sexta-feira, 19 de março de 2010

Negociando desde o berço...


É melhor conhecer demasiadamente bem uma área específica ou ser capaz de se movimentar entre por todas, ainda que mais superficialmente? Quais características o mercado está buscando de um profissional atualmente? Essa é a velha questão entre o generalista e o especialista. Afinal, quem é mais necessário?

Na minha lembrança, o maior exemplo de um generalista é do deus romano Mercúrio, deus dos mercadores, dos negócios, da eloqüência, dos viajantes. Aliás, a palavra Mercúrio deriva da mesma raiz das palavras comércio, mercado e mercenário, do latim merx, ou mercadoria. Muitas vezes, Mercúrio (também chamado de Hermes pelos gregos) foi representado com uma bolsa em uma das mãos e, na outra um ramo de oliveira e uma clava, o primeiro, símbolo de paz, útil ao comércio, e o segundo, da força necessária ao tráfico.

Aprendemos a negociar desde o berço. Esta arte é intrínseca ao ser humano. Quem já não presenciou um recém nascido chorando para tomar leite, ou para que resolvam sua dificuldade? Existem estudos que apontam que aos seis meses de idade a criança aprende a mentir no choro para conseguir o que quer. Isso é de fato negociar!

Também recém nascido, Mercúrio fugiu do berço assim que sua mãe adormeceu. Ele tinha um plano, uma provocação em mente. Seu objetivo era roubar o rebanho real, que na madrugada, era pastoreado pelo deus Apolo. Mercúrio conseguiu tal façanha. Seu irmão Apolo levou-o à presença de Zeus e exigiu a devolução do rebanho. Sem sucesso, Zeus ordenou a ele que confessasse o roubo e devolvesse os animais.

Apolo pensou em negociar as vacas roubadas, trocando-as pelo instrumento musical de Mercúrio, a Lira. O deus dos negócios achou pouco para tal maravilha. Foi-lhe então oferecida uma varinha mágica que transformava o que tocasse em ouro. Apolo ganhou a lira e Mercúrio o caduceu, que se tornaria um de seus símbolos. Os dois irmãos se reconciliaram para sempre e tornaram-se inseparáveis. Mas mesmo perdoando o irmão, Apolo lhe deu o nome de rei dos ladrões, que o acompanhou por toda a história.

A multiplicidade das funções de Mercúrio era verdadeiramente extraordinária, e o mais ativo dos deuses chega muitas vezes se lamentar com tais palavras: “Desde o romper do dia, devo levantar-me para varrer a sala do banquete; depois, quando já estendi tapetes para a assembléia e pus tudo em ordem, preciso ir ao pé de Júpiter, a fim de levar ordens à Terra, como verdadeiro correio. Mal regresso, ainda coberto de pó, devo servir-lhe a ambrósia, e antes da chegada do escanção, era eu quem lhe dava o néctar. O mais desagradável, porém, é que, único entre os deuses, não fecho olho durante a noite, pois tenho de conduzir as almas a Plutão, levar-lhe os mortos e sentar-me ao tribunal. Os trabalhos do dia não têm fim; além de assistir aos jogos, de fazer o papel de arauto nas assembléias, de dar aulas aos oradores, encarrego-me, simultaneamente, de tudo quanto diz respeito às pompas fúnebres."

Lembrou de alguém? Bem, Mercurio é o generalista que toda equipe queria ter.

Se você já negociava desde o berço, atencão! Você pode estar fazendo uma grande falta em uma grande empresa ou em uma mudança necessária.