quinta-feira, 22 de abril de 2010

A capacidade de ver o “espírito das coisas”










A reflexão sobre a espiritualidade remonta aos tempos gregos dos grandes pensadores. A palavra grega pneuma refere-se ao Espírito, ou seja o “sopro” da vida, que foi empregada como uma metáfora para descrever o que está relacionado com o sobrenatural e ao imaginário, na perspectiva mitológica grega.

Essa analogia mostrava o “ar interno” como a fonte de toda a inspiração e pensamento, o princípio que dá sentido a todas as coisas. Desta mesma forma a Alma, como psyche, guardaria os sentimentos que estão presentes no corpo (físico, material) ao qual chamavam de Soma.

Segundo Rudolf Steiner, em seu tratado de antroposofia “A Ciência Oculta”, no ano de 869 a Igreja Católica no Concílio de Constantinopla estabeleceu o dogma de que todo ser humano é formado apenas de “Corpo” e “Alma”, tendo assim, eliminado o “Espírito” de sua constituição. Estabeleceu-se ainda que a Alma tinha algumas “características espirituais”. Segundo Steiner, esse foi um dos motivos da cisão da Igreja Ortodoxa em 1050, que continuou a encarar o ser humano como “tri-membrado”.

Por esse motivo, estando ausente do vocabulário oficial da Igreja Católica, que até a alguns séculos atrás ditava no ocidente os costumes e conceitos ligados à espiritualidade, a palavra “espírito” passou a ter múltiplas conotações.

Já na filosofia moderna, Descartes tratava do “espírito” como sendo o eu em si, que se opõe a corpo e matéria, uma vez que é indivisível e totalizante. Foi com Hegel que se passou a considerar a essência do “espírito” como liberdade, que se concretiza nas ações do homem, na família, na sociedade, no estado. O que se vê com isso tudo é que a noção de espiritualidade está ligada a um elemento comum que povoa a vida e o imaginário. A espiritualidade, de um modo geral, é essencialmente uma realidade presente no ser humano. A consciência existe e nos dá identidade, e é a espiritualidade que nos faz ter a capacidade de ver “o espírito das coisas”...

Assim, podemos afirmar que a questão da espiritualidade não é meramente religiosa. Ela está relacionada à subjetividade e à interioridade do ser humano. Sua vivência trata-se de uma reeducação de si, um desenvolvimento, um amadurecimento que nos leva à comunhão conosco mesmo, com o próximo, com a natureza, e com Deus. É neste desenvolvimento, nesta reeducação para com a vida, que a pessoa se abre para a construção de um novo sentido para as situações vividas, seu propósito existencial e sua resposta a significância pessoal.

A espiritualidade cristã se difere, diante de tantos conceitos sobre espiritualidade, pelo simples fato de que no seu eixo está a figura de um Deus Encarnado, alguém que mistura com a condição humana. Muito antes de a Igreja existir, o Cristo já resumia a ação do Pneuma em nossas ralações vividas em com amor.

Curiosamente, Jesus fala sobre de que maneira devemos nos reeducar espiritualmente, em simples palavras: “Amarás o Senhor teu Deus com toda alma, teu corpo e teu espírito. E semelhantemente, amarás o teu próximo (incluindo neste conceito o meio ambiente) como a ti mesmo. Desses dois mandamentos depende tudo”...

Que você tem feito com a reeducação de sua espiritualidade? Cuidado nas relações... Amadureça sua espiritualidade!