quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Visão de Futuro



Nesta semana, estávamos eu e meu gurizinho numa quente e ensolarada manhã na praia de Boa Viagem em Recife, e em mim surgiu uma sensação de que o futuro a ser projetado deve contar com a mais honesta motivação e com a mais sincera ciência de quem somos e como queremos alcançar nossos sonhos.
Estava com meu filho brincando na água e volta e meia, ele me perguntava quando o tubarão iria acordar... Fato que me fez rir boa parte da manhã, pois sabia como bom recifense, que tubarão naquela praia, só em “mar aberto”. Contudo, eu respondia que nós estávamos em uma piscina natural e lá na beira mar, uma tarefa nos esperava: deveríamos terminar nosso castelo de areia...
Num momento reflexivo, onde olhava para meu guri com aquela felicidade de quem a muito não via o mar, se lambuzando na areia, e se engilhando em água salgada com a mais pura inocência, pensei: O que vai ser dele no futuro? Em que homem ele vai se transformar? Onde ele estará daqui há 30 anos? Qual profissão ele vai escolher? Quem serão seus amigos?
É comum para muitos de nós não pensarmos muito no futuro dos outros, ou quiçá em nosso futuro... Quando não temos a capacidade de refletir sobre o nosso futuro e desejar estar lá, outros aparecem e pensam esse futuro por nós, e para nós. É como se fossemos crianças inocentes e sem maturidade para tal, e nosso sucesso e projetos de vida ficam no intervalo entre os nossos desejos e o que os outros desejam de nós...
Existem aqueles que adotam o conselho de um pagodeiro famoso que anuncia o “deixar a vida nos levar”, e caem na boca do tubarão mais cedo ou mais tarde... A visão de futuro não está só na necessidade de ser uma pessoa ou organização planejada, mas está na necessidade de termos autonomia para sonhar. A autonomia e a ação andam de braços dados no terreno da construção de um futuro melhor. É... Pois o futuro é o lugar aonde todos vão, maduros ou não. Nunca esqueca disso...
Assim sendo, podemos nos perguntar: Conduzimos nossa vida para o futuro ou somos conduzidos? Quem conduz tem maturidade e autonomia para tanto? Não precisamos saber “como” vamos e “onde” chegaremos, mas temos que responder “para que”, senão, outros que brincam na areia conosco podem responder equivocadamente por nós a respeito do nosso futuro...
Que diante do futuro possamos repensar a vida, reconhecer que sempre estivemos numa corrida de obstáculos, descobrindo a cada salto, o quanto de “obstáculo” somos nós mesmos. Para tanto, alguém já disse que: “a grande chave para a satisfação humana é algo que quase sempre nos escapa. Não é conseguir o que queremos, mas sim querer aquilo que conseguimos...”.
Um dia espero ver meu filho em um futuro ainda mais feliz que naquela manhã praieira na “Veneza Brasileira”. Espero que reflitamos eu e você com maturidade e autonomia sobre o nosso futuro, sobre nossas limitações, e virtudes, afim de conquistarmos os sonhos. Tenho dito aos amigos uma frase que brotou no meu coração nessses tempos: Vai com tudo e conquista!
Feliz e abençoado futuro a todos os que nos acompanham nestas humildes reflexões! Ah... Quando você conquistar, me chama para a comemoração...

sábado, 12 de dezembro de 2009

Romper para viver



O que é inovar? Bem. É possível encontrar um caminho de dentro para fora quando desejamos que as coisas mudem. Precisamos estabelecer uma política para que as mudanças aconteçam. “Inovar”: vem do Latim INNOVARE, “tornar novo, renovar”, de IN, “em”, mais NOVUS, “novo”.Isso é inovação é mudar de dentro para fora. A inovação acontece quando as oportunidades e circunstâncias demandam novas atitudes.
Existe, atualmente, um certo desgaste com essa expressão. Parece que esta ação não pertence ao curso natural das coisas, mas é mister na voz daqueles que defendem uma luta constante contra a insatisfação. Claro que inovação implica em riscos e é o resultado persistente de trabalho e de planejamento, com atenção às necessidades do processo, às mudanças em termos de modos de percepção, significação e conhecimento.
Inovar não é renovar. Renovar vem do latim RENOVATIO, de RENOVARE, é repetição ou a nova execução de alguma coisa, é restaurar o antigo. É mudar de fora para dentro. Para tanto a Espiritualidade é a melhor parceira da Inovação. A Espiritualidade e a Inovação se familiarizam. Uma exige que se coloque ordem em sua vida a outra aponta o caminho e a direção da mudança. Quando se quer ter um espírito inovador que formule uma ética de mudança de dentro para fora, é hora de colocar em ordem o mundo interior.
A inovação, de fato, dá um significado novo e importante ao que já era útil. A maioria esmagadora das inovações bem sucedidas explora a mudança continuada, pois inovação exige continuidade. Inovação não é somente um movimento em direção ao novo. Não basta mudar por mudar. Inovação requer um compromisso com os fundamentos dos valores, sejam da alma, da vocação e missão.
O que você faz tem a ver com sua missão, seus valores, sua capacidade de desempenho e os resultados esperados? A inovação requer informação e formação para tudo. Ela fica comprometida se você não tem informações e formações confiáveis. Informações e formações adequadas facilitam os relacionamentos, favorecem a que as pessoas se entendam melhor. As pessoas envolvidas no processo de mudança devem ser estimuladas de forma coerente a respeito do que se espera acontecer.
Na verdade inovação é uma questão que envolve uma dialética. Sempre se produz uma “terceira coisa”. De um lado, você tem uma tendência à inércia, à resistência a todo processo de mudança. De outro, você tem as tendências personalistas e as relações de poder que interferem no rumo das mudanças. O resultado tangencia aos dois lados.
Uma política de mudanças é aquilo que dá identidade ao agente: seus valores, seus princípios, suas conquistas consolidadas até o momento. Seu foco não pode estar centrado na repetição de rotinas, estruturas ou procedimentos anacrônicos. Innovare é estabelecer uma continuidade aos seus marcos fundadores e estabelecer uma ruptura com os processos ineficazes da vida. O equilíbrio entre continuidade e ruptura é o que caracteriza o espírito inovador. É romper para viver!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Reflexões sobre Gestão e Espiritualidade


