segunda-feira, 30 de novembro de 2009

133 - O valor da bênção e da vida

Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. / É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes. / Como o orvalho de Hermom, e como o que desce sobre os montes de Sião, porque ali o SENHOR ordena a bênção e a vida para sempre. (Salmo 133).
O tempo pode ser celebrado, vivido, gasto, perdido, ganho e experimentado de várias formas. Os gregos antigos consideravam a temporalidade de pelo menos três formas. A primeira delas era o Cronos (tempo como sucessão dinâmica, fluxo, movimento), a segunda era o Aion (Duração, tempo como renovação cíclica da experiência) e Kairós (Maturação de Resultados ou Tempo oportuno). O Kairós, no entanto, é aquilo que consideramos como cristãos “o tempo de Deus” para todas as coisas; e não o nosso Cronos, ou seja, o Kairós é o tempo perfeito.
Lembrando de perfeição, lembrei do Salmo 133, ao qual tem na soma de seus algarismos o resultado de Sete, o número cabalístico da “perfeição”. Lembrei também que, o que é perfeito tem que ser kairós, pois se não é oportuno de nada serve para o hoje. De fato, o Salmista Davi nos trás nesta poesia um recado oportuno e especial para o ser humano da pós-modernidade, tão descentrado, dividido, divisor, individualista, egoísta, egocêntrico e estressado... Ele nos alerta que podemos prejudicar as bênçãos oportunas de Deus se não atentarmos para alguns perigos mortais.
Em primeiro lugar, devemos atentar para tristeza que a divisão e a uniformidade promove. Davi certamente estava se referindo a união de irmãos quando celebrava a união de todas as tribos em seu reinado. Ele falava claramente de família e não de estranhos... Para ele, era uma alegria ver a diversidade de cores, de expressões culturais de cada tribo de Israel, da vocação de cada família, da riqueza de cada tenda, reunida para formar um caleidoscópio familiar que celebrava o melhor que eles tinham: A benção do seu Deus.
Infelizmente, hoje temos um apelo mais para sermos quase “números”, para deixarmos de lado aquilo que podemos partilhar na diferença e na diversidade. O salmista nos diz, em outras palavras, que Unidade não é uniformidade, e que, viver em família é uma condição de Benção Eterna. Você percebe como isso é agradável?
Em segundo lugar, devemos atentar para sermos sábios ante sermos cultos ou intelectuais. Um bispo de nossa igreja certa vez afirmou que há uma grande diferença entre o intelectual, o culto e o sábio. Disse ele: “O intelectual tem um grande conhecimento, mas não compartilha esse com ninguém, guardando-o só para ele; o homem culto faz do seu grande conhecimento um instrumento de vaidade, e só o expõe para seu proveito ou quando pode ser aplaudido por ele; mas o homem sábio compartilha seu o conhecimento com o povo e no meio do povo, pois sabe que precisa do povo para construir a sua sabedoria...”. Porém, em um mundo de muitos homens “cultos” e “intelectuais”, Davi nos canta a pedra do valor de ser Sábio e Servo, apontando como condição de Benção Eterna.
E em terceiro lugar, devemos atentar para o refrigério necessário para alma do nosso irmão. Para aqueles que desconhecem a geografia da Palestina, o monte Hermom, que fica ao norte desta região, permanece coberto de neve ano após ano, e quando a brisa e os ventos fortes palestinos carregam o frescor do seu pesado orvalho, esse, gelado, alcança até as regiões mais secas e áridas próximas do monte Sião, que fica ao Sul da palestina, atravessando assim o extenso deserto do Neguebe. Surge então Vida a partir do Hermom, esse estende seu refrigério e renovo até Sião.
Que nesse kairós possamos ouvir o poeta hebreu em seu salmo, e assim, aprendermos algumas condições que nos levam “a bênção e a vida para sempre”... O Valor Perfeito!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Quanto de conhecimento e de iniciativa você tem?

Não quero fazer apologia a motivações belicosas, mas quando pensamos em desenvolver estratégias para vencer as dificuldades diante de nós ou dentro de nós, pensamos em alguns conquistadores da história, que planejavam bem a conquista dos seus objetivos.

Um desses disse certa vez: “A estratégia é a ciência do tempo e do espaço. Sou menos avaro com o espaço que com o tempo. O espaço, podemos reganhá-lo. O tempo perdido, jamais.”.

