quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Visão de Futuro



Nesta semana, estávamos eu e meu gurizinho numa quente e ensolarada manhã na praia de Boa Viagem em Recife, e em mim surgiu uma sensação de que o futuro a ser projetado deve contar com a mais honesta motivação e com a mais sincera ciência de quem somos e como queremos alcançar nossos sonhos.
Estava com meu filho brincando na água e volta e meia, ele me perguntava quando o tubarão iria acordar... Fato que me fez rir boa parte da manhã, pois sabia como bom recifense, que tubarão naquela praia, só em “mar aberto”. Contudo, eu respondia que nós estávamos em uma piscina natural e lá na beira mar, uma tarefa nos esperava: deveríamos terminar nosso castelo de areia...
Num momento reflexivo, onde olhava para meu guri com aquela felicidade de quem a muito não via o mar, se lambuzando na areia, e se engilhando em água salgada com a mais pura inocência, pensei: O que vai ser dele no futuro? Em que homem ele vai se transformar? Onde ele estará daqui há 30 anos? Qual profissão ele vai escolher? Quem serão seus amigos?
É comum para muitos de nós não pensarmos muito no futuro dos outros, ou quiçá em nosso futuro... Quando não temos a capacidade de refletir sobre o nosso futuro e desejar estar lá, outros aparecem e pensam esse futuro por nós, e para nós. É como se fossemos crianças inocentes e sem maturidade para tal, e nosso sucesso e projetos de vida ficam no intervalo entre os nossos desejos e o que os outros desejam de nós...
Existem aqueles que adotam o conselho de um pagodeiro famoso que anuncia o “deixar a vida nos levar”, e caem na boca do tubarão mais cedo ou mais tarde... A visão de futuro não está só na necessidade de ser uma pessoa ou organização planejada, mas está na necessidade de termos autonomia para sonhar. A autonomia e a ação andam de braços dados no terreno da construção de um futuro melhor. É... Pois o futuro é o lugar aonde todos vão, maduros ou não. Nunca esqueca disso...
Assim sendo, podemos nos perguntar: Conduzimos nossa vida para o futuro ou somos conduzidos? Quem conduz tem maturidade e autonomia para tanto? Não precisamos saber “como” vamos e “onde” chegaremos, mas temos que responder “para que”, senão, outros que brincam na areia conosco podem responder equivocadamente por nós a respeito do nosso futuro...
Que diante do futuro possamos repensar a vida, reconhecer que sempre estivemos numa corrida de obstáculos, descobrindo a cada salto, o quanto de “obstáculo” somos nós mesmos. Para tanto, alguém já disse que: “a grande chave para a satisfação humana é algo que quase sempre nos escapa. Não é conseguir o que queremos, mas sim querer aquilo que conseguimos...”.
Um dia espero ver meu filho em um futuro ainda mais feliz que naquela manhã praieira na “Veneza Brasileira”. Espero que reflitamos eu e você com maturidade e autonomia sobre o nosso futuro, sobre nossas limitações, e virtudes, afim de conquistarmos os sonhos. Tenho dito aos amigos uma frase que brotou no meu coração nessses tempos: Vai com tudo e conquista!
Feliz e abençoado futuro a todos os que nos acompanham nestas humildes reflexões! Ah... Quando você conquistar, me chama para a comemoração...

