sexta-feira, 30 de julho de 2010

Liderando pessoas inteligentes


Podemos delinear a diferença entre um chefe e um líder com alguns exemplos práticos. Para tanto, acreditamos que o grande líder, em alguns momentos também veste a persona de um chefe, e são muitas outras qualidades que fazem a grande diferença no momento de ser eficaz. Uma das qualidades para se considerar grande líder, é um eterno desejo de ser um líder eficaz.

Você, por exemplo, já trabalhou ou atua em alguma organização, grupo ou comunidade que o tipo de liderança entende que a responsabilidade pelas mudanças no ambiente nunca é sua, e sim de quem está acima? Sempre comunica o que precisa ser comunicado, e pronto... Esse líder procura sempre ser camarada e estar do lado dos liderados... Tem presença marcante em festas, almoços, jantares, confraternização e outras animações. Nunca contraria as vontades coletivas dos liderados e procura saber como anda o seu prestígio entre eles. Ele sabe usar a energia e o entusiasmo para convencer a sua audiência, fala tudo que acontece e o que a equipe quer ouvir, mas quase ninguém dá a mínima para o que ele diz e quase nada acontece. Esse é um líder eficaz?

Bem, esses líderes não costumam cuidar bem dos processos, daí a área que dirige passa a ser desorganizada, assim, todos tentam resolver tudo e quase ninguém se entende. A comunicação passa a ser um ruído numa rapidez tremenda...

O grande problema com o líder que sabe comunicar bem as mudanças, mas não tem muita disposição para mudá-las, é que o insucesso é sempre culpa dos outros e as boas idéias são sempre suas.

Para evitar o pecado de estar “acima do bem e do mal” e ser um líder amigo da eficácia, esse deve, em primeiro lugar, explicar detalhadamente o que ele pretende, considerando que as pessoas inteligentes desejam entender a razão das mudanças. Em segundo lugar, o líder eficaz deve usar de conhecimento e não de hierarquia, considerando que as pessoas inteligentes não se impressionam com títulos. Em seguida, o líder eficaz deve dizer o que fazer, mas não como quer que seja feito, considerando que as pessoas inteligentes gostam de ser desafiadas, encontrando os seus próprios caminhos e se sentindo úteis. Por fim, o líder eficaz deve identificar os talentos esquecidos e as velhas receitas, considerando que a experiência do passado também tem seu valor, independente dos títulos do presente.

Assim, podemos compreender que o grande líder sempre será um bom comunicador, mas nem todo bom comunicador será um grande líder. O grande líder além de comunicar, educa. Na verdade, todas as pessoas precisam ser ensinadas e não apenas comunicadas, principalmente se elas forem seus liderados mais inteligentes... Então, eduque!



domingo, 18 de julho de 2010

O consumismo e o nosso abono...


O mundo tem provado de mudanças de ordem estrutural que promovem marcas no campo sócio-econômico principalmente desde os anos 80. Com isso, a cultura tem sido moldada pela dinâmica e preocupações ligadas ao consumo e a sustentabilidade. O ser humano orientado por suas ações de acordo com os símbolos, normas, valores e tradições culturais vem tecendo seus valores e significados no registro da história das civilizações.

Parece que a Gula, que na idade média foi um “pecado capital” de grande valia para os interesses da igreja católica, hoje, reveste-se como um pecado pós-moderno na imagem de um consumismo exacerbado do descartável. Pecado esse, que tem ajudado o ser humano a ser mais viciado que nunca. Claro, o vício é o oposto da virtude... Então...

A produção cultural é consumida com dinâmicas diferentes... Às vezes essa se torna frívola para as próximas gerações, ou seja, insustentável. A “velocidade” faz com que a humanidade viva cada momento como sendo de profundas transformações e isso tem afetado as relações humanas, dando espaço para o surgimento de novos e necessários paradigmas de ética e valores.

