quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Niemeyer e Espiritualidade



Muitos acreditam que aqueles que se afirmam como “ateus”, não possuem espiritualidade. Outros acreditam ainda que espiritualidade é coisa dos religiosos... Foi quando conheci a Catedral Metropolitana de Brasília que descobri que muitos desses ateus declarados têm uma espiritualidade mais madura do que outros tantos religiosos...

Além de uma estética singular proposta em seu momento histórico, aquela obra arquitetônica traduz em seu partido plástico a expressão de adoração ao Deus Criador tão bem representada no “arvoramento ao Céu” de sua estrutura, simbolizando a relação de adoração do fiel cristão diante do seu Deus.

É na experiência de um passeio que vai do pátio externo até chegar ao ambiente interno na Catedral, que se descobre um caminho litúrgico do encontro do ser humano com Deus, testemunhado no espaço proposto pelo projeto. O fiel entra por um corredor estreito e escuro e, como que de repente, se depara com o ambiente da nave recheado de Luz a sua volta.

Diz o autor da obra arquitetônica: “Na Catedral de Brasília, por exemplo, evitei as soluções usuais das velhas catedrais escuras, lembrando pecado. E, ao contrário, fiz escura a galeria de acesso à nave, e esta, toda iluminada, colorida, voltada com seus belos vitrais transparentes para os espaços infinitos”. Que mística! Que Espiritualidade!

Esse mesmo ateu completou seus 103 anos na quarta-feira, dia 15, afirma que não acredita em uma Arquitetura ideal, insubstituível; somente em boa e má arquitetura. Afirma Gostar de Le Corbusier como de Mies van der Rohe, de Picasso como de Matisse, de Machado de Assis como de Eça de Queirós. Esse é Oscar Niemeyer... Um sábio do mundo.

Quando o jornalista Geneton Moraes Neto perguntou como ele definiria a vida, em uma só palavra, a resposta de Niemeyer foi: Solidariedade. Hoje quando penso no oficio de arquiteto não vejo só o profissional, mas vejo o ser humano que faz a espiritualidade resultar em espaços físicos. Devo parte deste pensamento ao mestre Oscar.

Por isso, se você for um ateu declarado, saiba que a sua espiritualidade pode ajudar o outro a mudar para melhor. Isso é uma Responsabilidade com a Solidariedade! Acredite. Não dá para fugir do Espiritual.

Disse Niemeyer certa vez: “A Solidariedade justifica o curto passeio da vida”. (...) “É tolice dizer que as coisas são imutáveis. Tudo pode ser mudado. Só aquilo no qual acredito e certas convicções permanecem as mesmas”. (...) “Acho muito bom a pessoa se recolher e ficar pensando em si mesma, conversando com esse ser que tem dentro dela, que é nosso sósia, né? Eu converso com ele a vida inteira”.

Lembro do dia, na minha adolescência, em que passeava de carro pelas ruas do Recife com meu Pai (um comunista convicto naquela época), quando ele me perguntou: “Que vais querer ser?” Eu respondi: Arquiteto. Depois de alguns segundos de silêncio, ele respondeu: “É... O companheiro Niemeyer é um dos grandes... Sábio do mundo...”.

Foi aquela a benção que recebi de meu pai...

    Amém para meu velho! Meu Obrigado para Niemeyer!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Texto do Rev. Caetano sobre religião e politica


Gostei and postei

Evangélicos e Política: muito interessante!

É muito interessante que líderes evangélicos se envolvam em política exigindo dos candidatos à Presidência da República um compromisso sério de vetar leis favoráveis ao aborto e à união civil de pessoas do mesmo sexo.
Interessante porque os evangélicos sempre pautaram por “não se envolver em política”, que eles consideravam “coisa do mundo”. Pelo menos tal era atitude da maioria deles no tempo da ditadura… evitavam entrar em conflito com o Estado (de exceção) alegando que tal atitude seria mundana ou contrariava Romanos 13:1-7 …
De certa forma o conservadorismo estreito e fundamentalista é "ecumênico": católicos romanos e a maioria evangélica concordam sempre em posturas conservadoras e reacionárias!
Interessante perceber que a maioria fundamentalista, estéricamente se posiciona contra o aborto e a homossexualidade, não move uma palha quando se trata de condenar a usura!!! A usura, condenada centenas de vezes na Escritura Sagrada, não merece nenhuma palavra profética da parte deles! Sobre a usura diz a Escritura:
“A teu irmão não emprestarás com juros, nem dinheiro, nem comida, nem qualquer coisa que se empreste com juros.” Deuteronômio 23:19
“O que aumenta os seus bens com usura e ganância ajunta-os para o que se compadece do pobre.” Provérbios 28:8
“… emprestar com usura e receber juros, porventura, viverá? Não viverá. Todas estas abominações ele fez e será morto; o seu sangue será sobre ele.” Ezequiel 18:13
“Não lhe darás teu dinheiro com juros, nem lhe darás o teu mantimento por causa de lucro.” Levítico 25:37
“Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre que está contigo, não te haverás com ele como credor que impõe juros.” Êxodo 22:25
“Não tomarás dele juros, nem ganho; mas do teu Deus terás temor, para que teu irmão viva contigo.” Levítico 25:36
Todavia, o que hoje se vê são as Igrejas ditas evangélicas praticando a usura abertamente!
Certa vez, estando eu ministrando uma palestra, um jovem pastor me interpelou violentamente dizendo que jamais daria a Ceia a um homossexual, citando as conhecidas passagens bíblicas usadas para condenar a homossexualidade. Eu perguntei a ele se daria a Ceia a um banqueiro, e diante da resposta afirmativa, citei muitos versículos contra a usura… o plenário me aplaudiu e o jovem pastor se retirou dizendo que eu manipulava as Escrituras!!!
É uma pena que, por causa de gente reacionária, o segundo turno da eleição presidencial acontecerá sem debates realmente profundos sobre propostas para o futuro do Brasil. A eleição se polariza e as candidaturas buscam agradar o eleitorado fundamentalista… uma pena!
Antes que me perguntem, abro meu voto: no primeiro turno, marinei; no segundo, sou Dilma!

sábado, 30 de outubro de 2010

Um sucesso pela contramão


A idéia de sucesso está mudando. O paradigma do mundo moderno tem dado espaço ao mundo “sustentável”. Aquilo que carrega a imagem de continuidade diante do instantâneo parece ganhar força como contraposição nesse tempo em que o humano está fragmentado em sua consciência. Afinal, o progresso que a humanidade tem experimentado não tem sido suficiente para mudar o coração humano.