A espiritualidade, que sempre esteve mais restrita às religiões, atualmente vem penetrando campos antes inimagináveis. Seria muito imaginar que empresários e executivos buscassem ajuda em atividades tão diferenciadas, dentre as quais estivesse a espiritualidade como carro chefe. Cada vez mais congressos são realizados com essa temática. Sem que se esperasse, a espiritualidade surge como uma espécie de norteadora para as angústias humanas atuais.
Contudo, a espiritualidade vem sendo semeada há muito e muito tempo, inclusive por homens de ciência. Os físicos quânticos como Fritjof Capra provocaram reflexões sobre espiritualidade e o pensamento sistêmico há poucas décadas. Também a globalização esteja nos ajudando a descobrir um mundo novo dentro das organizações. A tensão atual e a angústia têm sido muito intensas na vida das pessoas e suas atividades. A espiritualidade parece mostrar-se como um caminho adequado diante desta crise de identidade pós-moderna.
Judi Neal, professora de gestão da Universidade de New Haven em Connecticut - EUA, já disse que se empresários, executivos e gestores não estiverem verdadeiramente envolvidos com seus propósitos de vida estarão fadados ao esfacelamento pessoal e depois organizacional. Diz ela: "Se qualquer organização quiser sobreviver, terá que promover radicais transformações em si mesma. Estas não se referem a estrutura, mas sim aos valores, essencialmente, aos valores do coração e da alma”.
É necessário perceber claramente uma convergência entre os físicos e místicos, definindo uma identificação entre espiritualidade e unidade universal. Como partes inseparáveis do universo, não somos apenas responsáveis por nós, mas por tudo o que nos cerca e por tudo o que fazemos. Por mais paradoxal que pareça, temos que aprender a cuidar de nós mesmos na medida em que cuidamos dos outros.
É preciso repensar as idéias fragmentadoras da realidade que nos des-integram como todo... O desenvolvimento da espiritualidade significa caminhar em direção à integração, à união, à unidade universal. Qual a possibilidade de começarmos a refletir sobre a ajuda que a espiritualidade pode fornecer às organizações, inclusive empresariais? Precisamos entender que a espiritualidade configura-se como um caminho que nos ajuda a desenvolver a consciência de estar neste mundo de um modo responsável. Ser responsável por si mesmo significa ser responsável também pelos outros.
O especialista em RH e gestão Gilberto Velloso diz que para tornar possível o alcance da consciência deste fato, é preciso libertar a própria essência. Está na essência de cada um o maior potencial de contribuição à disposição da sociedade, um bem deveras precioso para ser jogado fora como temos feito desde a revolução industrial. A espiritualidade pode ajudar-nos a assumir nossas responsabilidades perante a vida em todos os sentidos, dos quais a responsabilidade profissional é apenas uma.
Espiritualidade... Em tempo, é o que devemos refletir com os amigos.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

133 - O valor da bênção e da vida

Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. / É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes. / Como o orvalho de Hermom, e como o que desce sobre os montes de Sião, porque ali o SENHOR ordena a bênção e a vida para sempre. (Salmo 133).
O tempo pode ser celebrado, vivido, gasto, perdido, ganho e experimentado de várias formas. Os gregos antigos consideravam a temporalidade de pelo menos três formas. A primeira delas era o Cronos (tempo como sucessão dinâmica, fluxo, movimento), a segunda era o Aion (Duração, tempo como renovação cíclica da experiência) e Kairós (Maturação de Resultados ou Tempo oportuno). O Kairós, no entanto, é aquilo que consideramos como cristãos “o tempo de Deus” para todas as coisas; e não o nosso Cronos, ou seja, o Kairós é o tempo perfeito.
Lembrando de perfeição, lembrei do Salmo 133, ao qual tem na soma de seus algarismos o resultado de Sete, o número cabalístico da “perfeição”. Lembrei também que, o que é perfeito tem que ser kairós, pois se não é oportuno de nada serve para o hoje. De fato, o Salmista Davi nos trás nesta poesia um recado oportuno e especial para o ser humano da pós-modernidade, tão descentrado, dividido, divisor, individualista, egoísta, egocêntrico e estressado... Ele nos alerta que podemos prejudicar as bênçãos oportunas de Deus se não atentarmos para alguns perigos mortais.
Em primeiro lugar, devemos atentar para tristeza que a divisão e a uniformidade promove. Davi certamente estava se referindo a união de irmãos quando celebrava a união de todas as tribos em seu reinado. Ele falava claramente de família e não de estranhos... Para ele, era uma alegria ver a diversidade de cores, de expressões culturais de cada tribo de Israel, da vocação de cada família, da riqueza de cada tenda, reunida para formar um caleidoscópio familiar que celebrava o melhor que eles tinham: A benção do seu Deus.
Infelizmente, hoje temos um apelo mais para sermos quase “números”, para deixarmos de lado aquilo que podemos partilhar na diferença e na diversidade. O salmista nos diz, em outras palavras, que Unidade não é uniformidade, e que, viver em família é uma condição de Benção Eterna. Você percebe como isso é agradável?
Em segundo lugar, devemos atentar para sermos sábios ante sermos cultos ou intelectuais. Um bispo de nossa igreja certa vez afirmou que há uma grande diferença entre o intelectual, o culto e o sábio. Disse ele: “O intelectual tem um grande conhecimento, mas não compartilha esse com ninguém, guardando-o só para ele; o homem culto faz do seu grande conhecimento um instrumento de vaidade, e só o expõe para seu proveito ou quando pode ser aplaudido por ele; mas o homem sábio compartilha seu o conhecimento com o povo e no meio do povo, pois sabe que precisa do povo para construir a sua sabedoria...”. Porém, em um mundo de muitos homens “cultos” e “intelectuais”, Davi nos canta a pedra do valor de ser Sábio e Servo, apontando como condição de Benção Eterna.
E em terceiro lugar, devemos atentar para o refrigério necessário para alma do nosso irmão. Para aqueles que desconhecem a geografia da Palestina, o monte Hermom, que fica ao norte desta região, permanece coberto de neve ano após ano, e quando a brisa e os ventos fortes palestinos carregam o frescor do seu pesado orvalho, esse, gelado, alcança até as regiões mais secas e áridas próximas do monte Sião, que fica ao Sul da palestina, atravessando assim o extenso deserto do Neguebe. Surge então Vida a partir do Hermom, esse estende seu refrigério e renovo até Sião.
Que nesse kairós possamos ouvir o poeta hebreu em seu salmo, e assim, aprendermos algumas condições que nos levam “a bênção e a vida para sempre”... O Valor Perfeito!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Quanto de conhecimento e de iniciativa você tem?

Não quero fazer apologia a motivações belicosas, mas quando pensamos em desenvolver estratégias para vencer as dificuldades diante de nós ou dentro de nós, pensamos em alguns conquistadores da história, que planejavam bem a conquista dos seus objetivos.

Um desses disse certa vez: “A estratégia é a ciência do tempo e do espaço. Sou menos avaro com o espaço que com o tempo. O espaço, podemos reganhá-lo. O tempo perdido, jamais.”.

