sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O Medo é a "mola" da sociedade...

Certa vez disse o grande advogado criminalista, Dr. Waldir Trancoso Peres, em um dos seus discursos que Freud estava errado ao apontar o Prazer (a Libido) como sendo a “mola” da sociedade. O Medo, dizia ele, o Medo é a “mola” da sociedade! Será que ele estava certo? Bem, o medo nos traz a clara sensação de que estamos vivos.
Como qualquer mecanismo de defesa, o nosso organismo encontra no medo um grande auxílio no alerta aos perigos e as ameaças que podem nos afligir e promove em nós uma reação preventiva. Isso nos prova que todos têm saúde, têm medo. Temos medo de tudo... Medo de não viver, medo de insegurança, medo do abandono, medo do fracasso, medo de ter uma vida irrelevante... Você pode estar lendo esse texto por medo de perder o tenho para compartilhar esta semana, por exemplo...
Todo sujeito tem medo de ser assaltado, de perder o emprego, de falir, de ser vitima das violências, de ser verdadeiro, perder a quem ama, de ser feliz... Mas o medo mais comum de se experimentar é o do inevitável: a Morte.
Podemos aprender que o medo não é para ser superado ou derrotado, mas para ser enfrentado. Lembro da época em que era atleta de natação de alto nível, quando meu técnico, o respeitado professor João Reynaldo “Nikita”, afirmava para seus atletas: “Vocês têm que ter um certo medo antes da prova, o medo vai deixar vocês focados na responsabilidade de vencer. Só não tenham covardia...”. Enfrentar o medo é saber que ele tem suas vantagens e pode nos ensinar boas lições. Isso nada tem a ver com covardia.
Covardia é permitir que o medo nos imobilize e impeça que tomemos as atitudes necessárias. O covarde é aquele que fica dependente de seu medo e com o passar do tempo torna-se seu prisioneiro. Entretanto, a coragem é o resultado de um alto-conhecimento que nos leva a entender quem somos, e assim enfrentar os riscos de atingir nossos objetivos. A coragem é a fruto de uma inteligência espiritual desenvolvida e amadurecida que nos ajuda a enfrentar as adversidades, tomar decisões e acreditar em nosso potencial. Coragem é enfrentar os perigos com responsabilidade, pois enfrentá-los irresponsavelmente é ser valente. Valentia e coragem nem sempre andam juntas...
O medo é muitas vezes alimentado por uma pedagogia da mediocridade. Muitos estimulam a mediocridade, pois assim não terão medo do que acontecerá no futuro. A mediocridade do presente torna o futuro previsível. Os que se sobressaem são taxados como ameaça, os que inovam como loucos, os talentosos são vistos como complicados... Tudo em nome da mesmice. Tudo em nome do medo de crescer e mudar. É melhor a padronização covarde que a diversidade corajosa.
Que bom que mudar é próprio dos seres vivos. Mudar é um processo da vida onde se sai da segurança para uma nova condição. Porém, estamos em busca de estabilidade e certezas que não nos livram de ter medo e nos acostumamos em uma zona de conforto que só faz sentido para nós mesmos.
Jesus enfrentou o medo com a oração no momento mais difícil de sua jornada até a cruz. Ele se fortaleceu para um futuro vitorioso, mas que exigia total sacrifício. Contudo, me lembro bem das primeiras palavras que Ele disse depois de ressuscitado, ainda no jardim do sepulcro para aquelas mulheres: “Não tenham medo!” (Mt. 28:10).
Como diria Trancoso Peres: “O medo é a mola da sociedade!”.