sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Qual será o Futuro da “Igreja”?

Onde está a linha que define o “corpo” do cristianismo da dita “instituição Igreja”? Que modelo vai resistir as dinâmicas daquilo que chamamos de pós-modernidade? Veremos nas vindouras décadas o fim do que chamamos de Igreja (fiéis em templos)? Ou a mudança dos seus conceitos? Que fôlego ainda tem a Instituição de propaga oficialmente a mensagem do Cristo? Estas perguntas geram muitas reflexões e apreensões sobre modelos existentes e outros que surgirão.
Gostaria de lembrar o que o teólogo Ed René Kivitz definiu, na sua opinião, quais serão as 10 principais possibilidades de igrejas no futuro no Brasil:
“Denominacionalismo dogmático - Igrejas tradicionais (batistas, presbiterianas, anglicanas, luteranas, metodistas, católicas e outras) que buscarão preservar suas doutrinas e sua tradição. Seguirão o que vem acontecendo na Europa, pois estas igrejas deverão ver a redução na sua quantidade de membros. No futuro, muitas destas igrejas poderão fechar, tornando-se bibliotecas e centros de cultura cristã; Pentecostalismo histórico - Igrejas pentecostais buscarão preservar o movimento pentecostal, com ênfase no poder e nas experiências místicas que caracterizam o movimento; Pós-pentecostalismo - Igrejas independentes e novas. São sincretistas, continuarão misturando religiões africanas, indígenas, características da cultura brasileira com a tradição cristã pentecostal e católica. Por pregarem um evangelho inventivo, que promete bênçãos materiais em troca da fé, comprometendo a mensagem do Cristo. Apesar disso, é um movimento que deve continuar crescendo; Igrejas com engajamento social - Comunidades católicas que têm como base a teologia da libertação e protestantes com base na teologia da missão integral. Continuaram como igrejas que procuram transformar a sociedade dando forte ênfase ao engajamento social. Como não fazem mediação entre a ação e a espiritualidade, diante de uma crise econômica elas definham; Cristãos nominais - Pessoas que a princípio vão continuar buscando mudança de religião e não mudança de vida. Ex-católicos, principalmente, que a princípio são atraídos por promessas de bênçãos materiais, mas tornam-se frustrados, e deixam de se comprometer com a igreja, sem deixar de se declararem “cristãos”. Tendência muito forte a crescer nos próximos anos; Comunidades independentes - Igrejas que continuarão a serem fundadas para corrigir desvios das igrejas de onde saíram seus fundadores. Elas tendem com o tempo à institucionalização e aos possíveis desvios que nasceram para corrigir; Igrejas nas casas - Deverão crescer muito o número de pessoas que não freqüentam, nem são membros de igreja (instituição) nenhuma, mas que reúnem-se com outros cristãos nas casas para estudar a bíblia, orar e manter a comunhão; Igrejas administradas como empresas - Embora seus líderes tenham boas intenções, continuarão como igrejas que utilizam “pacotes metodológicos” importados. Igrejas que seguem os métodos do G12, Igreja com propósitos e outros. Segundo Kivitz, estes métodos são a maneira como as igrejas se organizaram após crescerem, não o método que utilizaram para crescer. Estes métodos induzem as igrejas a terem o crescimento como objetivo principal. Por isso estes métodos são de gestão e não de crescimento; Igrejas-“impérios privativos personalistas” – Serão aqueles empreendimentos de homens visionários. Business. Igrejas com forte ênfase no marketing e propaganda, que divulgam suas marcas (vendendo produtos associados a elas, inclusive) e existem para ganhar dinheiro e juntar capital político. Kivitz cita o exemplo da “Marcha para Jesus” como um evento para “juntar capital político”. Segundo ele, por terem um “dono”, estas denominações estariam desclassificadas conceitualmente como igrejas; Igreja na informalidade – Serão um movimento não-insititucional. Comportarão os cristãos que aproveitam instituições, igrejas, missões, teólogos, sem se comprometerem com (ou se tornarem membros de) nenhuma instituição. É o cristão que, por exemplo, vai ocasionalmente a uma ou outra comunidade, dá seu dízimo para uma ONG, ajuda uma determinada Missão, mas não pertence a nenhuma destas expressões. Segundo Kivitz, este tipo de cristão tende a crescer nas próximas décadas, Seria o cristão que gosta de ser servido, mas não se compromete com o servir...”
Infelizmente, estamos olhando para o futuro da igreja como quem olha para o retrato... e não para a paisagem além da janela. Que Deus nos ajude a ver quem realmente somos como cristãos... Afinal, qual será o futuro da “Igreja”?