Em tempos que o espaço é curto e o tempo é ínfimo podemos afirmar que para planejamos estrategicamente devemos considerar a essas palavras de Napoleão Bonaparte.

Entretanto, as questões que consistem em motivar as nossas estratégias de mudança de vida ou mudança organizacional têm por primo-traço uma entendimento claro de quem pode nos ajudar a conquistar o que queremos e quem pode nos atrapalhar.

Lembrei então de algo que Napoleão usava para escolher aqueles que iriam ajudá-lo em suas conquistas e como ele fazia para selecionar os mais relevantes parceiros na realização dos objetivos. Bonaparte sempre selecionava, segundo seus critérios, os integrantes de suas tropas em quatro possíveis perfis para ocupar os espaços da realização. Eram eles: Os ignorantes sem iniciativa, ignorantes com iniciativa, inteligentes com iniciativa e inteligentes sem iniciativa.

Os ignorantes com iniciativa não eram admitidos em suas tropas. Esses ele expurgava assim que os identificava. A falta de conhecimento com iniciativa pode causar um verdadeiro estrago na batalha. Decisões bem motivadas que vêm da parte de quem tem pouco ou nenhum conhecimentos destroem a vida do indivíduo e das organizações. Outro grupo era constituído de ignorantes sem iniciativas, eles eram colocados na frente do combate (“buchas de canhão”). São os que não fazem mal a ninguém e devem fazer parte da grande força coletiva na batalha pela conquista da mudança. Havia o grupo dos inteligentes sem iniciativas, que eram colocados como oficiais. Esses, se bem conduzidos e liderados formariam bons realizadores das tarefas. São grandes parceiros em nossa vida e na vida organizacional. Já os inteligentes com iniciativa eram colocados fora do grupo de batalha. Esses constituíam sua comunidade de estrategistas, que tinham liberdade de sugerir e planejar as ações a executar. Esses eram seus generais.

Certamente podemos reconhecer o real motivo de sermos os nossos próprios generais ou saber escolhe-los muito bem. Contudo, devemos olhar para o planejamento estratégico de nossas vidas e organizações convictos de que quanto mais conhecimento tivermos juntado à produção de nossas iniciativas mais estaremos conquistando novas fronteiras pessoais.

Fica então a pergunta: Quanto de conhecimento e de iniciativa você tem?

domingo, 15 de novembro de 2009

Quem são os competentes da história?

Atualmente, muitas pessoas falam sobre competência. Fala-se até em “meta-competência” nestes tempos de competitividade profissional. Sem dúvida o conhecimento quando é assimilado e posto em prática torna-se competência, assim como, quando o talentos e a habilidade se abraçam, também temos a competência como resultado... No entanto, as competências são reconhecidas pela capacidade que temos de tomar decisões, de resolver e administrar problemas. Afinal, ser competente é saber fazer e fazer bem, avaliando isso honestamente.
Existem pessoas que confundem competência com profissionalismo e tarefas feitas sem seriedade e competência com amadorismo. Aos nossos olhos podemos estar nos vendo como “competentes e profissionais”, mas na verdade podemos ser os incompetentes e despreparados da história.
Gosto muito de uma estória já conhecida de muitos, que fala de um açougueiro estava em sua loja e ficou surpreso quando um cachorro entrou. Ele espantou o cachorro, mas logo o cãozinho voltou. Novamente ele tentou espantá-lo, foi quando viu que o animal trazia um bilhete na boca. Ele pegou o bilhete e leu: - Pode me mandar 12 salsichas e uma perna de carneiro, por favor. Assinado... Ele olhou e viu que dentro da boca do cachorro havia uma nota de 50 Reais. Então, pegou o dinheiro, separou as salsichas e a perna de carneiro, colocou numa embalagem plástica, junto com o troco, e pôs na boca do cachorro.
O açougueiro ficou impressionado e como já era mesmo hora de fechar o açougue, ele decidiu seguir o animal. O cachorro desceu a rua, quando chegou ao cruzamento deixou a bolsa no chão, pulou e apertou o botão para fechar o sinal. Esperou pacientemente com o saco na boca até que o sinal fechasse e ele pudesse atravessar a rua.
O açougueiro e o cão foram caminhando pela rua, até que o cão parou em uma casa e pôs as compras na calçada. Então, voltou um pouco, correu e se atirou contra a porta. Tornou a fazer isso. Ninguém respondeu na casa. Então, o cachorro circundou a casa, pulou um muro baixo, foi até a janela, e começou a bater com a cabeça no vidro várias vezes.
Depois disso, caminhou de volta para a porta, e foi quando alguém abriu a porta e começou a bater no cachorro. O açougueiro correu até esta pessoa e o impediu, dizendo: - Por Deus do céu, o que você está fazendo? O seu cão é um gênio!' A pessoa respondeu: - Um gênio? Esta já é a segunda vez esta semana que este estúpido esquece a chave!
Algumas lições destacamos nesta ilustração. Uma delas é a certeza de que você pode continuar excedendo às expectativas, mas para os olhos de alguns, você estará sempre abaixo do esperado e sendo considerado um incompetente. A outra é que muita gente confunde amadorismo com falta de competência, ou que profissionalismo é sinônimo de competência. Pois podemos fazer coisas com amadorismo (coisas feitas por amor) usando de muito conhecimento e competência...
Alguém já disse certa vez que quem conhece os outros é inteligente. Entretanto, podemos dizer que quem conhece a si mesmo é iluminado. Esses se destacam no que fazem, mas nem sempre são chamados de competentes na história...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O que é uma “Empresa Viva”?

