quinta-feira, 8 de abril de 2010

Ser mais Reino que “clube”...

Vivemos em um tempo marcado por um descrédito nas instituições religiosas e uma valorização da diversidade e de alternativas místicas. De fato, existe uma necessidade de reflexão sumária, que ainda perde terreno para os enrugamentos das intocáveis tradições...

Como diz Cortella: “Não há lugares marcados no futuro, a menos para quem se prepara para ele...” E ainda afirma: “Afaste-se de gente velha, que acha que só ela está certa, e aproxime-se de gente idosa, que se renova...”. A igreja está preparada para o futuro? Será que a igreja é “gente velha”?

Na verdade, a Igreja precisa apresentar mudança, principalmente quantos aos métodos em uma época em constante evolução. Atualmente, fica claro que a novidade não é a mudança, mas a velocidade dela. Trazer à luz idéias que nos confrontam acerca da relação que pode ser estabelecida entre evangelho e cultura, igreja e mundo, é algo que urge em ser humano fragmentado na busca pelo sagrado.

A pergunta para a Igreja é: Como ser relevante?

Alguém já disse que ter relevância espiritual não é “ter a concordância de todos a sua volta, mas fazer com que suas expressões de fé sejam como um maná fresco e doador de vida para hoje”.

A voz da mensagem de Cristo está em descrédito no mundo ocidental, o qual ela ajudou a construir. Temos um ser humano que não vê confiança na voz que por dois mil anos usou e abusou da mensagem de ressurreição, que, aliás, é a marca da Criação. Claro! Identificamo-nos com aqueles que têm a capacidade de se reinventar a todo instante, de ressurgir, de renovar, de inovar e ser vivo... Sem a alienação cultural. A descoberta de um Deus que fala hoje, só é possível pela inserção das pessoas que confiam e acreditam nessa possibilidade em sua própria cultura. Nossa vocação nos chama para viver essa tensão de viver a fé em nosso tempo.

Se resgatarmos a nossa capacidade de contemplação e a nossa competência em educar as realidades desfavorecidas para a vida plena, nos tornaremos participantes do Reino de Deus, o que se manifesta através dos relacionamos que construímos, e não nas práticas religiosas e manutenção das tradições.

Infelizmente, de agentes de transformação, muitos passam a ser freqüentadores de clubes religiosos. Servem-se da instituição, mas não servem para o Reino de Deus. Já a instituição necessitam dos seus membros. Logo, ambos se alimentam um ao outro...

O Reino de Deus só se constrói a partir de valores e ações que são compartilhados, na medida em que as pessoas são encorajadas a conviverem e a cooperarem entre si, dentro e fora dos portões institucionais. Isso não é religiosidade, mas deve estar presente na religião e na vida.

Hoje, o grande desafio da instituição Igreja é esse: Ser mais Reino que “clube”... Ter a competência de, mesmo diante do descrédito, derrubar os obstáculos que têm apartado as pessoas de um Deus que as ama. Essas pessoas sempre estarão sensíveis à Espiritualidade de Cristo, mas atualmente se mostram indiferentes à religião sistematizada...