domingo, 11 de abril de 2010

O quase tudo...

Alguém me disse certa vez: Fábio, o dinheiro não é tudo, mas é quase tudo! Bem, o dinheiro é sempre objeto de discussões no que tange a sua importância na vida humana. O dinheiro é aquilo que para muitos traz felicidade, para outros tribulação, para alguns conforto e poder, para outros guerra e divisão. Muitos o adoram ante aos que o desprezam, mas todos concordam que dependem dele... Há, entretanto, uma verdade inquestionável para a realidade atual. A certeza de que ninguém vive sem dinheiro, porém, ele não compra tudo...

A palavra dinheiro vem do latim denarius, moeda de prata que valia dez asses, uma tradicional moeda de cobre. Por ser a moeda mais utilizada em Roma, tanto no Império quanto na República, o nome adquiriu valor genérico e passou a designar qualquer espécie de meio circulante. Do italiano vem o termo denaro que chegou até o árabe, que, em contato com os povos da Península Ibérica, importou a forma dinar. No fim da Idade Média, Portugal e Espanha chegaram a cunhar dinheiros de prata, e é por isso que nas traduções mais antigas do Novo Testamento para nosso idioma, Judas não vende Jesus por trinta moedas de prata, mas por "trinta dinheiros".

Porque será que existem pessoas que têm muito dinheiro e não são felizes, realizadas, amadas, fraternas? A pergunta então seria: Dinheiro é essencial?

Seguindo uma reflexão sobre o que é essencial para os seres humanos, podemos afirmar que existem coisas na vida que são essenciais e outras que são fundamentais. Trazer sentido para esta afirmação pode ser um caminho para trazer sentido para vida. Segundo o pensamento de Mario Cesar Cortella, o essencial é aquilo que não se pode viver sem, não se pode arrancar da vida humana, não se pode faltar imperativamente na essência de sua vida. O que não pode não existir. A amizade, lealdade, amor, sexualidade, fraternidade, liberdade são essenciais para a vida humana…

Já por outro lado, existem as coisas que são fundamentais, e essas são aquelas de dão “base”, dão “fundamento”, alicerçam para chegar ao essencial. São os degraus a subir, os sonhos a realizar, os desafios a vencer, os obstáculos a transpor, as oportunidades que não se pode deixar escapar. Não tê-los é dificultar muito as coisas. Mas tê-los, em si, não é o suficiente.

A carreira, por exemplo, é fundamental. Porém, de nada adiantaria chegar ao topo se não se consegue a amizade, a fraternidade, o amor… O fundamental é apenas a escada para chegar ao essencial. Dinheiro, por exemplo, não é essencial. É fundamental.

O problema é a forma como se localiza o dinheiro na vida. Muitas pessoas estão confundindo o lugar das coisas. Elas colocam as coisas fundamentais no lugar das essenciais e as essenciais no lugar das fundamentais. A complicação começa quando estamos desorganizando a locação do que é essencial e fundamental para a vida. Todas as vezes que o fundamental é mais requisitado, valorizado e abraçado do que o essencial, a vida começa a ruir...

A reorganização necessária do lugar das coisas essenciais e fundamentais torna a nossa vida mais simples. A simplicidade nos leva a saborear o essencial de uma forma singular. Podem-se buscar formas mais simples de ter prazer, coisas que não envolvem dinheiro, mas relações. Tudo aquilo que faz com que a vida, apesar de curta, não seja pequena e sim relevante!

O dinheiro é tudo ou quase tudo para quem é quase organizado...