O que deixaremos para a geração futura? Como estamos traçando nosso caminho para o futuro? Estamos apoiados em que valores para construir o futuro dos que nos sucederão? Essas perguntas têm suas respostas relacionadas com a espiritualidade.
A espiritualidade nas organizações prima pela excelência das pessoas que as compõem. Ela esta diretamente ligada a um permanente envolvimento dos seus executivos, gestores, colaboradores com uma ética comprometida com valores sadios e positivos, bem como com não só com o desenvolvimento econômico da sociedade, mas com a melhoria da qualidade de vida das pessoas envolvidas no processo produtivo e nas prestações de serviço.
Chamamos as empresas que são espiritualmente saudáveis de “Empresas Vivas”. Elas cultivam a espiritualidade no local de trabalho e em seus planejamentos estratégicos. São empresas que:
Que respeitam o meio ambiente, buscando à superação da pobreza, visando fim da marginalidade e ao desenvolvimento sustentável;
Que estão comprometidas com a ética, com o apego a valores saudáveis e virtuosos em suas relações com seus clientes e seus fornecedores pautados na honestidade e na transparência;
Que conseguem harmonia entre a lucratividade e dignidade humana;
Que fazem da competitividade um propósito a mais de parceria;
Que seus enfoques estão na satisfação do cliente como ser humano dotado de uma integridade física, psíquica, emocional e espiritual;
Que estão comprometidas com a sustentabilidade, tendo competência para satisfazer as suas necessidades sem reduzir as oportunidades das gerações futuras;
Que estão preocupadas com o imenso contingente pessoas excluídas do mercado de consumo;
Que combatem a exploração da mão-de-obra, quer seja infantil, quer seja de pessoas que estejam sujeitas a qualquer processo de escravidão;
Que estejam envolvidas com programas de redução do consumo de energia, redução de emissão de resíduos tóxicos, programas de reciclagem, valorização de recursos renováveis, agregação de valor aos produtos e serviços.
Assim a Gestão Viva focaliza diretrizes e ações administrativas – planejamento, controle, direção, alocação recursos – realizadas com o objetivo de proporcionar efeitos sobre a qualidade de vida das pessoas visando ao bem estar comum.
Empresas Vivas são empresas cujos executivos redescobriram o reencantamento da vida e com isso mobilizam atitudes e ações voltadas para a solidariedade, para a inclusão e para a sustentabilidade.
Se considerarmos que a arte da gestão é a competência de liderar pessoas, com vista a uma missão, a preocupação com gestão espiritual da empresa é a competência necessária para motivar pessoas em favor da construção de condições para uma vida melhor, mobilizando recursos, ações e pessoas. A espiritualidade na gestão atua em um ponto de conflito, no qual o encontro entre a realidade e a noção de valor, entre a existência e o que chamamos de sagrado, confere sentido, valor e qualidade à gestão pessoal e organizacional.
Você sabe o que é uma empresa viva?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Dai a Roma o que é de Roma...


Há alguns dias atrás, o Vaticano em uma dita ação “pastoral” decidiu permitir que os anglicanos pudessem se “converter” ao catolicismo e conservar as próprias tradições. Essa decisão dividiu as opiniões entre os que consideram essa atitude “cínica” por parte da Sé romana e os que apontam uma oferta genuína para ajudar as pessoas que resistem em aceitar a ordenação feminina (inclusive de bispas) e abraçar as discussões sobre a condição sexual na igreja.
O Papa Bento XVI anunciou uma nova estrutura que tornará “mais fácil” para os anglicanos, inclusive os sacerdotes casados, “voltarem” para o seio da igreja católica, respeitando certas tradições. Esse decreto papal, anunciado pelo cardeal americano William Joseph Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, permitirá a ordenação de sacerdotes católicos entre os antigos membros do clero anglicano, inclusive os casados, com a exceção dos bispos anglicanos casados.
Isso só ajudará na compreensão de muitos sobre como ainda se faz ecumenismo de forma barata no mundo. Sabe-se que a Igreja anglicana tem uma tradução de 17 séculos e que ela nunca foi totalmente alinhada a igreja do continente desde a tradição da “Igreja Celta” no II século, aos pré-reformadores das ilhas britânicas. Seria imprudente historicamente sugerir que uma igreja é filha da outra e não resultado da missão da “Igreja Primitiva”. Entretanto, a abertura da igreja anglicana, mais que em outros tempos, paga um alto preço por ampliar discussões como a benção do casamento homossexual e a ordenação de mulheres ao episcopado.
O Arcebispo de Cantuária, Dom Rowan Williams, o líder espiritual da Comunhão Anglicana, enfatizou diante da atitude papal, que é um sério erro achar essa seria uma resposta aos problemas internos da Comunidade Anglicana, que tem mais de 80 milhões de fiéis.
Para tanto, algumas questões chamam a nossa atenção para o futuro. Uma delas é essa possibilidade de criação de prelaturas pessoais, anunciada por representantes do Vaticano, que não traz nenhuma novidade. Dados mostram que desde o século XIX, a Igreja de Roma tentou de alguma maneira, absorver o maior número possível de fiéis e igrejas anglicanas, como afirma o bispo Dom Carlos López Lozano da Igreja Espanhola Reformada Episcopal (Comunhão Anglicana). Dom Lozano recentemente anunciou que, na atualidade, o número de católicos romanos que abraçam o anglicanismo é muito maior daqueles que o abandonam para se filiarem ao catolicismo. Disse ele: “Por cortesia, respeito e discrição, e seguindo a tradicional política ecumênica de nossa Comunhão Anglicana, não costumamos fazer públicos esses dados”. Ainda acrescenta Lozano: “Os católicos romanos que ingressam na Comunhão Anglicana tendem a se integrar de modo pleno, assumindo a nova identidade religiosa sem a necessidade da criação de estruturas especiais a eles voltadas...”.
Outra questão é a possibilidade da busca de um clérigo católico deixar a igreja romana para se casar, ser ordenado sacerdote anglicano e depois voltar para a igreja católica. Essa “ponte” torna a reflexão ainda mais pastoral para ambas as Igrejas...
Quanto aos que estão na igreja anglicana se sentindo católicos, esses estão equivocados, e certamente desconhecem sua eclesiologia, teologia, pastoral e história. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa... Anglicanos não são católicos romanos e católicos romanos não são anglicanos, se assim não fosse suas identidades estariam seriamente comprometidas. Aqueles que se dizem anglicanos fazendo o “caminho de volta”, nunca foram realmente anglicanos. Diante disso podemos recomendar: Dai a Roma o que é de Roma...
Por fim, se aqueles que por motivos de consciência abandonam a Igreja Romana ou a Anglicana, que suas decisões sejam abençoadas por Nosso Criador, pois os motivos de consciência sempre são os mais respeitáveis que se pode alegar.

sábado, 24 de outubro de 2009

Ser capaz de ser feliz


Recentemente ministrei uma palestra sobre “Espiritualidade nas Organizações” em uma Empresa, e como sempre, diante de um questionamento sobre qual é o maior desejo das pessoas a resposta foi: Uma maneira possível de ser feliz. A primeira busca que o homem da pós-modernidade faz mais intensamente que em todas as épocas da civilização é busca do sentido da vida.

Podemos considerar como uma proposta madura de espiritualidade a seguinte afirmação: “Amarás teu Criador com todas as tuas forças, teu entendimento, e coração, bem como, amarás teu semelhante, assim como amas a ti mesmo”. Diante desta proposta, podemos afirmar que a ética nesse de tempo atual não aponta para uma harmonização, mas para o conflito.

Sem dúvida, a ética promovida por relacionamentos sadios entre o ser humano e ele mesmo, o ser humano e seu Criador e o ser humano e seu semelhante (que envolve também o meio ambiente) é uma grande riqueza para um mundo carente de saúde e harmonia nas relações.