Uma consciência humana moldada pela fragmentação e descontinuidade dá lugar a uma consciência integralizada que não cede lugar para a numerificação do ser.

Essa tal modernidade reduziu a experiência humana ao instante vivido, ao descartável, ao fast-food, ao self-service, sem sentido para a continuidade e sem significado para a memória histórica.

No entanto, o sucesso que é algo subjetivo – claro, o que é sucesso para mim pode não para você – ele não tem referenciais de valores e crenças para a maioria das pessoas hoje. A identidade passou a seu uma peça de roupa. Pois, troca-se a persona de acordo com a imagem que serve ou se rejeita a mesma por contento...

O “Carpe Diem” fixou-se na cabeça de muitas pessoas, e elas começaram a acreditar que vão morrer amanhã... Ou, que o amanhã é o hoje. Ora, sendo assim, sem futuro não há o porquê de sonhar. O ser humano passou a deteriorar a própria capacidade de sonhar, e isso nos faz lembrar das palavras do Reverendo Martin Luther King Jr: “O homem é nada sem um sonho...”.

Ser grato nesta lógica é ter o prazer realizado individualmente e de forma pública, uma vez que não há necessidade de sacrificar os próprios interesses por causa do outro.

Sem lembrar que o futuro é o que se deixa e não o que você leva dessa vida, se propõe uma capacidade infinita de realização, atribuindo valor extremo a uma vida de prosperidade e sucesso organizado em torno de padrões de consumo.

Diante disso, vemos uma reação que surge na contramão dessa experiência moderna no ocidente. Um novo paradigma vem no horizonte, na alvorada de um novo tempo, trazendo um novo conceito de sucesso humano. Ele traz uma exigência de ética e de valores virtuosos que vêm para preencher o vazio existencial e a falta de significância da vida humana, não respondidos pela ciência e pela tecnologia. Uma condição histórica que convida o homem contemporâneo para a maturidade e que promulga que o futuro existe, e que se pode chegar lá; e não chegar lá sozinho, mas junto.

Isso é sustentabilidade - um projeto de sabor perene e renovável. Um sucesso que é baseado em valores é algo que não passa com a chuva, ele alcança as gerações futuras que virão e se abastecerão do mesmo. É um sucesso que promove o sucesso do outro. È algo que torna o futuro viável para todos e que alimenta a capacidade de um sonho coletivo comum. É o transformador das realidades maiores...

Como disse Dom Helder Câmara: “um sonho que se sonha só, é apenas um sonho que se sonha só; mas sonho que se sonha junto é realidade”. Sonhemos!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Caçadores de Felicidade



Quando se trata de abraçar a felicidade o termo solidão é antagônico. Ninguém sabe o que fazer com a felicidade quando se está só. Já disse um viajante americano: “A felicidade só é real quando partilhada”. O que é a felicidade, então?

É a vida, uma virtude, uma teoria ou contemplação? Poderia ser atividade humana guiada pela razão, que não se realiza de forma acidental, mas mediante a aquisição de valores virtuosos no agir constante. A felicidade alavancada pela virtude exige condições que não se bastam sozinhas para se realizarem, como a liberdade por exemplo. Então, por que o ser humano não é um caçador de virtudes? Por quê?

Não seria errado afirmar a existência é boa para o homem virtuoso, e ele se considerando como tal deseja para si o que é bom e para o outro também. Se cada um deseja para si o que é bom, não sendo suficiente, infelizmente deseja possuir todas as coisas do mundo com a condição de continuar sendo quem é. Na essência, ele luta contra o desejo pessoal de viver em harmonia consigo mesmo, marcado pela recordação de seus atos passados e das suas esperanças para o futuro, que são boas, e, portanto, torna-se um caçador do “passarinho que está pousado no seu dedo; mas que pode voar a qualquer momento”...

Esse passarinho é apreciado com razão e sensibilidade, mas não pode ser aprisionado. O seu caçador tendo consciência de si, de suas fragilidades e de suas forças partilha as suas virtudes mais valorosas, por isso beija o sagrado.

Mas quem tem a consciência de si, por vezes, esconde suas fragilidades e confunde suas forças. Torna-se um ser perdido e solitário, que confunde o sentido de sua existência com devaneios. Não caça nada.

De fato, a felicidade é racional, no entanto não se explica; pois se vive a felicidade. Esqueceram de dizer isso aos racionalistas do ocidente que enrugaram a contemplação, reduziam o mistério e expurgaram o sagrado... Sorte que os poetas guardaram para si estas armas poderosas de caça.

Quando caçamos esse passarinho contemplamos a beleza do jardim, até que ao nosso dedo pouse o pássaro novamente. Sendo obra do Criador, somos também parte do jardim... Como diz Rubem Alves: Acho que Deus, ao criar o universo, pensava numa única palavra: Jardim! Jardim é a imagem de beleza, harmonia, amor, felicidade. Se me fosse dado dizer uma última palavra, uma única palavra, Jardim seria a palavra que eu diria.

Talvez pudéssemos trocar o verbo caçar por perseguir, mas não seriamos felizes sem o desafio da paixão. Afinal, quem é apaixonado caça mais do que persegue. Então, quando pensar em felicidade, cace! Mas cuidado, ao encontrá-la partilhe logo com os outros também, lembre-se que o pássaro pode voar do seu dedo a qualquer momento...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

“Quando a gente não quer, qualquer desculpa serve...”



