terça-feira, 22 de setembro de 2009

O Homo-Ludens que joga, decide...

Sempre que estamos abertos a novas possibilidades, percebemos que as oportunidades se transformam em “atalhos” para o início da realização dos desejos e dos sonhos. A capacidade de mudar o leme e traçar uma nova rota, seja na vida, no grupo, na comunidade, na empresa está engastada na capacidade de decidir.
Decisão é algo que para muitos não consta no dicionário de suas vidas. Existem pessoas que tem como resultado de sua educação, de sua história de vida, a infeliz dificuldade de tomar decisões. São indivíduos frágeis emocionalmente, dependentes financeiramente, oprimidos socialmente, apáticos espiritualmente, mesmo quando intelectualmente privilegiados.
Quem não conhece alguém assim? São aquelas pessoas que nunca decidem. São aquelas que os outros decidem por elas, e que nunca querem deixar a “zona de segurança”, pois não gostam de correr riscos. Porém, essas pessoas ou “enrugam”, ou são esquecidas, e ficam quase sempre pelo caminho.
Mas será que decidir é arriscar? Bem, nem sempre. Contudo, o risco deve ser bem visto e entendido para que as oportunidades sejam ampliadas e as potenciais perdas sejam diminuídas na hora da decisão. Dentre várias ferramentas que podem ser usadas para gerenciarmos nossas decisões, uma delas está na capacidade de ouvir experiências relevantes. A capacidade para mudar não está nos conselhos dados, nem nas boas intenções, mas está em algo que une as pessoas na experiência de partilhar soluções. Aliás, lembro sempre de quando o amigo, consultor e professor doutor da UFSM, Rolando Soliz Estrada diz, quando vai partilhar algo, com aquele singular sotaque: “Ouça bem! Vou dar uma dica! Conselho eu não dou; dou apenas dica...”. Com isso ele colabora com as oportunidades dos seus ouvintes produzirem, não reduzindo o risco das suas decisões.
O termo “risco” vem do italiano “risicare”, que por sua vez é derivado do baixo-latim “risicu, riscu”, que significa arriscar. O termo indica que o risco significa ousadia, já que permite uma opção, e não relegar os acontecimentos para o destino. O termo significa também a colocação do futuro a serviço do presente. Risco também significa desafio e oportunidade, sendo também ponto-chave da natureza da tomada de decisões.
Arriscar é parte do jogo da existência. Afinal, o ser humano é também *Homo-Ludens*. É do jogo que nasce a cultura (os animais também brincam e jogam), sob a forma de ritual e de sagrado, de linguagem e poesia, permanecendo subjacente em todas as artes de expressão e competição, inclusive nas artes do pensamento e do discurso, bem como no jogo jurídico, na acusação e na defesa polêmica, como também, na arte do combate e na da guerra em geral.
Quando uma criança não joga, não se desenvolve, não se aventura em algo novo, não alcança o desconhecido... Se a criança joga está revelando ter aceito o desafio do crescimento, de ter a possibilidade de errar, de tentar arriscar para progredir e evoluir. Porém, não se joga sozinho. Precisa-se conhecer as regra, ser ensinado a jogar, ouvir a dica de quem já joga a mais tempo, se relacionar e observar as possibilidades.
Assim como Deus decidiu por criar a tudo e a todos, um dia um grupo se arriscou numa nova possibilidade de viver, deixando as cavernas e assumindo riscos... Decidiu.
Eles saíram da “zona de segurança”, e você?
Quer uma dica? Lá vai: Nós chegamos até aqui por uma decisão...