição deste consumo atual seria o mesmo que negar a dinâmica do presente e promover um movimento social ascético, algo semelhante ao que os monges europeus fizeram no passado. Os chamados “luxos” fazem parte da vida de todos... Ainda mais quando esses se tornam necessidades. Logo, não adianta fugir.

Contudo, pode-se dar uma nova ênfase na necessidade de uma mudança radical nos padrões culturais de consumo dominantes. Adotar uma nova atitude de renunciar o consumismo agressivo e abraçar uma nova consciência voltada para uma cultura de sustentabilidade é algo que parece inevitável para o desenvolvimento cultural.

A modificação do modelo de consumo atual envolve questões que vão além da adoção de novas tecnologias ou de políticas governamentais, e passam por uma transformação de mentalidade, que atravessa o abandono da lógica newton-carteziana (baseada em um domínio ilimitado do homem sobre a natureza) e que adota a consciência de que somos mordomos da criação.

A totalidade do ser humano passa pela consciência de que ele depende do todo para existir. Afinal, necessita-se já de uma consciência de sustentabilidade que atraia pessoas, independente de suas convicções, e que garanta o compromisso de criar uma comunidade que apesar de seu modo consumo, abone a existência das produções culturais futuras...