Das mais marcantes propagandas da televisão que tenho lembrança, uma é campeã. Trata-se de um comercial de uma rede especializada na venda de óculos de grau em Recife, chamada Casa Lux Ótica.
Tudo começava num palco iluminado de um teatro vazio. Nele, homem sentado numa cadeira, sozinho, olhando fixamente para um ponto da platéia, dizia: “Tem gente que precisa usar óculos de grau, mas não usa. Diz que é feio, que incomoda, que envelhece e que machuca. A visão é uma coisa mais importante do que muita gente pensa. Veja bem, óculos apropriados podem até dar charme e distinção... Procure o seu oculista, e leve sua receita numa casa séria, que trate do seu problema profissionalmente. Eu, por exemplo, não preciso usar óculos de grau. Mas gostaria muito de poder usá-los...”.
Então, o aquele homem saía, tateando a cadeira, alcança uma bengala e levantando sai de cena fazendo toc-toc com a bengala... Ele era cego!
Essa frase: “Quando a gente não quer, qualquer desculpa serve”, ficou tão popular, que tornou-se um axioma popular, algo muito falado pelo povo. Esta expressão apresenta uma verdade ética incontestável: quando nós não queremos algo, uma situação de continuidade, um compromisso, uma tarefa, uma mudança, então qualquer desculpa que possamos usar, irá servir de pretexto. Corremos o risco de transformarmos pretextos em argumentos.
Com o apelo ao individualismo ao egocentrismo presentes na ética da pós-modernidade surge então um grande veneno social para as gerações futuras: a falta do QUERER mudar. Cada vez menos as pessoas querem confrontar-se com suas limitações, com seus interiores, seus erros, defeitos, frustrações, suas fragilidades, suas curtas visões.
A superficialidade impera numa sociedade em que as pessoas não querem mudança. Tudo parece de plástico: os tratamentos, os sorrisos, os abraços, as relações... E é claro que quando falamos de algo novo em nós mesmos, pensamos em algo que nos faça crescer, amadurecer, integralizar e se redescobrir.
Muitos “cegos” reclamam demais de tudo e de todos, porém nunca mudam. Por que será? A explicação é que, na verdade, elas NÃO QUEREM MUDAR. Querem que tudo mude ao seu redor, mas uma mudança substancial em suas vidas não faz parte do seu querer. Por isso continuam sem enxergar claramente a realidade.
Afinal, “quando a gente não quer, qualquer desculpa serve...”.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Arrisque-se, morra ou ria...!


Se quisermos saber onde dorme a liberdade, olhemos para o risco. A pessoa que corre riscos é livre. Corra o risco de amar. Para qualquer economista uma afirmação é uma verdade inquestionável, e essa pode ser tratada como universal. Não existe investimento seguro.

Evitar todos os envolvimentos, fechar-se com segurança no esquife de seu egoísmo seguro, sombrio, imóvel, sufocante, não mudará nada. Nada será quebrado... Alguém já disse que “o único lugar fora do céu onde você pode se manter perfeitamente seguro contra todos os perigos e perturbações é o inferno”.

Na verdade ser livre é isso: Correr riscos! Corra o risco de amar. Corra o risco de perdoar. Corra o risco de mudar... Corra o risco de caminhar ao lado de Deus. E isso não é fácil ou simples. Por isso a liberdade é uma virtude singular. Para tê-la é preciso coragem. Não a dos guerrilheiros, não a dos belicosos, não a dos estóicos, mas possivelmente a dos mais humanos homens. Lembro-me da afirmação de Boff quando se refere a Cristo como um libertador: “Humano como Ele foi, só podia ser Deus mesmo...”.

Corra o risco de renunciar seu ego. Esse é o grande desafio da espiritualidade sadia. Lispector disse certa vez: “Só o que está morto não muda! Repito por pura alegria de viver: A salvação é pelo risco, Sem o qual a vida não vale a pena!”.

A maior experiência de liberdade é entregar a vida a Deus. Correr o risco de entregar a vida inteira para Deus é uma experiência pessoal e saborosa. Pena que o ego muitas vezes atrapalha essa liberdade... Quando o ego vence o risco, tudo é mais aprisionado.

O risco de chorar parece ser o risco de parecer sentimental. O risco de estender a mão parece o risco de se envolver. O risco de expor os sentimentos parece o risco de mostrar quem somos de verdade. O risco de defender sonhos e idéias parece ser o risco de perder pessoas. O risco de amar parece ser o risco de não ser correspondido. O risco de tentar parece ser o risco de fracassar. O risco de viver parece ser o risco de morrer.

O chamado de Jesus tem reivindicações muito difíceis, mas ao mesmo tempo libertadoras: “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram”. Livro de Mateus, capitulo 7, versos 13 a 14. Já Senega, 55 anos antes de Cristo já recomendava: “Rir é correr o risco de parecer tolo.

Assim, o maior perigo da vida é não arriscar nada. Muitas pessoas não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada. No objetivo de evitar sofrimentos e desilusões, mas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam nada, não crescem nada, não amam ninguém, não vivem a vida. Preciso terminar esta reflexão te dizendo: Arrisque-se, morra ou ria...!

domingo, 3 de outubro de 2010

Uma tarde de Caricaturas na inaugur. da Mc do Royal Plaza em Santa Maria - RS










“Tiriricando” o voto...


O voto como uma dimensão simbólica nas sociedades democráticas chega próximo a representação do sagrado. Parar a rotina e refletir sobre o significado das funções públicas no nosso dia a dia toma forma na consciência e invade a dimensão do privado, nessas horas.

Aprendemos desde cedo que votar é um dever e um direito de todo o cidadão. Diferente de outras democracias no mundo, no Brasil, somos obrigados a comparecer na seção eleitoral para nos revestirmos da capa que vela a nossa suposta liberdade. Tudo simbologia... Parece uma completa sintonia com a dinâmica das relações humanas que fazem parte de nosso cotidiano.

Infelizmente, para muitos, fazer política é aquilo que se resume ao período eleitoral. Muitos percebem que a vida dos últimos anos ficou resumida em uma propaganda eleitoral, e que na medida em que refletem sobre suas opções eleitorais, entendem que no intervalo de dois anos a vida aconteceu. Sentimo-nos como tolos, que não sabem nada do que fazem conosco, para nós e por nós na política publica, e que no período de eleição somos os avisados de que nada sabemos para “além do horizonte”...

Assim, diante da possibilidade simbólica da mudança, alguns preferem uma terceira via, a do protesto silencioso do voto em branco ou nulo. Há também aqueles que se alienam ou se revoltam totalmente, no sentido de transferir para outro a responsabilidade pelo seu destino ou banalizá-lo. Hoje seria aquilo que chamo de “Tiriricar” o voto.

O voto assumiu a dimensão simbólica de que é possível colocar ordem nas coisas a partir de uma simples adesão, e que, ao escolher o candidato, estamos desobrigados de nossa responsabilidade social, moral e espiritual. Quando escolhemos, pomos em registro nossa consciência, que muitas vezes ainda é imatura. Escolhemos a possibilidade da realização de um sonho, de um projeto de cidade, de nação e de mundo que imaginamos possível. Acreditamos que o nosso candidato representa aquilo que acreditamos simbolicamente construir com ele.