Entretanto, não se pode fugir da realidade tecnológica e de informação, tão necessária para a contextualização do indivíduo. Buscar a restrição deste consumo atual seria o mesmo que negar a dinâmica do presente e promover um movimento social ascético, algo semelhante ao que os monges europeus fizeram no passado. Os chamados “luxos” fazem parte da vida de todos... Ainda mais quando esses se tornam necessidades. Logo, não adianta fugir.

Contudo, pode-se dar uma nova ênfase na necessidade de uma mudança radical nos padrões culturais de consumo dominantes. Adotar uma nova atitude de renunciar o consumismo agressivo e abraçar uma nova consciência voltada para uma cultura de sustentabilidade é algo que parece inevitável para o desenvolvimento cultural.

A modificação do modelo de consumo atual envolve questões que vão além da adoção de novas tecnologias ou de políticas governamentais, e passam por uma transformação de mentalidade, que atravessa o abandono da lógica newton-carteziana (baseada em um domínio ilimitado do homem sobre a natureza) e que adota a consciência de que somos mordomos da criação.

A totalidade do ser humano passa pela consciência de que ele depende do todo para existir. Afinal, necessita-se já de uma consciência de sustentabilidade que atraia pessoas, independente de suas convicções, e que garanta o compromisso de criar uma comunidade que apesar de seu modo consumo, abone a existência das produções culturais futuras...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Homo Ludens

Diante do pensamento complexo, em que o ser humano é visto como um todo integral, podemos relembrar a idéia de Morin de que o Homo Sapiens-Sapiens também é Sapiens-Demens. Mas sem dúvida nestes dias de “Copa do Mundo” detectamos a mais pura expressão do que podemos conhecer como Homo Sapiens-Ludens... O “Homem Lúdico” faz nesse tempo de competições globalizadas, seu sentimento de competição e disputa aflorar na alma. Parece que se volta a sentir aquele sentimento de quando se corre de bicicleta e se disputa uma partida de xadrez ou de “palitinho”.

Possivelmente, o ludens não só criou o jogo, a brincadeira, mas também a guerra. Isso faz de alguns vencedores e de outros perdedores. Afinal, essa é uma das marcas da humanidade: A disputa. Entretanto, o que faz de alguém ser um vencedor e outro não?

Tenho a absoluta certeza que o Barão de Coubertin estava errado quando dizia: “O mais importante é competir...”. Na verdade, ninguém entra em uma disputa para perder. Entra-se em uma competição para ganhar, seja qual for ela. Mais do que em outras épocas, em tempos de Coubertin, perder é sinônimo de fracasso, incompetência. A dinâmica social moderna procura e exige o vencedor, valoriza a ousadia, estimula o risco, e o ímpeto.

Mas ser um vencedor é sinônimo de ser um corajoso? O que não parece ser uma verdade, é que a coragem, que pode servir para tudo, tanto para o bem como para o mal, não quer dizer necessariamente vitória. Nem sempre aquele que vence é o que possui tal qualidade.

Esta virtude parece ser a fundação dos nossos objetivos. Enfrentar os riscos de se atingir um objetivo maior, é enfrentar o medo, a tomar decisões e a agir. Ter coragem não é viver sem medo, nem ser impetuoso diante das adversidades, mas é arriscar-se por uma causa maior ou mesmo tomar a decisão de se preservar.

A simplicidade do corajoso está no limiar entre a ousadia e a prudência. Jesus disse certa vez: “Sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mateus 10:16). Talvez estivesse dizendo para sermos corajosos!

O medo do fracasso, da derrota, está no fato de que queremos ter o controle de tudo, do outro, dos resultados, das ações. Isso faz com que o sentimento de culpa ganhe um novo sentido. Pois aprendemos que não temos o controle de nosso sucesso ou fracasso.

Quando nos damos conta de que no jogo da vida, em meio às exigências de superar as nossas fragilidades, em face à competitividade, descobrimos que as oportunidades não são iguais para todos. Aí, precisamos correr o risco inevitável da disputa.

No entanto, a verdadeira coragem está no fato de que podemos seguir em frente, apesar de todas as coisas, na certeza de que o melhor pra nossa vida ainda não aconteceu... Deus sabe disso. Coragem!