sexta-feira, 9 de outubro de 2009

“Se for pro Gol! Me chama, que eu vou!”

Alguém já disse que o narrador esportivo é um “vendedor de ilusões”. Está na sua labuta descrever o que ocorre num jogo de futebol, com precisão e detalhes. Entretanto, o que sempre marca e identifica a cor da voz do narrador é sua frase de efeito... Aquelas que só de ouvir sabemos de onde vem e para onde vai.
Essas frases e bordões são patrimônio dos grandes narradores brasileiros. Waldir Amaral dizia: “O relógio marca...”. Lembro do saudoso Adilson Couto dizendo: “Tem gente mexendo no placar...” De Roberto Queiroz bradando: “É cacete! Que cacetata!”. Fernando Sasso gritando: “Tá no filóóó!”. Osmar Santos no seu “chiruliruli-chirulirulá”, bem como Galvão Bueno iniciando suas transmissões com o famoso: “Bem, amigos...”.
Quando cheguei em Santa Maria da Boca do Monte não me furtei a acompanhar os jogos dos times locais nas rádios da cidade. Foi quando me deparei com uma voz afiada, de linguagem clara e que rapidamente seduziu por sua vibração ímpar. Era a voz de um narrador que chegava a falar até com a bola dentro da rede. Esse narrador dizia: “Se for pro Gol, me chama! Me chama, que eu vou!”.
Marion Mello, o “Garganta do Vento Norte” é um dos grandes. Homem de imprensa, é, sem dúvida, um patrimônio dos santa-marienses. Recentemente, o seu programa de rádio semanal “Roda Brasil” completou quinze anos de promoção ao esporte, a cultura e ao entretenimento. Marion debuta com competência a difícil tarefa de falar dos heróis de nossa cidade.
Os heróis são aqueles que batalham por uma conquista, por uma vitória, seja ela qual for, seja ela quando for. Heróis são os santa-marienses, os gaúchos, os brasileiros de cada dia, que lutam na conquista de um lugar ao sol, de um mundo melhor, por uma vida vivida com vida. No entanto, os heróis têm por trás de suas máscaras e fantasias, pessoas comuns... Pessoas que sofrem, que se sacrificam, sacrificam os outros, choram, riem, cansam, tropeçam, levantam, reconstroem, somam e renascem... São pessoas que muitas vezes se esquecem de viver para dar vida ao herói que está na frente da máscara. O atleta, o esportista, o desportista, a pessoa pública, o líder, a celebridade, todos são pessoas comuns por trás do herói ou da heroína.
Sabemos que a ludicidade do ser humano está presente durante toda a sua vida, e não fica guardada apenas na infância. O Lundens faz do Sapiens aquele que gosta de brincar, que gosta de jogar durante toda a vida. Por isso, todos temos um pouco de Super-Man e de Clark Kent, de Mulher Maravilha e Diana Prince dentro de nós...
Para tanto, Marion quando fala desses heróis, o faz de forma diferente de muitos outros que conheço. O “Garganta do Vento Norte” tem uma grande singularidade quando narra, promove e comunica sobre sagas heróicas: Ele chama os heróis de AMIGOS. Conhece as pessoas comuns que estão por trás do “herói”, e as chama pelo nome. Isso faz dele um grande comunicador e um grande ser humano.
Ofereço minhas orações neste jubileu do “Roda Brasil”, ao Marion Mello, para que Deus permita que ele continue narrando a história dessa gente, como só ele sabe narrar. Na certeza que muitos estarão acompanhando esses momentos e ouvindo sua voz gritando: “Se for pro Gol, me chama! Me chama que eu vou!”.