Votar é mais do que escolher um candidato. È dar forma ao poder. Por isso que voto tem conseqüência real. Porque é um ato de nossa consciência, o qual somado a outros tantos gestos semelhantes, poderá definir o rumo das circunstâncias que envolvem a nossa vida.

A oportunidade de participar de um interregno eleitoral construindo o futuro junto com os que vestiram o poder é experimentar o resultado da escolha. Exige atitude! Ou diferente disso, podemos ignorar tudo e acreditar que é melhor mesmo é “Tiriricar” o futuro também... Boa escolha.

sábado, 25 de setembro de 2010

Obrigado!








Para aqueles que não sabem sou um cartunista, e diarimante faço as charges do mais antigo jornal do interior do RS, o A Razão. No entanto uso o codinome de VASC. Esta semana fui carinhosamente reconhecido mais uma vez pelo meu trabalho atravez de um leitor. Só posso agradecer. OBRIGADO! Esecialmente ao Marcelo Góes.







domingo, 19 de setembro de 2010

Holos



O termo tão conhecido como “holístico” vem do grego
Holos e significa "totalidade". Hoje no Brasil, existem educadores que, ancorados nessa palavra, sugerem uma proposta de ensino que considere não apenas o corpo e o intelecto, mas também a espiritualidade e a alma, defendidas por eles como dimensões intrínsecas ao ser humano. Desde a Grécia Antiga, a totalidade do ser já era levada em consideração.

Segundo Rudolf Steiner, em seu tratado de antroposofia “A Ciência Oculta”, foi no ano de 869 que a Igreja Católica no Concílio de Constantinopla estabeleceu o dogma de que o ser humano é formado apenas de corpo e da alma, tendo-se eliminado o espírito de sua constituição. Estabeleceu-se, ainda, que a alma tinha algumas características espirituais. Para Steiner, esse foi um dos motivos da cisão da Igreja Ortodoxa, que continuou a encarar o ser humano como “tri-membrado”. Historicamente, até hoje, isso leva muitas pessoas a confundirem alma com espírito, ou achar que tudo é a mesma coisa...

Por esse motivo, estando ausente do vocabulário oficial da Igreja Católica que, até há alguns séculos, ditava no ocidente os costumes e conceitos ligados à espiritualidade, a palavra espírito passou a ter múltiplas conotações. Mas, a partir de Descartes, houve uma fragmentação da realidade em corpo e alma, o que incentivou o desenvolvimento de linhas mais materialistas. Esse modelo “Cartesiano” começou a ser questionado no século XX, com estudos sugerindo a retomada da visão integral do homem e a valorização daquilo que os cartesianos haviam abandonado e a igreja negligenciado...
Chegou-se a essa tecnologia moderna, avançada, que ninguém pode descartar, mas hoje é fundamental e inquestionável a retomada a unidade perdida. Não se trata de voltar atrás, mas de dar um novo passo em direção ao ser humano.
Entende-se que assim, sendo o ser humano um co-criador de instituições sociais (grupos, empresas, associações, sociedades, países e etc.), esse faz dessas a imagem e semelhança de sua estrutura mais sutil e espiritual. Muitas dimensões do ser foram suprimidas em prol do desenvolvimento material que, possivelmente gerou uma sociedade excludente. Dois terços da humanidade não podem consumir a tecnologia e a ciência que é produzida.
Surge então uma reflexão interessante.
De acordo com alguns educadores, dentro da educação existe uma pergunta que parece óbvia, mas não é: “O que é educar?”. Educar depende da concepção que ser humano tem dele mesmo; se ela é estreita, sua maneira de educar será igualmente estreita...
A proposta “Holística”, “Quântica”, ou “Complexa” ainda choca a tradição universitária, que está acostumada ao saber positivo, entretanto é preciso lembrar que a psicologia positiva não depõe contra isso. Embora a metodologia científica seja necessária, precisamos reconhecer também a complexidade da condição humana, e assim trilhar o caminho pedagógico para desenvolvimento da inteligência espiritual deste que se encontra em crise: O Ser Humano.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Por um amanhã Fabuloso...






Alguém já disse que quando falamos do tratamento para com o futuro, encontram-se três tipos de pessoas: aquelas que deixam acontecer, aquelas que fazem acontecer e aquelas que se espantam com o que aconteceu. Podemos ao decorrer de nossa vida nos perceber como uma dessas possibilidades, ou até em mais de uma, em épocas diferentes.

Poderíamos pensar facilmente em que tipo de pessoa gostaríamos de ter em nossas equipes ou se somos o tipo que os outros gostariam de ter em suas equipes. Se fossemos escolher, diríamos que para um bom time só há espaço para as pessoas do tipo “as que fazem acontecer”. Claro, isso significa que muitos que não estariam conquistando os espaços desejados, mesmo com um bom conhecimento em suas competências não têm uma boa visão de futuro.

Olhe para você e pergunte: Onde quero estar daqui há cinco ou dez anos? Tenho clareza nesta resposta? Uma dica: Não embarque naquela falácia do Zeca Pagodinho de “deixar a vida te levar”... Ela pode deixar você muito longe do seu sucesso...

Além de competência e iniciativa, necessitamos da terceira perna do nosso banquinho: A visão de futuro. E visão só se consegue através da análise do mundo, da consciência da realidade que nos cerca e das possibilidades de mudança da mesma.

Olhando para esses três tipos de pessoas podemos aprender algumas coisas sobre o trato para com o futuro. Quando elas são pessoas sem visão de futuro, não sabem do propósito para sua vida pessoal, e, na verdade, não se preocupam com isso, suas expectativas se resumem em ‘assistir’ a vida passar. Aproveitam o que querem, criticam o que não gostam, e julgam tudo e todos a partir de sua satisfação pessoal. Não se engajam em nenhum projeto e sempre acham que o futuro não vai chegar. São aquelas pessoas que não se preocupam se os tempos mudaram, ou se a linguagem que usam está adequada à geração que está à sua frente.

