domingo, 23 de maio de 2010

“Era uma vez” Heróis e Aprendizes...


Não somos educados para enfrentar os finais infelizes... Ou transformar a adversidade em oportunidade. “Finais felizes” são frutos de uma pedagogia americana, onde na arte ocidental, recheou mais recentemente os desenhos animados de Disney, o cinema americano, e outros segmentos do gênero, apesar da idéia de que os heróis americanos, mesmos resolvendo todos os problemas são sempre solitários. Herói americano é sempre infeliz no amor...




Assim, somos vítimas de um universo lúdico que permeia o nosso imaginário e nossa espiritualidade desde a infância com uma idéia singular de felicidade. Esse universo sempre começava com “era uma vez” e terminavam com o “e foram felizes para sempre”. Se de um lado, construiu-se uma noção de desejos e aspirações ligados a uma realidade da qual não se toma parte, por outro, o ideal de uma vida feliz e de realizações nos relacionamentos se encontram muito distantes da realidade de muitos.
Para tanto, alimenta-se um ser humano com sonhos e esperança de um mundo perfeito em que todas as dificuldades são superadas apenas pelo fantástico e mágico... A própria relação a dois é nutrida por um ingênuo desejo de uma vida feliz a partir da realização dos sonhos, que em um dado momento, como que por encanto, seriam finalmente consumados em uma vida sem problemas num mundo de fantasias.
O problema é que as histórias terminavam aí, e ninguém se arrisca muito a falar do que vem depois. Os desafios a serem vencidas, as perdas comuns e incomuns, os questionamentos da relação, a tolerância da convivência, as necessárias divergências, e as redescobertas constantes não são lembradas. Quais seriam as possibilidades para outros finais possíveis?
A idéia de “ser feliz para sempre” pode ter o sentido de que é possível construir a felicidade a partir de vidas unidas em torno de um mesmo sonho e de muitas responsabilidades partilhadas. Não é fácil, mas é possível.
A maior oportunidade nesta caminhada surge quando além da felicidade se enxerga o amadurecimento pessoal, que se soma a realização do que é possível realizar dia a dia. Curiosamente, a maioria dos nossos problemas está ligada aos relacionamentos afetivos, e eles ganham a dimensão relevante exatamente porque nos machucamos e magoamos muito mais, justamente com quem mais amamos. É o famoso conflito entre o que eu quero e o que eu posso, tanto para mim quanto para o outro. Seria por isso que os heróis americanos são solitários?
Ser feliz consiste no fato de que vidas se habilitam a começar juntos, sem que isso seja uma ameaça para a sua individualidade e do outro, sem violar o seu direito e do outro de serem felizes. Não quero ser herói americano. Quero ser um aprendiz. Quero aprender com qualquer final e ser feliz apesar de como terminem. Afinal, não nascemos prontos. A vida é resultado de aprendizagem.
Poderíamos contar então que: Era uma vez erros e acertos, fracassos e sucessos que nos tornaram capazes de continuar tentando, e de tentar de novo até construirmos a chance de recomeçar e viver o nosso final sempre feliz, apesar de... Que tal?