sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Espiritualidade nas organizações

Muito recentemente no Brasil tem se tratado a espiritualidade como uma inteligência que, se bem desenvolvida e madura, tem um papel fundamental na vida do ser humano e nos meios onde ele se organiza coletivamente. A espiritualidade não é espiritualismo e muito menos religiosidade. Quando falamos de espiritualidade não estamos abordando métodos de meditação ou mercadologia da fé, bem como nenhuma regra de oração, ritos ou dogmas.
Para clarear ainda mais o conceito, vale salientar que espiritualidade e religião não são, porém, sinônimos. Ser alguém maduro espiritualmente não significa exibir qualquer religião. Mais especificamente, a espiritualidade diz respeito ao fato de as pessoas desejarem de serem únicas, de estarem em união com algo superior a si próprios, de serem úteis, de compreenderem e serem compreendidos, de constituírem valores que tragam saúde aos seus relacionamentos, descobrirem o sentido de sua existência, reconhecerem o propósito de suas vida e a necessidade de auto-organização interior.
Hoje estamos testemunhando um trabalho sério por parte de pesquisas acadêmicas no objetivo de oportunizar a contribuição da espiritualidade nas organizações. A espiritualidade nas organizações está representada na realização do trabalho com significado, no contexto de uma comunidade, com um sentido de alegria e de respeito pela vida interior.
Alguns estudiosos afirmam que a espiritualidade nas organizações pode ser interpretada como o reconhecimento, pela organização e pelos seus líderes, de que os colaboradores têm uma vida interior que alimenta, e é alimentada, pela realização de trabalho com significado num contexto de comunidade. Outros sugerem que a espiritualidade nas organizações é um quadro de valores organizacionais, evidenciados na cultura da organização, que promove a experiência de transcendência dos colaboradores por meio dos processos de trabalho, facilitando o seu sentido de conexão com as outras pessoas, de um modo que lhes proporciona sentimentos de plenitude e alegria.
O tópico adquiriu ainda crescente visibilidade nos estudos organizacionais e no “modo de vida” de muitos práticos. Afirma-se que o interesse pela matéria derivou da intensa espiritualidade dos executivos seniores do Silicon Valley, e com a generosidade que emanava de suas vidas interiores. Em 1993, a consultora de líderes, equipes e organizações Judith Neal fundou The Association for Spirit at Work (http://www.spiritawork.com/). Também na Santa Clara University, desenvolveu-se o Seminar in Spirituality and Business Leadership, e os executivos que o freqüentaram alegam efeitos muito positivos sobre si próprios, seus colaboradores e organizações. Um certo executivo definiu-o como “o desejo de encontrar o propósito último da vida e viver de acordo com ele”.
O tema também penetrou profusamente na arena científica. De forma mais contundente, desde 1992 assiste-se a um aumento súbito de conferências e workshops, assim como a uma explosão de livros na área, principalmente fora do Brasil. Aqui o tema é abordado timidamente no meio acadêmico. Esse tópico foi também reconhecido pela Academy of Management (a mais antiga e maior escola de gestão acadêmica do mundo), que criou, em 1999, o grupo de interesse chamado: “gestão, espiritualidade e religião”.
Sem dúvida o estudo da espiritualidade contribui na vida pessoal, seu planejamento e gestão, bem como está constatado que a mesma fomenta o comprometimento afetivo e normativo das pessoas no ambiente onde estão inseridas, seus grupos e organizações.
E você, sabe o que é espiritualidade nas organizações?