O segundo tipo são pessoas com visão de futuro. Estas têm noção da sua vida em termos globais. Conhecem qual é o seu propósito existencial e o que é cumprir uma missão no mundo. Essas pessoas se preocupam com o futuro porque sabem que devem estar atentas a todas as mudanças. Essa consciência de sua realidade os leva a ter uma vida balizada em planejamento pessoal. Tais pessoas são capazes de fazer grandes esforços para mudar e percebendo as necessidades disso, dispõem de seus talentos e dons para a edificação de uma realidade melhor e profícua.

Afinal, sem sonho a insignificância prevalece... Há pessoas com sonhos pequenos e fúteis, que só resultam em um sorriso amarelo... Sem visão de futuro se esquecem de que o grande sonho faz a diferença. Os que admitem isso não vêem nada a sua frente, se transformam nas pessoas que só se espantam apaticamente com o que aconteceu com elas, com os outros ou com o meio em que vivem. Essas seriam as do terceiro tipo.

Para tanto, estar disposto a fazer o necessário para transformar sonhos em realidade é sonhar junto. Os apáticos e os que apenas cobram, sem nunca dar sua contribuição, possivelmente nunca sonharão e nunca participarão desse processo. Minha esperança é que com visão de futuro possamos dar um amanhã fabuloso aos que virão depois de nós...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Alexandre chorou...



Alexandre “O Grande” como conquistador macedônico, construiu com pouco mais de trinta anos o maior império de sua época. Ele assumira o trono de seu pai em 336 a.C. e aos 32 anos já havia conquistado todo o mundo. Sua campanha militar durou 12 anos e levou-o, e ao seu exército, a 15 mil quilômetros de distância da macedônia, até o Rio Indo, na Índia.
Diz-se que quando Alexandre contemplava seu império, ao final de uma grande campanha, chorou, porque não havia mais nada a ser conquistado... Entretanto, seu vasto domínio não sobreviveu à sua morte, vindo depois a fragmentar-se em três grandes blocos centralizados na Grécia, Egito e Síria, controlados por seus antigos generais. A pretensão singular de Alexandre era compreensível para sua época, pois os valores de um ser humano estavam alicerçados nos reinos e terras que ele “conquistava”.
Lembrei-me de uma lenda que conta da ocasião em que o grande imperador Julio Cesar, em Cadiz na Espanha, por volta do ano 63 a.C., período em que servia como questor (o primeiro passo na hierarquia política da Roma Antiga), chorou diante da lembrança do conquistador macedônio, pelo fato de Alexandre com mesma idade que ele já ter conquistado um fabuloso império. A pretensão de Cesar não era descabida, pois foram confirmadas posteriormente por suas conquistas.
Não obstante para mim, o choro mais emblemático de um grande conquistador foi o de Jesus diante das portas de Jerusalém. Diz o texto do livro de Lucas: "E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! Se tu conhecesses também, ao menos neste dia, o que à tua paz pertence! Mas, agora, isso está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todas as bandas, e te derribarão, a ti e a teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo de tua visitação”. (Lc 19: 41-44).
Sabemos que comparações são inevitáveis diante daquilo que temos e que devemos conquistar. Para tanto, talvez o primeiro passo seja reconhecer as nossas limitações e em que elas podem impedir as nossas conquistas. Por sua vez, a grande diferença entre Alexandre, Julio Cezar e Jesus é o fato de que Jesus buscava conquistar pessoas e não as terras ou reinos. O choro do Cristo diante de Jerusalém foi pelo coração duro das pessoas, que não estavam sensíveis a um projeto anunciado por Ele. Projeto de uma vida vivida com mais VIDA.
Em nossos projetos futuros, nossas conquistas postuladas, nosso choro virá mais cedo ou mais tarde... A característica comum a todos os grandes conquistadores é que eles têm um plano bem elaborado, um projeto possível, objetivos e metas bem definidos. Entretanto, a pergunta diante de nossas fragilidades é se também temos interesse no coração das pessoas... Estes quase sempre os mais difíceis a serem conquistados...
O projeto de Alexandre, como vimos, durou cerca de 250 anos, o de Júlio Cezar cerca de 500 anos, o de Jesus dura há mais de 2000 anos. Faça sua escolha por conquistar pessoas, além de ser mais desafiante, é o que te fará eterno!

sábado, 21 de agosto de 2010

Tolerantes ou tolerados?

Vista como a capacidade que o ser humano tem de aceitar uma atitude diferente de uma pessoa ou grupo social, a tolerância é também uma atitude pessoal e comunitária diante dos valores diferentes daqueles adotados pelo outro.

A palavra tolerância vem do latim tolerare (que significa sustentar, suportar), que denota atitude de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física. Diante disso, surge em nosso cotidiano pós-moderno a inegável necessidade de sermos mais, ou menos, tolerantes. Ou quem sabe, no nosso senso de justiça tão limitado pela nossa natureza, termos a consciência de quem realmente somos.

Partindo deste pensamento, o ser humano percebe-se diante da necessidade de tolerar o que não quer ou o que não concorda. Entretanto, a intolerância nem sempre é um erro. Mesmo porque algumas coisas devem ser repudiadas. Ainda é possível considerar algumas coisas como toleráveis, que apesar de desprezíveis e frívolas, exigem atitude de paz.

Contudo, para não corrermos o risco de sermos conformados ante uma atitude pacífica, é necessário transformar essa ação em uma atitude de superação diante daquilo que não se pode mudar, refletindo até onde se pode assumir a responsabilidade da mudança. Alguém já disse que “tolerar é assumir responsabilidades”. Transferir a responsabilidade para o outro, não se trata mais de tolerância, mas de egoísmo e indiferença.

Quais são os limites, então? É possível que este seja determinado pela ameaça da Liberdade, da Paz, da Segurança e Sobrevivência. Para tanto, tudo aquilo que causa sofrimento, injustiça ou opressão ao outro precisa e deve ser combatido, nunca tolerado.

Nos séculos XVI e XVII, o tema da tolerância ganhou força nos EUA por parte do fundamentalismo religioso e hoje está relacionado a uma cultura política liberal que trata de uma relação entre diferentes, quando esta faz com uma diferença relevante. Um preconceituoso, por exemplo, não deve apenas exercitar a tolerância, mas superar o preconceito.