sábado, 12 de dezembro de 2009

Romper para viver



O que é inovar? Bem. É possível encontrar um caminho de dentro para fora quando desejamos que as coisas mudem. Precisamos estabelecer uma política para que as mudanças aconteçam. “Inovar”: vem do Latim INNOVARE, “tornar novo, renovar”, de IN, “em”, mais NOVUS, “novo”.Isso é inovação é mudar de dentro para fora. A inovação acontece quando as oportunidades e circunstâncias demandam novas atitudes.
Existe, atualmente, um certo desgaste com essa expressão. Parece que esta ação não pertence ao curso natural das coisas, mas é mister na voz daqueles que defendem uma luta constante contra a insatisfação. Claro que inovação implica em riscos e é o resultado persistente de trabalho e de planejamento, com atenção às necessidades do processo, às mudanças em termos de modos de percepção, significação e conhecimento.
Inovar não é renovar. Renovar vem do latim RENOVATIO, de RENOVARE, é repetição ou a nova execução de alguma coisa, é restaurar o antigo. É mudar de fora para dentro. Para tanto a Espiritualidade é a melhor parceira da Inovação. A Espiritualidade e a Inovação se familiarizam. Uma exige que se coloque ordem em sua vida a outra aponta o caminho e a direção da mudança. Quando se quer ter um espírito inovador que formule uma ética de mudança de dentro para fora, é hora de colocar em ordem o mundo interior.
A inovação, de fato, dá um significado novo e importante ao que já era útil. A maioria esmagadora das inovações bem sucedidas explora a mudança continuada, pois inovação exige continuidade. Inovação não é somente um movimento em direção ao novo. Não basta mudar por mudar. Inovação requer um compromisso com os fundamentos dos valores, sejam da alma, da vocação e missão.
O que você faz tem a ver com sua missão, seus valores, sua capacidade de desempenho e os resultados esperados? A inovação requer informação e formação para tudo. Ela fica comprometida se você não tem informações e formações confiáveis. Informações e formações adequadas facilitam os relacionamentos, favorecem a que as pessoas se entendam melhor. As pessoas envolvidas no processo de mudança devem ser estimuladas de forma coerente a respeito do que se espera acontecer.
Na verdade inovação é uma questão que envolve uma dialética. Sempre se produz uma “terceira coisa”. De um lado, você tem uma tendência à inércia, à resistência a todo processo de mudança. De outro, você tem as tendências personalistas e as relações de poder que interferem no rumo das mudanças. O resultado tangencia aos dois lados.
Uma política de mudanças é aquilo que dá identidade ao agente: seus valores, seus princípios, suas conquistas consolidadas até o momento. Seu foco não pode estar centrado na repetição de rotinas, estruturas ou procedimentos anacrônicos. Innovare é estabelecer uma continuidade aos seus marcos fundadores e estabelecer uma ruptura com os processos ineficazes da vida. O equilíbrio entre continuidade e ruptura é o que caracteriza o espírito inovador. É romper para viver!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Reflexões sobre Gestão e Espiritualidade


A espiritualidade, que sempre esteve mais restrita às religiões, atualmente vem penetrando campos antes inimagináveis. Seria muito imaginar que empresários e executivos buscassem ajuda em atividades tão diferenciadas, dentre as quais estivesse a espiritualidade como carro chefe. Cada vez mais congressos são realizados com essa temática. Sem que se esperasse, a espiritualidade surge como uma espécie de norteadora para as angústias humanas atuais.
Contudo, a espiritualidade vem sendo semeada há muito e muito tempo, inclusive por homens de ciência. Os físicos quânticos como Fritjof Capra provocaram reflexões sobre espiritualidade e o pensamento sistêmico há poucas décadas. Também a globalização esteja nos ajudando a descobrir um mundo novo dentro das organizações. A tensão atual e a angústia têm sido muito intensas na vida das pessoas e suas atividades. A espiritualidade parece mostrar-se como um caminho adequado diante desta crise de identidade pós-moderna.
Judi Neal, professora de gestão da Universidade de New Haven em Connecticut - EUA, já disse que se empresários, executivos e gestores não estiverem verdadeiramente envolvidos com seus propósitos de vida estarão fadados ao esfacelamento pessoal e depois organizacional. Diz ela: "Se qualquer organização quiser sobreviver, terá que promover radicais transformações em si mesma. Estas não se referem a estrutura, mas sim aos valores, essencialmente, aos valores do coração e da alma”.
É necessário perceber claramente uma convergência entre os físicos e místicos, definindo uma identificação entre espiritualidade e unidade universal. Como partes inseparáveis do universo, não somos apenas responsáveis por nós, mas por tudo o que nos cerca e por tudo o que fazemos. Por mais paradoxal que pareça, temos que aprender a cuidar de nós mesmos na medida em que cuidamos dos outros.
É preciso repensar as idéias fragmentadoras da realidade que nos des-integram como todo... O desenvolvimento da espiritualidade significa caminhar em direção à integração, à união, à unidade universal. Qual a possibilidade de começarmos a refletir sobre a ajuda que a espiritualidade pode fornecer às organizações, inclusive empresariais? Precisamos entender que a espiritualidade configura-se como um caminho que nos ajuda a desenvolver a consciência de estar neste mundo de um modo responsável. Ser responsável por si mesmo significa ser responsável também pelos outros.
O especialista em RH e gestão Gilberto Velloso diz que para tornar possível o alcance da consciência deste fato, é preciso libertar a própria essência. Está na essência de cada um o maior potencial de contribuição à disposição da sociedade, um bem deveras precioso para ser jogado fora como temos feito desde a revolução industrial. A espiritualidade pode ajudar-nos a assumir nossas responsabilidades perante a vida em todos os sentidos, dos quais a responsabilidade profissional é apenas uma.
Espiritualidade... Em tempo, é o que devemos refletir com os amigos.