sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Não, obrigado! Prefiro café...

Como bom nordestino, sou um bom tomador de café. Diariamente pela manhã, no almoço e no jantar sempre estou acompanhado de uma boa xícara de café preto. Dizem que o café é bom para evitar câncer de próstata, que é bom estimulante para quem quer produzir mais acordado durante a noite, dizem que melhora a vitalidade, a memória, a atenção e a produtividade. Além do que, a cafeína é um auxiliar no tratamento de doenças como o mal de Alzheimer.
Entretanto, o café me lembra a casa de minha mãe, o cheiro de minha família, a conversa preciosa à mesa antes de uma jornada diária, a um bom “bolo-de-rolo” pernambucano, aos amigos do trabalho, e as conversas com meu velho, regradas a um bom licor de jenipapo e cafezinho...
Bem, dizem que tudo em excesso faz mal, até café... Daí se conhece o limite entre o hábito e o prazer, o desgaste e o vício.
A variedade dos hábitos e comportamentos humanos tem se refletido nos excessos que acontecem no cotidiano da vida. Excessos de violência, de informação, de imagens, de desejos, de diferenças, de preferências tornam a vida ainda mais desgastante...
Antes a diversidade que a mono-cromatização da vida, porém, o excesso atual tem provocado uma crise que consiste na incapacidade de assimilarmos a exagerada “oferta”. Com isso aparecem as dificuldades de escolhas e de tomada de decisões. O medo de escolher errado e fracassar, ou de perder a “oportunidade” que passa é um dos grandes fantasmas da pós-modernidade...
Infelizmente vivi-se no propósito de nunca se estar satisfeito. O apelo dos dias atuais é de criar imediatamente sentimentos de desejos ou aversões nas pessoas. Jamais estará o ser humano satisfeito com uma ciranda interminável de ganhar e gastar, conquistar e perder, almejar e não se contentar e se arrepender...
O segredo do equilíbrio está na capacidade de contentamento. Contentamento não é acomodação e enrugamento, não é conseqüência de fazer ou ter. Contentamento é uma experiência do “mundo de dentro” e não do “mundo de fora”. É uma atitude interior.
Não se pode buscar a satisfação e felicidade responsabilizando os outros por isso. Não se pode projetar a felicidade ou a infelicidade transferindo para as pessoas ou às coisas uma tarefa que é própria de cada um. Muitos de nós transferimos às pessoas ou às coisas a responsabilidade de nos tornarem felizes ou infelizes.
Uma maneira de superar as irresponsabilidades que temos com o nosso “mundo de dentro” é vencer nossa insatisfação com o “mundo de fora”, a quem culpamos por tudo. Aceitar sinceramente a quem somos verdadeiramente e vivermos honestamente a nossa realidade no aqui e agora é um bom começo. Esse é o primeiro passo para descobrir o caminho do amor pessoal e da alto-estima. Mesmo diante do bombardeio dos excessos, uma pessoa contentada tem tranqüilidade para dizer não para aquilo que já disse sim...
Ter contentamento é requerer ser o que se é, nem mais nem menos. Isso não quer dizer ser conformado, mas sim resolvido. É ser feliz nas pequenas coisas da vida. Conquistar o amor próprio é gostar de café pelo simples fato de gostar de café, e não por que alguém diz que café é bom para a próstata. É tomar café pelo sabor, pelo aroma, pelo momento, pelo bom papo, pela história, pelo acompanhamento; e não pelo vício. É dizer: Não, obrigado! Prefiro café...