Considerando a psicologia do ego, nas antipatias e aversões indisfarçadas que as pessoas sentem por estranhos com quem tem de tratar, pode-se identificar a expressão de amor a si mesmo. Esse amor a si mesmo trabalha para a preservação do individuo, que se comporta como se a critica fosse uma exigência de sua alteração. A essência do conflito do ser humano com o outro atravessa tanto o processo civilizatório quanto o desenvolvimento pessoal, fazendo com que o estranho que o sujeito quer eliminar se transforme no adversário que precisa ser eliminado socialmente, ou pela idéia de que o homem mantém com seu próximo a mesma relação de ódio que sustenta consigo mesmo.

A expressão mais autentica da tolerância é de constituir uma espiritualidade que supere o fanatismo, o preconceito, o dogmatismo, o fundamentalismo, e que se manifeste como uma profunda expressão de amor pela verdade encontrada com o outro. Com isso, somos convidados a observância do nosso contexto pensando: Somos os tolerantes ou os tolerados da nossa história?

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Liderando pessoas inteligentes


Podemos delinear a diferença entre um chefe e um líder com alguns exemplos práticos. Para tanto, acreditamos que o grande líder, em alguns momentos também veste a persona de um chefe, e são muitas outras qualidades que fazem a grande diferença no momento de ser eficaz. Uma das qualidades para se considerar grande líder, é um eterno desejo de ser um líder eficaz.

Você, por exemplo, já trabalhou ou atua em alguma organização, grupo ou comunidade que o tipo de liderança entende que a responsabilidade pelas mudanças no ambiente nunca é sua, e sim de quem está acima? Sempre comunica o que precisa ser comunicado, e pronto... Esse líder procura sempre ser camarada e estar do lado dos liderados... Tem presença marcante em festas, almoços, jantares, confraternização e outras animações. Nunca contraria as vontades coletivas dos liderados e procura saber como anda o seu prestígio entre eles. Ele sabe usar a energia e o entusiasmo para convencer a sua audiência, fala tudo que acontece e o que a equipe quer ouvir, mas quase ninguém dá a mínima para o que ele diz e quase nada acontece. Esse é um líder eficaz?

Bem, esses líderes não costumam cuidar bem dos processos, daí a área que dirige passa a ser desorganizada, assim, todos tentam resolver tudo e quase ninguém se entende. A comunicação passa a ser um ruído numa rapidez tremenda...

O grande problema com o líder que sabe comunicar bem as mudanças, mas não tem muita disposição para mudá-las, é que o insucesso é sempre culpa dos outros e as boas idéias são sempre suas.

Para evitar o pecado de estar “acima do bem e do mal” e ser um líder amigo da eficácia, esse deve, em primeiro lugar, explicar detalhadamente o que ele pretende, considerando que as pessoas inteligentes desejam entender a razão das mudanças. Em segundo lugar, o líder eficaz deve usar de conhecimento e não de hierarquia, considerando que as pessoas inteligentes não se impressionam com títulos. Em seguida, o líder eficaz deve dizer o que fazer, mas não como quer que seja feito, considerando que as pessoas inteligentes gostam de ser desafiadas, encontrando os seus próprios caminhos e se sentindo úteis. Por fim, o líder eficaz deve identificar os talentos esquecidos e as velhas receitas, considerando que a experiência do passado também tem seu valor, independente dos títulos do presente.

Assim, podemos compreender que o grande líder sempre será um bom comunicador, mas nem todo bom comunicador será um grande líder. O grande líder além de comunicar, educa. Na verdade, todas as pessoas precisam ser ensinadas e não apenas comunicadas, principalmente se elas forem seus liderados mais inteligentes... Então, eduque!



domingo, 18 de julho de 2010

O consumismo e o nosso abono...


O mundo tem provado de mudanças de ordem estrutural que promovem marcas no campo sócio-econômico principalmente desde os anos 80. Com isso, a cultura tem sido moldada pela dinâmica e preocupações ligadas ao consumo e a sustentabilidade. O ser humano orientado por suas ações de acordo com os símbolos, normas, valores e tradições culturais vem tecendo seus valores e significados no registro da história das civilizações.

Parece que a Gula, que na idade média foi um “pecado capital” de grande valia para os interesses da igreja católica, hoje, reveste-se como um pecado pós-moderno na imagem de um consumismo exacerbado do descartável. Pecado esse, que tem ajudado o ser humano a ser mais viciado que nunca. Claro, o vício é o oposto da virtude... Então...

A produção cultural é consumida com dinâmicas diferentes... Às vezes essa se torna frívola para as próximas gerações, ou seja, insustentável. A “velocidade” faz com que a humanidade viva cada momento como sendo de profundas transformações e isso tem afetado as relações humanas, dando espaço para o surgimento de novos e necessários paradigmas de ética e valores.

Entretanto, não se pode fugir da realidade tecnológica e de informação, tão necessária para a contextualização do indivíduo. Buscar a restrição deste consumo atual seria o mesmo que negar a dinâmica do presente e promover um movimento social ascético, algo semelhante ao que os monges europeus fizeram no passado. Os chamados “luxos” fazem parte da vida de todos... Ainda mais quando esses se tornam necessidades. Logo, não adianta fugir.

Contudo, pode-se dar uma nova ênfase na necessidade de uma mudança radical nos padrões culturais de consumo dominantes. Adotar uma nova atitude de renunciar o consumismo agressivo e abraçar uma nova consciência voltada para uma cultura de sustentabilidade é algo que parece inevitável para o desenvolvimento cultural.

A modificação do modelo de consumo atual envolve questões que vão além da adoção de novas tecnologias ou de políticas governamentais, e passam por uma transformação de mentalidade, que atravessa o abandono da lógica newton-carteziana (baseada em um domínio ilimitado do homem sobre a natureza) e que adota a consciência de que somos mordomos da criação.

A totalidade do ser humano passa pela consciência de que ele depende do todo para existir. Afinal, necessita-se já de uma consciência de sustentabilidade que atraia pessoas, independente de suas convicções, e que garanta o compromisso de criar uma comunidade que apesar de seu modo consumo, abone a existência das produções culturais futuras...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Homo Ludens

Diante do pensamento complexo, em que o ser humano é visto como um todo integral, podemos relembrar a idéia de Morin de que o Homo Sapiens-Sapiens também é Sapiens-Demens. Mas sem dúvida nestes dias de “Copa do Mundo” detectamos a mais pura expressão do que podemos conhecer como Homo Sapiens-Ludens... O “Homem Lúdico” faz nesse tempo de competições globalizadas, seu sentimento de competição e disputa aflorar na alma. Parece que se volta a sentir aquele sentimento de quando se corre de bicicleta e se disputa uma partida de xadrez ou de “palitinho”.