O “mapa” que guia as pessoas nas suas condutas precisa ensinar sobre o desejo de encontrar explicações sobre o sentido da vida, sobre o que é bom e valioso para uma vida feliz.
A ética e a estética que brota de uma espiritualidade madura, implica em uma compreensão do homem enquanto ser que se relaciona com o mundo, consigo mesmo e com os outros. Porém o principal problema da mensagem cristã hoje não se restringe ao problema moral. Pois a voz desta mensagem está cada vez mais sem credito no ocidente, e isso se revela no alinhamento desta instituição, chamada Igreja, com os aspectos mais institucionais ante os orgânicos, pastorais e proféticos politicamente.

Isso suscita perguntas velhas para um momento novo: Como deve se dar o diálogo cristão com o mundo? Como se dá o discurso cristão diante das grandes questões humanas desse tempo? Como desenvolver a fé tendo em vista a questão da sustentabilidade?

A mensagem cristã para hoje deve, e naturalmente pode fazer sentido nestes dias, principalmente no que diz respeito ao sentido da vida, à esperança de um mundo sustentável e a temas como o da bioética.

Diante de um início de século onde o individualismo, a competitividade (auto-afirmação), a raiva, o egoísmo e o medo são os combustíveis que motivam várias doenças da alma e das relações, parece que chegamos a um momento em que a “Pirâmide de Maslow” precisa ser vista de invertida... A necessidade de Segurança passa a estar sustentada na necessidade de Auto-atualização (significado, significância) e não o contrário.

Chegamos a um tempo urgente para a reflexão ética no pensamento contemporâneo que serve como base para a reconstrução de um ser humano fragmentado pela modernidade, que o ensinou a construir sua compreensão da vida sem a hipótese Deus, e o convenceu que era um super-homem.

Contudo, a mensagem de Cristo nos ensina que ser feliz é uma atitude. Essa atitude começa pela capacidade que a pessoa tem em responder como está a saúde da sua relação com o Criador, com o seu semelhante e o meio ambiente, e com ela mesma. Somos pessoas de capazes disso? Sim, claro! Como diria Chardin: “Somos seres espirituais tendo uma experiência humana...”.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Espiritualidade nas organizações

Muito recentemente no Brasil tem se tratado a espiritualidade como uma inteligência que, se bem desenvolvida e madura, tem um papel fundamental na vida do ser humano e nos meios onde ele se organiza coletivamente. A espiritualidade não é espiritualismo e muito menos religiosidade. Quando falamos de espiritualidade não estamos abordando métodos de meditação ou mercadologia da fé, bem como nenhuma regra de oração, ritos ou dogmas.
Para clarear ainda mais o conceito, vale salientar que espiritualidade e religião não são, porém, sinônimos. Ser alguém maduro espiritualmente não significa exibir qualquer religião. Mais especificamente, a espiritualidade diz respeito ao fato de as pessoas desejarem de serem únicas, de estarem em união com algo superior a si próprios, de serem úteis, de compreenderem e serem compreendidos, de constituírem valores que tragam saúde aos seus relacionamentos, descobrirem o sentido de sua existência, reconhecerem o propósito de suas vida e a necessidade de auto-organização interior.
Hoje estamos testemunhando um trabalho sério por parte de pesquisas acadêmicas no objetivo de oportunizar a contribuição da espiritualidade nas organizações. A espiritualidade nas organizações está representada na realização do trabalho com significado, no contexto de uma comunidade, com um sentido de alegria e de respeito pela vida interior.
Alguns estudiosos afirmam que a espiritualidade nas organizações pode ser interpretada como o reconhecimento, pela organização e pelos seus líderes, de que os colaboradores têm uma vida interior que alimenta, e é alimentada, pela realização de trabalho com significado num contexto de comunidade. Outros sugerem que a espiritualidade nas organizações é um quadro de valores organizacionais, evidenciados na cultura da organização, que promove a experiência de transcendência dos colaboradores por meio dos processos de trabalho, facilitando o seu sentido de conexão com as outras pessoas, de um modo que lhes proporciona sentimentos de plenitude e alegria.
O tópico adquiriu ainda crescente visibilidade nos estudos organizacionais e no “modo de vida” de muitos práticos. Afirma-se que o interesse pela matéria derivou da intensa espiritualidade dos executivos seniores do Silicon Valley, e com a generosidade que emanava de suas vidas interiores. Em 1993, a consultora de líderes, equipes e organizações Judith Neal fundou The Association for Spirit at Work (http://www.spiritawork.com/). Também na Santa Clara University, desenvolveu-se o Seminar in Spirituality and Business Leadership, e os executivos que o freqüentaram alegam efeitos muito positivos sobre si próprios, seus colaboradores e organizações. Um certo executivo definiu-o como “o desejo de encontrar o propósito último da vida e viver de acordo com ele”.
O tema também penetrou profusamente na arena científica. De forma mais contundente, desde 1992 assiste-se a um aumento súbito de conferências e workshops, assim como a uma explosão de livros na área, principalmente fora do Brasil. Aqui o tema é abordado timidamente no meio acadêmico. Esse tópico foi também reconhecido pela Academy of Management (a mais antiga e maior escola de gestão acadêmica do mundo), que criou, em 1999, o grupo de interesse chamado: “gestão, espiritualidade e religião”.
Sem dúvida o estudo da espiritualidade contribui na vida pessoal, seu planejamento e gestão, bem como está constatado que a mesma fomenta o comprometimento afetivo e normativo das pessoas no ambiente onde estão inseridas, seus grupos e organizações.
E você, sabe o que é espiritualidade nas organizações?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

“Se for pro Gol! Me chama, que eu vou!”

