segunda-feira, 12 de julho de 2010

Homo Ludens

Diante do pensamento complexo, em que o ser humano é visto como um todo integral, podemos relembrar a idéia de Morin de que o Homo Sapiens-Sapiens também é Sapiens-Demens. Mas sem dúvida nestes dias de “Copa do Mundo” detectamos a mais pura expressão do que podemos conhecer como Homo Sapiens-Ludens... O “Homem Lúdico” faz nesse tempo de competições globalizadas, seu sentimento de competição e disputa aflorar na alma. Parece que se volta a sentir aquele sentimento de quando se corre de bicicleta e se disputa uma partida de xadrez ou de “palitinho”.

Possivelmente, o ludens não só criou o jogo, a brincadeira, mas também a guerra. Isso faz de alguns vencedores e de outros perdedores. Afinal, essa é uma das marcas da humanidade: A disputa. Entretanto, o que faz de alguém ser um vencedor e outro não?

Tenho a absoluta certeza que o Barão de Coubertin estava errado quando dizia: “O mais importante é competir...”. Na verdade, ninguém entra em uma disputa para perder. Entra-se em uma competição para ganhar, seja qual for ela. Mais do que em outras épocas, em tempos de Coubertin, perder é sinônimo de fracasso, incompetência. A dinâmica social moderna procura e exige o vencedor, valoriza a ousadia, estimula o risco, e o ímpeto.

Mas ser um vencedor é sinônimo de ser um corajoso? O que não parece ser uma verdade, é que a coragem, que pode servir para tudo, tanto para o bem como para o mal, não quer dizer necessariamente vitória. Nem sempre aquele que vence é o que possui tal qualidade.

Esta virtude parece ser a fundação dos nossos objetivos. Enfrentar os riscos de se atingir um objetivo maior, é enfrentar o medo, a tomar decisões e a agir. Ter coragem não é viver sem medo, nem ser impetuoso diante das adversidades, mas é arriscar-se por uma causa maior ou mesmo tomar a decisão de se preservar.

A simplicidade do corajoso está no limiar entre a ousadia e a prudência. Jesus disse certa vez: “Sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mateus 10:16). Talvez estivesse dizendo para sermos corajosos!

O medo do fracasso, da derrota, está no fato de que queremos ter o controle de tudo, do outro, dos resultados, das ações. Isso faz com que o sentimento de culpa ganhe um novo sentido. Pois aprendemos que não temos o controle de nosso sucesso ou fracasso.

Quando nos damos conta de que no jogo da vida, em meio às exigências de superar as nossas fragilidades, em face à competitividade, descobrimos que as oportunidades não são iguais para todos. Aí, precisamos correr o risco inevitável da disputa.

No entanto, a verdadeira coragem está no fato de que podemos seguir em frente, apesar de todas as coisas, na certeza de que o melhor pra nossa vida ainda não aconteceu... Deus sabe disso. Coragem!