Possivelmente, o ludens não só criou o jogo, a brincadeira, mas também a guerra. Isso faz de alguns vencedores e de outros perdedores. Afinal, essa é uma das marcas da humanidade: A disputa. Entretanto, o que faz de alguém ser um vencedor e outro não?

Tenho a absoluta certeza que o Barão de Coubertin estava errado quando dizia: “O mais importante é competir...”. Na verdade, ninguém entra em uma disputa para perder. Entra-se em uma competição para ganhar, seja qual for ela. Mais do que em outras épocas, em tempos de Coubertin, perder é sinônimo de fracasso, incompetência. A dinâmica social moderna procura e exige o vencedor, valoriza a ousadia, estimula o risco, e o ímpeto.

Mas ser um vencedor é sinônimo de ser um corajoso? O que não parece ser uma verdade, é que a coragem, que pode servir para tudo, tanto para o bem como para o mal, não quer dizer necessariamente vitória. Nem sempre aquele que vence é o que possui tal qualidade.

Esta virtude parece ser a fundação dos nossos objetivos. Enfrentar os riscos de se atingir um objetivo maior, é enfrentar o medo, a tomar decisões e a agir. Ter coragem não é viver sem medo, nem ser impetuoso diante das adversidades, mas é arriscar-se por uma causa maior ou mesmo tomar a decisão de se preservar.

A simplicidade do corajoso está no limiar entre a ousadia e a prudência. Jesus disse certa vez: “Sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mateus 10:16). Talvez estivesse dizendo para sermos corajosos!

O medo do fracasso, da derrota, está no fato de que queremos ter o controle de tudo, do outro, dos resultados, das ações. Isso faz com que o sentimento de culpa ganhe um novo sentido. Pois aprendemos que não temos o controle de nosso sucesso ou fracasso.

Quando nos damos conta de que no jogo da vida, em meio às exigências de superar as nossas fragilidades, em face à competitividade, descobrimos que as oportunidades não são iguais para todos. Aí, precisamos correr o risco inevitável da disputa.

No entanto, a verdadeira coragem está no fato de que podemos seguir em frente, apesar de todas as coisas, na certeza de que o melhor pra nossa vida ainda não aconteceu... Deus sabe disso. Coragem!

terça-feira, 29 de junho de 2010

HSM Online 16/06/2010

Gestão
‘Nós’ continua sendo uma soma de ‘eus’
Professor da ESPM chama atenção para o desenvolvimento da criatividade e o maior capital de um país: o cérebro de seus habitantes

Ninguém sabe como um dos leões saiu da jaula durante o espetáculo do circo. Durante algum tempo ninguém da plateia ousou se mexer, falar, piscar ou respirar. Cúmplices de um literal suspense holístico, daqueles de câmera lenta ao som de um violoncelo. A situação era inédita tanto para os espectadores, como para os funcionários do circo, e, principalmente para o leão.

Diante do bizarro, coube ao leão, que se movia bem lentamente, quebrar o encanto. Ele rugiu, como cabe aos leões, mesmo os de circo. Foi a senha mágica para o pânico geral. Todos corriam e gritavam para todos os lados. O leão, talvez assustado com o desequilíbrio do impasse, rugia cada vez mais. Naquela confusão geral, um espectador com a perna engessada e sentado em uma cadeira de rodas gritava bem alto: - “Calma, senta que o leão é manso!”

"Os elétricos ainda não são economicamente viáveis. Mesmo que a tecnologia avance, o motor de combustão terá vida longa". É o discurso do ítalo-canadense Sergio Marchionne, presidente mundial da Fiat (1). Engessado na cadeira de presidente de um conglomerado gigantesco com dificuldades de se mexer com desenvoltura, ele está gritando alto que o leão é manso.

É a atitude que se espera de um presidente preocupado com o seu cargo, com seu bônus, com a sua empresa, com seus acionistas e com os movimentos dos seus concorrentes. Mas o leão está rugindo há algum tempo sobre a urgente necessidade de o mundo investir em uma nova economia menos poluente e mais sustentável.

Vamos cruzar outras duas informações

A primeira vem do X Prize Foundation (2), que criou uma competição internacional com o seguinte desafio: a equipe que conseguir projetar e desenvolver um protótipo que rode mais de 50 quilômetros por litro de combustível ganha US$ 10 milhões. O mesmo prêmio pode ser conquistado por um veículo elétrico capaz de rodar 321 quilômetros entre uma carga de energia e outra.

O desafio foi lançado em 2004, depois que a Scaled Composites criou a primeira aeronave civil capaz de fazer um vôo espacial e conquistou a premiação. A novidade é que 41 competidores continuam na disputa, depois da eliminação de mais de 100 projetos, porque uma das regras é que o carro vencedor possa ser produzido em série logo depois da premiação. Nenhuma grande montadora aceitou participar, mas ninguém tem dúvidas de que alguém vai conquistar o prêmio.

A segunda veio da Wired Magazine que apresentou ao grande público a produção entre 500 e 2 mil unidades do Rally Fighter (3), um veículo de código aberto que qualquer pessoa pode copiar. Uma microfábrica, chamada Local Motors, criou um site e uma competição para o design de um carro inédito. O jovem designer Sangho Kim ganhou o prêmio de US$ 10 mil e o direito de acompanhar de perto o desenvolvimento do projeto do off-road em conjunto com a empresa, que se responsabilizou pelo chassi, motor e transmissão, e com a comunidade de voluntários conectada digitalmente que aprimorou o design em processo croudsourcing. A Local Motors é a primeira companhia automobilística aberta a alcançar o estágio de produção.

Qual é a significância dessas notícias? A percepção de que algumas mudanças importantes também podem vir de uma multidão colaborativa de inventores, designers, empreendedores e investidores mais abertos e com maior visão. As grandes empresas e os governos estão voltados demais para si mesmos e ocupados com a sobrevivência econômica de seus países.

Os conquistadores de um espaço relevante no mercado não querem perder nenhuma parte da sua conquista. Preferem restringir a humana e necessária missão altruísta somente ao seu grupo. Sentados na autoridade das suas carreiras, preocupados com a última ameaça recessiva, emitem o recado: - Senta, que o leão é manso!