Alguém já disse que o narrador esportivo é um “vendedor de ilusões”. Está na sua labuta descrever o que ocorre num jogo de futebol, com precisão e detalhes. Entretanto, o que sempre marca e identifica a cor da voz do narrador é sua frase de efeito... Aquelas que só de ouvir sabemos de onde vem e para onde vai.
Essas frases e bordões são patrimônio dos grandes narradores brasileiros. Waldir Amaral dizia: “O relógio marca...”. Lembro do saudoso Adilson Couto dizendo: “Tem gente mexendo no placar...” De Roberto Queiroz bradando: “É cacete! Que cacetata!”. Fernando Sasso gritando: “Tá no filóóó!”. Osmar Santos no seu “chiruliruli-chirulirulá”, bem como Galvão Bueno iniciando suas transmissões com o famoso: “Bem, amigos...”.
Quando cheguei em Santa Maria da Boca do Monte não me furtei a acompanhar os jogos dos times locais nas rádios da cidade. Foi quando me deparei com uma voz afiada, de linguagem clara e que rapidamente seduziu por sua vibração ímpar. Era a voz de um narrador que chegava a falar até com a bola dentro da rede. Esse narrador dizia: “Se for pro Gol, me chama! Me chama, que eu vou!”.
Marion Mello, o “Garganta do Vento Norte” é um dos grandes. Homem de imprensa, é, sem dúvida, um patrimônio dos santa-marienses. Recentemente, o seu programa de rádio semanal “Roda Brasil” completou quinze anos de promoção ao esporte, a cultura e ao entretenimento. Marion debuta com competência a difícil tarefa de falar dos heróis de nossa cidade.
Os heróis são aqueles que batalham por uma conquista, por uma vitória, seja ela qual for, seja ela quando for. Heróis são os santa-marienses, os gaúchos, os brasileiros de cada dia, que lutam na conquista de um lugar ao sol, de um mundo melhor, por uma vida vivida com vida. No entanto, os heróis têm por trás de suas máscaras e fantasias, pessoas comuns... Pessoas que sofrem, que se sacrificam, sacrificam os outros, choram, riem, cansam, tropeçam, levantam, reconstroem, somam e renascem... São pessoas que muitas vezes se esquecem de viver para dar vida ao herói que está na frente da máscara. O atleta, o esportista, o desportista, a pessoa pública, o líder, a celebridade, todos são pessoas comuns por trás do herói ou da heroína.
Sabemos que a ludicidade do ser humano está presente durante toda a sua vida, e não fica guardada apenas na infância. O Lundens faz do Sapiens aquele que gosta de brincar, que gosta de jogar durante toda a vida. Por isso, todos temos um pouco de Super-Man e de Clark Kent, de Mulher Maravilha e Diana Prince dentro de nós...
Para tanto, Marion quando fala desses heróis, o faz de forma diferente de muitos outros que conheço. O “Garganta do Vento Norte” tem uma grande singularidade quando narra, promove e comunica sobre sagas heróicas: Ele chama os heróis de AMIGOS. Conhece as pessoas comuns que estão por trás do “herói”, e as chama pelo nome. Isso faz dele um grande comunicador e um grande ser humano.
Ofereço minhas orações neste jubileu do “Roda Brasil”, ao Marion Mello, para que Deus permita que ele continue narrando a história dessa gente, como só ele sabe narrar. Na certeza que muitos estarão acompanhando esses momentos e ouvindo sua voz gritando: “Se for pro Gol, me chama! Me chama que eu vou!”.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

“Quando a gente não quer, qualquer desculpa serve...”


Das mais marcantes propagandas da televisão que tenho lembrança, uma é campeã. Trata-se de um comercial de uma rede especializada na venda de óculos de grau em Recife, chamada Casa Lux Ótica.
Tudo começava num palco iluminado de um teatro vazio. Nele, homem sentado numa cadeira, sozinho, olhando fixamente para um ponto da platéia, dizia: “Tem gente que precisa usar óculos de grau, mas não usa. Diz que é feio, que incomoda, que envelhece e que machuca. A visão é uma coisa mais importante do que muita gente pensa. Veja bem, óculos apropriados podem até dar charme e distinção... Procure o seu oculista, e leve sua receita numa casa séria, que trate do seu problema profissionalmente. Eu, por exemplo, não preciso usar óculos de grau. Mas gostaria muito de poder usá-los...”.
Então, o aquele homem saía, tateando a cadeira, alcança uma bengala e levantando sai de cena fazendo toc-toc com a bengala... Ele era cego!
Essa frase: “Quando a gente não quer, qualquer desculpa serve”, ficou tão popular, que tornou-se um axioma, algo muito falado pelo povo. Esta expressão apresenta uma verdade ética incontestável: quando nós não queremos algo, uma situação de continuidade, um compromisso, uma tarefa, uma mudança, então qualquer desculpa que possamos usar, irá servir de pretexto. Corremos o risco de transformarmos pretextos em argumentos.
Com o apelo ao individualismo ao egocentrismo presentes na ética da pós-modernidade surge então um grande veneno social para as gerações futuras: a falta do QUERER mudar. Cada vez menos as pessoas querem confrontar-se com suas limitações, com seus interiores, seus erros, defeitos, frustrações, suas fragilidades, suas curtas visões.
A superficialidade impera numa sociedade em que as pessoas não querem mudança. Tudo parece de plástico: os tratamentos, os sorrisos, os abraços, as relações... E é claro que quando falamos de algo novo em nós mesmos, pensamos em algo que nos faça crescer, amadurecer, integralizar e se redescobrir.
Muitos “cegos” reclamam demais de tudo e de todos, porém nunca mudam. Por que será? A explicação é que, na verdade, elas NÃO QUEREM MUDAR. Querem que tudo mude ao seu redor, mas uma mudança substancial em suas vidas não faz parte do seu querer. Por isso continuam sem enxergar claramente a realidade.
Afinal, “quando a gente não quer, qualquer desculpa serve...”.

domingo, 27 de setembro de 2009

Amai ao Vizinho como ti mesmo...

É de Cora Coralina a afirmação: “Vizinho é mais que parente, pois é o primeiro a saber das coisas que acontecem na vida da gente...”. Quando estive na cidade de Goiás, no Estado de Goiás, oportunamente visitei a casa da poetisa (hoje transformada em museu) e percebi que na época em que ela fazia seus doces e escrevia suas poesias, inevitavelmente, partilhava suas guloseimas e rimas com seus vizinhos, dada a característica da arquitetura colonial de sua cidade.

Sabe-se que a história da palavra vizinho, do inglês Neighbor - que também pode ser traduzido como “próximo”, está marcada pela passagem bíblica de Lucas 10:25-29, em que Jesus é questionado por um doutor da Lei mosaica sobre como herdar a Vida Eterna. Ele responde a indagação com a seguinte sentença “Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao próximo como a ti mesmo”. Ironicamente, aquele teólogo judeu então perguntou: E quem é o meu próximo?

Em resposta Jesus conta uma parábola que descreve a situação de um judeu que havia sido roubado e açoitado por ladrões, e estava quase morto numa estrada. Então, passando pela estrada um sacerdote judeu cruzou o homem e não deu bola. Em seguida, passou pelo local um Levita do Templo de Jerusalém e também não deu atenção ao moribundo. Passando por ali um viajante de uma região vizinha chamada Samaria, a qual era odiada pelos judeus, parou, cuidou de suas feridas, e lhe deu assistência. Esse “bom samaritano” ficou famoso... Jesus diz que o vizinho daquela vítima seria aquele teria agido com misericórdia e compaixão para com ele.

