quinta-feira, 17 de junho de 2010

Perfeccionismo – uma ingrata virtude



Voltaire disse certa vez que “a perfeição é alcançada a partir de pequenos e calmos passos. Requer, sobretudo, a mão do tempo”. Certamente a busca pela perfeição e o desejo da tranqüilidade plena são incompatíveis e conflitantes. Sempre queremos resolver da melhor maneira aquilo que pode ser melhor do que o que temos no presente, e isso parece, como disse semana passada em meu texto, nos encaixar numa batalha perdida.


Muitos de nós deixamos de estar felizes e gratos pelo que conquistamos para nos fixarmos no desejo de reparar o que está torto, incompleto. Entretanto, quando por certo atingimos a “perfeição” ficamos insatisfeitos.


Ser perfeccionista é possivelmente ter uma ingrata virtude, pois a prática desta tem levado, na historia da humanidade, pessoas imperfeitas a frustração. Por não saberem lidar com o limite, tornam-se pessoas descontentes consigo e com os outros, durante muito tempo. Seja um guarda-roupa desarrumado, uma ambiente de trabalho desorganizado, um carro arranhado, uma tarefa mal feita, uma “gordurinha a mais ou a menos, ou um nariz meio torto, esses podem tirar a paz de muitos perfeccionistas durante anos.


Existem também as dificuldades com as imperfeições dos outros. O incômodo com suas vidas e a vontade de “concertá-las” diante da necessidade de ver tudo “certinho” na vida deles. Essa ênfase na imperfeição pessoal e imperfeição alheia é um grande anteparado para o alcance dos objetivos de nossas relações. A simpatia e a gentileza ficam aquém do necessário para paz.


Bem, contudo, não devemos nunca afirmar que precisamos deixar de fazer o melhor que podemos, de buscar a melhoria pessoal e de galgarmos a excelência na vida. Entretanto, a melhor estratégia a ser adotada nesses casos, porventura seja desviar o olhar excessivo das coisas imperfeitas da vida. Se levarmos em conta a “mão do tempo” aprenderemos que podemos apreciar a maneira como as coisas são no momento presente, até que os “passos pequenos” nos levem a perfeição.


Assim, o grande desafio do perfeccionista é lembrar, com tranqüilidade, que a vida pode estar bem como esta agora, pois poderia estar pior. Arrefecer o julgamento perfeccionista pode mudar tudo. Se a obsessão pela perfeição em todas as áreas da vida se acalma, cria-se a tranqüilidade para descobrir que a perfeição acontece nas coisas mais simples da vida.

Experimentemos!