Provavelmente ‘il signore Marchionne’ tenha razão e o motor a combustão tenha uma longa vida, porque as grandes mudanças são traumáticas e desconfortáveis. Lembro-me de ter visto, quando cursava a universidade de engenharia, uma foto do Edison Electric Car de 1913 que não emplacou. Quase 100 anos depois, estamos tentando inventar novas soluções menos poluentes, mais sustentáveis e economicamente viáveis para o consumo em massa.

Não estou cobrando nada da Fiat, mas seria melhor para todos nós se essa respeitada empresa patrocinasse e lançasse um desafio aos inventores de plantão para a busca de uma solução colaborativa para o difícil desafio da mudança planetária. Olhando para nós, os brasileiros, por que não aproveitar o momento para repensar o futuro nacional com mais criatividade? O que o Brasil está esperando para se reinventar? O maior capital de um país é o cérebro dos seus habitantes. Vamos à obra, inventar um novo país. Mesmo que nós sejamos uma soma de “eus”, “nós” é uma entidade mais importante do que Eu.

Rique Nitzsche (Professor de Design Estratégico da pós-graduação da ESPM-Rio e Diretor de criação da AnimusO2 (www.animus-o2.com), especialista em Shopper Innovation)

Referências bibliográficas utilizadas pelo autor: 1) Entrevista das páginas amarelas da Veja com Sergio Marchionne, presidente mundial da Fiat, edição 2155, 10 de março de 2010; 2) X Prize Foundation: "O super carro verde", matéria de John Elkington, Época Negócios, 04 de março de 2010; 3) Rally Fighter: "Átomos são os novos bits", matéria de Chris Anderson, editor-chefe da Wired, Revista Exame, 24 de fevereiro de 2010 e "A nova revolução industrial" de Denis Russo, blog da Veja, 08 de março de 2010.

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HSM Online
16/06/2010

domingo, 27 de junho de 2010

Quais são seus pontos fracos?



Romário disse certa vez que “quando a velocidade não é mais a mesma, tem que se aprender os atalhos...”. Um grande atalho para o crescimento é saber o que nossa família e alguns amigos pensam de nossos pontos fracos. Possivelmente essa atitude pode nos levar a nos conhecermos melhor e economizarmos tempo.


De fato, muitas pessoas não se livram da relutância em aprender com as pessoas mais próximas – pais, maridos, esposas, filhos e amigos fiéis. O invés de se disporem em aprender, se fecham por causa do orgulho, do acanhamento, medo e imaturidade. Muitos se enxergam como aqueles que já aprenderam tudo que podiam com essas pessoas, e não há nada mais a aprender com elas.

Um triste fato na vida dessas pessoas, é que, repetidas vezes, as pessoas mais próximas são possivelmente as que nos conhecem melhor... Elas muitas vezes conseguem enxergar a maneira com a qual escolhemos agir e como criamos nossos mecanismos de defesa, e assim, elas podem nos ajudar de maneira simples despertando em nós soluções adequadas.

Se somos orgulhosos e irredutíveis demais para aprender, perderemos de encontrar uma fantástica trilha para melhorar nossas decisões. Quando chegamos ao ponto de perguntar a essas pessoas especiais quais são os nossos pontos fracos, podemos estar tomando um atalho. Isso não só faz elas se sentirem especiais, bem como poderemos receber conselhos realmente relevantes.

É um atalho para o crescimento menos usado que conheço... Para encontrá-lo é necessária coragem, humildade, e a habilidade em de driblar o egocentrismo. Essa verdade é facilmente constatada se a pessoa ignora sugestões (recebendo-as como críticas), ou simplesmente descartando a opinião.

Experimentemos perguntar a quem está qualificado a responder o que você quer saber sobre você. Quais são os seus pontos fracos? Mesmo que essa pessoa corra um risco de lhe dar uma palestra, vale a pena ouvir o que ela tem para falar sobre sua pergunta.

Está tudo lento? Prepare-se para o atalho. Pergunte a eles!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Perfeccionismo – uma ingrata virtude



Voltaire disse certa vez que “a perfeição é alcançada a partir de pequenos e calmos passos. Requer, sobretudo, a mão do tempo”. Certamente a busca pela perfeição e o desejo da tranqüilidade plena são incompatíveis e conflitantes. Sempre queremos resolver da melhor maneira aquilo que pode ser melhor do que o que temos no presente, e isso parece, como disse semana passada em meu texto, nos encaixar numa batalha perdida.


Muitos de nós deixamos de estar felizes e gratos pelo que conquistamos para nos fixarmos no desejo de reparar o que está torto, incompleto. Entretanto, quando por certo atingimos a “perfeição” ficamos insatisfeitos.


Ser perfeccionista é possivelmente ter uma ingrata virtude, pois a prática desta tem levado, na historia da humanidade, pessoas imperfeitas a frustração. Por não saberem lidar com o limite, tornam-se pessoas descontentes consigo e com os outros, durante muito tempo. Seja um guarda-roupa desarrumado, uma ambiente de trabalho desorganizado, um carro arranhado, uma tarefa mal feita, uma “gordurinha a mais ou a menos, ou um nariz meio torto, esses podem tirar a paz de muitos perfeccionistas durante anos.


Existem também as dificuldades com as imperfeições dos outros. O incômodo com suas vidas e a vontade de “concertá-las” diante da necessidade de ver tudo “certinho” na vida deles. Essa ênfase na imperfeição pessoal e imperfeição alheia é um grande anteparado para o alcance dos objetivos de nossas relações. A simpatia e a gentileza ficam aquém do necessário para paz.


Bem, contudo, não devemos nunca afirmar que precisamos deixar de fazer o melhor que podemos, de buscar a melhoria pessoal e de galgarmos a excelência na vida. Entretanto, a melhor estratégia a ser adotada nesses casos, porventura seja desviar o olhar excessivo das coisas imperfeitas da vida. Se levarmos em conta a “mão do tempo” aprenderemos que podemos apreciar a maneira como as coisas são no momento presente, até que os “passos pequenos” nos levem a perfeição.


Assim, o grande desafio do perfeccionista é lembrar, com tranqüilidade, que a vida pode estar bem como esta agora, pois poderia estar pior. Arrefecer o julgamento perfeccionista pode mudar tudo. Se a obsessão pela perfeição em todas as áreas da vida se acalma, cria-se a tranqüilidade para descobrir que a perfeição acontece nas coisas mais simples da vida.

Experimentemos!