segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sábias palavras do meu amigo Silvino

Nós, repetidas vezes, ficamos muito seguros num aprendizado efetivado no passado. E sentimo-nos bem fundeados sobre coisas que aprendemos quando moços, perdendo, por isso, o bonde da história. Porque o bonde sempre está em movimento e com uma velocidade cada vez maior, a exigir efetivas reoxigenações.

A Universidade Brasileira somente sobreviverá se o nível de convivialidade entre os seus especialistas das áreas mais diversas for ampliado. Um docente que se preze não pode ser um especialista destituído de consistente cultura geral, como também não pode ser um generalista superficial.

Alguém me fez outro dia uma triste confissão: "Ter uma idéia nova, nesta empresa, significa ganhar 10 inimigos. Estou convencido de que, aqui, tudo se relaciona com acomodação e bajulismo". Uma radiografia desalentadora, a comprovar a veracidade do axioma acatado nos meios desenvolvidos: "A fraqueza é a força do adversário".

Contemporâneo é todo empreendedor que assimilou a lição de Hayakawa: “Se você vê somente o que qualquer um vê, pode-se dizer que, além de ser muito representativo da sua cultura, você é também vítima dela”.

Preguiça, ignorância e incompetência não são armas para quem busca transformações conseqüentes e duradouras. George Orwell costumava dizer que os jovens de classe média vão para a esquerda por desemprego, sempre cobrando dos outros aquilo que não podem oferecer. Que os postulantes, veteranos e novatos, bem assimilem o ensinamento gramsciano: “Todo grande homem político não pode deixar de ser também um grande administrador, todo grande estrategista, um grande tático, todo grande doutrinador, um grande organizador”.

Tenho admiração pelos que possuem aquilo que Blaise Pascal definia como “esprit de finesse”. E que é diretamente proporcional ao asco sentido pelos que se imaginam muito acima das divindades, sócios de Deus, igualzinho aquele ajumentado cheio de reais que entrava nas igrejas de óculos escuros para Deus não lhe pedir autógrafo.

Juntemos as nossas migalhas de esperança. Vejamos os caminhos já percorridos e que não mais satisfazem. E verifiquemos as forças que nos restam, especialmente as que fundeiam a dignidade, para que possamos ingressar num futuro sem qualquer humilhação.

Fernando Antônio Gonçalves - Intelectual orgânico e meu amigo