Em tempos que o espaço é curto e o tempo é ínfimo podemos afirmar que para planejamos estrategicamente devemos considerar a essas palavras de Napoleão Bonaparte.

Entretanto, as questões que consistem em motivar as nossas estratégias de mudança de vida ou mudança organizacional têm por primo-traço uma entendimento claro de quem pode nos ajudar a conquistar o que queremos e quem pode nos atrapalhar.

Lembrei então de algo que Napoleão usava para escolher aqueles que iriam ajudá-lo em suas conquistas e como ele fazia para selecionar os mais relevantes parceiros na realização dos objetivos. Bonaparte sempre selecionava, segundo seus critérios, os integrantes de suas tropas em quatro possíveis perfis para ocupar os espaços da realização. Eram eles: Os ignorantes sem iniciativa, ignorantes com iniciativa, inteligentes com iniciativa e inteligentes sem iniciativa.

Os ignorantes com iniciativa não eram admitidos em suas tropas. Esses ele expurgava assim que os identificava. A falta de conhecimento com iniciativa pode causar um verdadeiro estrago na batalha. Decisões bem motivadas que vêm da parte de quem tem pouco ou nenhum conhecimentos destroem a vida do indivíduo e das organizações. Outro grupo era constituído de ignorantes sem iniciativas, eles eram colocados na frente do combate (“buchas de canhão”). São os que não fazem mal a ninguém e devem fazer parte da grande força coletiva na batalha pela conquista da mudança. Havia o grupo dos inteligentes sem iniciativas, que eram colocados como oficiais. Esses, se bem conduzidos e liderados formariam bons realizadores das tarefas. São grandes parceiros em nossa vida e na vida organizacional. Já os inteligentes com iniciativa eram colocados fora do grupo de batalha. Esses constituíam sua comunidade de estrategistas, que tinham liberdade de sugerir e planejar as ações a executar. Esses eram seus generais.

Certamente podemos reconhecer o real motivo de sermos os nossos próprios generais ou saber escolhe-los muito bem. Contudo, devemos olhar para o planejamento estratégico de nossas vidas e organizações convictos de que quanto mais conhecimento tivermos juntado à produção de nossas iniciativas mais estaremos conquistando novas fronteiras pessoais.

Fica então a pergunta: Quanto de conhecimento e de iniciativa você tem?

domingo, 15 de novembro de 2009

Quem são os competentes da história?

Atualmente, muitas pessoas falam sobre competência. Fala-se até em “meta-competência” nestes tempos de competitividade profissional. Sem dúvida o conhecimento quando é assimilado e posto em prática torna-se competência, assim como, quando o talentos e a habilidade se abraçam, também temos a competência como resultado... No entanto, as competências são reconhecidas pela capacidade que temos de tomar decisões, de resolver e administrar problemas. Afinal, ser competente é saber fazer e fazer bem, avaliando isso honestamente.
Existem pessoas que confundem competência com profissionalismo e tarefas feitas sem seriedade e competência com amadorismo. Aos nossos olhos podemos estar nos vendo como “competentes e profissionais”, mas na verdade podemos ser os incompetentes e despreparados da história.
Gosto muito de uma estória já conhecida de muitos, que fala de um açougueiro estava em sua loja e ficou surpreso quando um cachorro entrou. Ele espantou o cachorro, mas logo o cãozinho voltou. Novamente ele tentou espantá-lo, foi quando viu que o animal trazia um bilhete na boca. Ele pegou o bilhete e leu: - Pode me mandar 12 salsichas e uma perna de carneiro, por favor. Assinado... Ele olhou e viu que dentro da boca do cachorro havia uma nota de 50 Reais. Então, pegou o dinheiro, separou as salsichas e a perna de carneiro, colocou numa embalagem plástica, junto com o troco, e pôs na boca do cachorro.
O açougueiro ficou impressionado e como já era mesmo hora de fechar o açougue, ele decidiu seguir o animal. O cachorro desceu a rua, quando chegou ao cruzamento deixou a bolsa no chão, pulou e apertou o botão para fechar o sinal. Esperou pacientemente com o saco na boca até que o sinal fechasse e ele pudesse atravessar a rua.
O açougueiro e o cão foram caminhando pela rua, até que o cão parou em uma casa e pôs as compras na calçada. Então, voltou um pouco, correu e se atirou contra a porta. Tornou a fazer isso. Ninguém respondeu na casa. Então, o cachorro circundou a casa, pulou um muro baixo, foi até a janela, e começou a bater com a cabeça no vidro várias vezes.
Depois disso, caminhou de volta para a porta, e foi quando alguém abriu a porta e começou a bater no cachorro. O açougueiro correu até esta pessoa e o impediu, dizendo: - Por Deus do céu, o que você está fazendo? O seu cão é um gênio!' A pessoa respondeu: - Um gênio? Esta já é a segunda vez esta semana que este estúpido esquece a chave!
Algumas lições destacamos nesta ilustração. Uma delas é a certeza de que você pode continuar excedendo às expectativas, mas para os olhos de alguns, você estará sempre abaixo do esperado e sendo considerado um incompetente. A outra é que muita gente confunde amadorismo com falta de competência, ou que profissionalismo é sinônimo de competência. Pois podemos fazer coisas com amadorismo (coisas feitas por amor) usando de muito conhecimento e competência...
Alguém já disse certa vez que quem conhece os outros é inteligente. Entretanto, podemos dizer que quem conhece a si mesmo é iluminado. Esses se destacam no que fazem, mas nem sempre são chamados de competentes na história...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O que é uma “Empresa Viva”?