Afinal, quem é o meu vizinho? Amar ao próximo como a si mesmo talvez seja muito mais difícil ou mais fácil, se o termo “próximo” tivesse se mantido ao seu significado etimológico. A forma da palavra Neighbor, vem de Nahgebr do Inglês antigo, cuja extensão significa "companheiro", provavelmente atribuído à preocupação cristã com o tratamento das pessoas, umas para com as outras, como na passagem de Lucas 10, que insta o amor ao próximo, ou seja, ao nosso vizinho.

A pós-modernidade tem cada vez mais transformado os nossos vizinhos em estranhos e pessoas desconhecidas. Como amá-los então? Comecemos olhando para as pessoas que estão machucadas pelos caminho, cuidemos delas e ofereçamos o nosso auxílio. Talvez amanhã estejamos nós sendo ajudados por algum vizinho também...

O Dia do Vizinho é comemorado em muitos municípios brasileiros e em Santa Maria – RS, o “Dia Municipal do Vizinho” sempre se realiza no terceiro domingo de agosto, promovido pelo Jornal A Razão. Este ano por motivos maiores acontecerá dia 27 de setembro. Ótima oportunidade para amar ao próximo, melhor dizendo ao “vizinho”...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O Homo-Ludens que joga, decide...

Sempre que estamos abertos a novas possibilidades, percebemos que as oportunidades se transformam em “atalhos” para o início da realização dos desejos e dos sonhos. A capacidade de mudar o leme e traçar uma nova rota, seja na vida, no grupo, na comunidade, na empresa está engastada na capacidade de decidir.
Decisão é algo que para muitos não consta no dicionário de suas vidas. Existem pessoas que tem como resultado de sua educação, de sua história de vida, a infeliz dificuldade de tomar decisões. São indivíduos frágeis emocionalmente, dependentes financeiramente, oprimidos socialmente, apáticos espiritualmente, mesmo quando intelectualmente privilegiados.
Quem não conhece alguém assim? São aquelas pessoas que nunca decidem. São aquelas que os outros decidem por elas, e que nunca querem deixar a “zona de segurança”, pois não gostam de correr riscos. Porém, essas pessoas ou “enrugam”, ou são esquecidas, e ficam quase sempre pelo caminho.
Mas será que decidir é arriscar? Bem, nem sempre. Contudo, o risco deve ser bem visto e entendido para que as oportunidades sejam ampliadas e as potenciais perdas sejam diminuídas na hora da decisão. Dentre várias ferramentas que podem ser usadas para gerenciarmos nossas decisões, uma delas está na capacidade de ouvir experiências relevantes. A capacidade para mudar não está nos conselhos dados, nem nas boas intenções, mas está em algo que une as pessoas na experiência de partilhar soluções. Aliás, lembro sempre de quando o amigo, consultor e professor doutor da UFSM, Rolando Soliz Estrada diz, quando vai partilhar algo, com aquele singular sotaque: “Ouça bem! Vou dar uma dica! Conselho eu não dou; dou apenas dica...”. Com isso ele colabora com as oportunidades dos seus ouvintes produzirem, não reduzindo o risco das suas decisões.
O termo “risco” vem do italiano “risicare”, que por sua vez é derivado do baixo-latim “risicu, riscu”, que significa arriscar. O termo indica que o risco significa ousadia, já que permite uma opção, e não relegar os acontecimentos para o destino. O termo significa também a colocação do futuro a serviço do presente. Risco também significa desafio e oportunidade, sendo também ponto-chave da natureza da tomada de decisões.
Arriscar é parte do jogo da existência. Afinal, o ser humano é também *Homo-Ludens*. É do jogo que nasce a cultura (os animais também brincam e jogam), sob a forma de ritual e de sagrado, de linguagem e poesia, permanecendo subjacente em todas as artes de expressão e competição, inclusive nas artes do pensamento e do discurso, bem como no jogo jurídico, na acusação e na defesa polêmica, como também, na arte do combate e na da guerra em geral.
Quando uma criança não joga, não se desenvolve, não se aventura em algo novo, não alcança o desconhecido... Se a criança joga está revelando ter aceito o desafio do crescimento, de ter a possibilidade de errar, de tentar arriscar para progredir e evoluir. Porém, não se joga sozinho. Precisa-se conhecer as regra, ser ensinado a jogar, ouvir a dica de quem já joga a mais tempo, se relacionar e observar as possibilidades.
Assim como Deus decidiu por criar a tudo e a todos, um dia um grupo se arriscou numa nova possibilidade de viver, deixando as cavernas e assumindo riscos... Decidiu.
Eles saíram da “zona de segurança”, e você?
Quer uma dica? Lá vai: Nós chegamos até aqui por uma decisão...

Corte o umbigo, comunique, e alcance o futuro com eles...

Quando reconhecemos que queremos mudança? Essa pergunta pode parecer fácil de responder, mas muitos de nós não sabemos nem o que desejamos às vezes. Mudança pode ter como resultado a inovação. Assim, quando as oportunidades e circunstâncias demandam novas atitudes; isso é inovação.
Muitos não buscam inovar pelo simples fato de desejar manter a suposta segurança. Aqueles que tentam embutir medidas de segurança para evitar erros. Entretanto, mesmo o sucesso quanto o fracasso apontam para a direção onde as mudanças acontecem. Deve-se então estabelecer uma política para que a mudança aconteça adequadamente.
Para tanto, a harmonia é prerrogativa no estabelecimento das mudanças. Alguém já disse que mudança inovadora é o resultado persistente de trabalho e de planejamento, com atenção às necessidades do processo, às alterações da estrutura do meio, às mudanças em termos de modos de percepção, significação e conhecimento.
É nisso que a espiritualidade e a inovação se beijam. A inovação exige que se coloque ordem em a vida interior. Aí aparece a espiritualidade e a necessidade do seu papel fundamental no equilíbrio e na maturidade da vida. Quando se deseja ter um espírito inovador que formule uma política de mudança inovadora, está na hora de colocar em ordem também o mundo interior.
Em primeiro lugar, novidade não é inovação. Fazer diferente não é suficiente, e criar o novo não é o bastante. Pode-se ser vítima das armadilhas que surgem de surpresa. Por isso a tentação do novo pode roubar tempo, recursos, energia e deixar o fracasso de troco. É preciso refletir sobre valores primeiramente, e considerar sua importância no sentido da vida de todos. Por isso devemos sempre perguntar se isso ou aquilo terá valor para os outros também... Por que quando inovamos, não o fazemos para desfrutar solitariamente do novo.
Em segundo lugar, inovar também é preocupação com o futuro. Inovação exige continuidade. A atitude de inovar não é somente um movimento em direção ao novo. Mudar por mudar é modismo e não mudança. Mudar por mudar é superficial... Toda inovação requer um compromisso com a geração futura e a missão. A missão, os sistemas de valores, a capacidade de fazer, e os resultados são o alvo de quem está preocupado com o amanhã de todos.
Em terceiro lugar, sem a boa informação não há inovação. Qualquer processo de mudança fica comprometido se nele não se encontram informações confiáveis. Informações adequadas e confiáveis facilitam os relacionamentos, favorecem o melhor entendimento das pessoas e conquistam novos comprometidos. As pessoas devem saber o que esperam por elas e o que se espera delas... Um processo bem comunicado é o fator fundamental para que as pessoas se comprometam com uma visão compartilhada da mudança, e sigam para um novo caminho juntas.
A espiritualidade tem o papel de alimentar uma política de mudança naquilo que dá identidade ao ser humano: seus valores, seus princípios, suas conquistas balizadas em sua história. Muitas vezes, de um lado, se tem uma tendência ao engessamento, à resistência ao processo de mudança. De outro, se tem as tendências personalistas, vaidosas e as relações de poder que interferem no rumo das mudanças. Contudo, produzir a terceira coisa nem sempre é eliminar as outras duas ao final, mas também a possibilidade de gerar em todas as forças um caminho comum de esforço, considerando a capacidade transformação interior do ser humano sem o esgotamento dos lados opostos.
Se a rotina é amiga da falta de criatividade, a terceira coisa é o rompimento que nos faz seguir em frente e viver. Um dia nosso cordão umbilical foi rompido e estamos vivendo sem a placenta faz anos. Entretanto, o nosso umbigo pode nos lembrar que podemos nos alimentar da mudança e alimentar a mudança no meio em que vivemos... Pois queremos viver no futuro.
O equilíbrio entre continuidade e ruptura é o que caracteriza o espírito inovador. Por isso Inove, Corte o umbigo, Comunique bem aos outros, e Alcance o futuro junto eles!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O Medo é a "mola" da sociedade...