O que deixaremos para a geração futura? Como estamos traçando nosso caminho para o futuro? Estamos apoiados em que valores para construir o futuro dos que nos sucederão? Essas perguntas têm suas respostas relacionadas com a espiritualidade.
A espiritualidade nas organizações prima pela excelência das pessoas que as compõem. Ela esta diretamente ligada a um permanente envolvimento dos seus executivos, gestores, colaboradores com uma ética comprometida com valores sadios e positivos, bem como com não só com o desenvolvimento econômico da sociedade, mas com a melhoria da qualidade de vida das pessoas envolvidas no processo produtivo e nas prestações de serviço.
Chamamos as empresas que são espiritualmente saudáveis de “Empresas Vivas”. Elas cultivam a espiritualidade no local de trabalho e em seus planejamentos estratégicos. São empresas que:
Que respeitam o meio ambiente, buscando à superação da pobreza, visando fim da marginalidade e ao desenvolvimento sustentável;
Que estão comprometidas com a ética, com o apego a valores saudáveis e virtuosos em suas relações com seus clientes e seus fornecedores pautados na honestidade e na transparência;
Que conseguem harmonia entre a lucratividade e dignidade humana;
Que fazem da competitividade um propósito a mais de parceria;
Que seus enfoques estão na satisfação do cliente como ser humano dotado de uma integridade física, psíquica, emocional e espiritual;
Que estão comprometidas com a sustentabilidade, tendo competência para satisfazer as suas necessidades sem reduzir as oportunidades das gerações futuras;
Que estão preocupadas com o imenso contingente pessoas excluídas do mercado de consumo;
Que combatem a exploração da mão-de-obra, quer seja infantil, quer seja de pessoas que estejam sujeitas a qualquer processo de escravidão;
Que estejam envolvidas com programas de redução do consumo de energia, redução de emissão de resíduos tóxicos, programas de reciclagem, valorização de recursos renováveis, agregação de valor aos produtos e serviços.
Assim a Gestão Viva focaliza diretrizes e ações administrativas – planejamento, controle, direção, alocação recursos – realizadas com o objetivo de proporcionar efeitos sobre a qualidade de vida das pessoas visando ao bem estar comum.
Empresas Vivas são empresas cujos executivos redescobriram o reencantamento da vida e com isso mobilizam atitudes e ações voltadas para a solidariedade, para a inclusão e para a sustentabilidade.
Se considerarmos que a arte da gestão é a competência de liderar pessoas, com vista a uma missão, a preocupação com gestão espiritual da empresa é a competência necessária para motivar pessoas em favor da construção de condições para uma vida melhor, mobilizando recursos, ações e pessoas. A espiritualidade na gestão atua em um ponto de conflito, no qual o encontro entre a realidade e a noção de valor, entre a existência e o que chamamos de sagrado, confere sentido, valor e qualidade à gestão pessoal e organizacional.
Você sabe o que é uma empresa viva?