Certa vez disse o grande advogado criminalista, Dr. Waldir Trancoso Peres, em um dos seus discursos que Freud estava errado ao apontar o Prazer (a Libido) como sendo a “mola” da sociedade. O Medo, dizia ele, o Medo é a “mola” da sociedade! Será que ele estava certo? Bem, o medo nos traz a clara sensação de que estamos vivos.
Como qualquer mecanismo de defesa, o nosso organismo encontra no medo um grande auxílio no alerta aos perigos e as ameaças que podem nos afligir e promove em nós uma reação preventiva. Isso nos prova que todos têm saúde, têm medo. Temos medo de tudo... Medo de não viver, medo de insegurança, medo do abandono, medo do fracasso, medo de ter uma vida irrelevante... Você pode estar lendo esse texto por medo de perder o tenho para compartilhar esta semana, por exemplo...
Todo sujeito tem medo de ser assaltado, de perder o emprego, de falir, de ser vitima das violências, de ser verdadeiro, perder a quem ama, de ser feliz... Mas o medo mais comum de se experimentar é o do inevitável: a Morte.
Podemos aprender que o medo não é para ser superado ou derrotado, mas para ser enfrentado. Lembro da época em que era atleta de natação de alto nível, quando meu técnico, o respeitado professor João Reynaldo “Nikita”, afirmava para seus atletas: “Vocês têm que ter um certo medo antes da prova, o medo vai deixar vocês focados na responsabilidade de vencer. Só não tenham covardia...”. Enfrentar o medo é saber que ele tem suas vantagens e pode nos ensinar boas lições. Isso nada tem a ver com covardia.
Covardia é permitir que o medo nos imobilize e impeça que tomemos as atitudes necessárias. O covarde é aquele que fica dependente de seu medo e com o passar do tempo torna-se seu prisioneiro. Entretanto, a coragem é o resultado de um alto-conhecimento que nos leva a entender quem somos, e assim enfrentar os riscos de atingir nossos objetivos. A coragem é a fruto de uma inteligência espiritual desenvolvida e amadurecida que nos ajuda a enfrentar as adversidades, tomar decisões e acreditar em nosso potencial. Coragem é enfrentar os perigos com responsabilidade, pois enfrentá-los irresponsavelmente é ser valente. Valentia e coragem nem sempre andam juntas...
O medo é muitas vezes alimentado por uma pedagogia da mediocridade. Muitos estimulam a mediocridade, pois assim não terão medo do que acontecerá no futuro. A mediocridade do presente torna o futuro previsível. Os que se sobressaem são taxados como ameaça, os que inovam como loucos, os talentosos são vistos como complicados... Tudo em nome da mesmice. Tudo em nome do medo de crescer e mudar. É melhor a padronização covarde que a diversidade corajosa.
Que bom que mudar é próprio dos seres vivos. Mudar é um processo da vida onde se sai da segurança para uma nova condição. Porém, estamos em busca de estabilidade e certezas que não nos livram de ter medo e nos acostumamos em uma zona de conforto que só faz sentido para nós mesmos.
Jesus enfrentou o medo com a oração no momento mais difícil de sua jornada até a cruz. Ele se fortaleceu para um futuro vitorioso, mas que exigia total sacrifício. Contudo, me lembro bem das primeiras palavras que Ele disse depois de ressuscitado, ainda no jardim do sepulcro para aquelas mulheres: “Não tenham medo!” (Mt. 28:10).
Como diria Trancoso Peres: “O medo é a mola da sociedade!”.

sábado, 12 de setembro de 2009

Desabafo de quem gosta de F1...

Será? Eu fiquei no chão também...

Entre sonhos e passarinhos...

Entendemos que a celebração, por essência, é a realização dos sonhos quando esses se tornam realidade. Todo o sonho sonhado que se tornou realidade na vida do ser humano é por si só uma celebração. No entanto, sonhos são sonhados de diferentes formas... Podemos sonhar em conjunto, unidos, em comunidade, como povo, como nação ou podemos sonhar sozinhos. Muitos de nós corremos o risco de estarmos celebrando sozinhos, porque sonhamos sozinhos.

Gostaria de lembrar das palavras de um profeta de nossos dias, meu conterrâneo, o saudoso Dom Hélder Câmara, que na sua sabedoria já anunciava que “um sonho que se sonha só, é apenas um sonho que se sonha só; mas sonho que se sonha junto é realidade”.

Não podemos cair no equívoco de celebrarmos nossas realizações sozinhos, porque assim correremos alguns riscos.

Em primeiro lugar, quando celebramos sozinhos, corremos o risco de sermos excludentes. Diante das comemorações do “Grito do Ipiranga”, sempre em minha mente, e na de alguns, vem à mente aquela imagem que foi encharcada nos livros escolares de 1º grau, talvez a que melhor retrata “heroicamente” a cena histórica do 7 de setembro, o quadro do pintor paraibano Pedro Américo Figueiredo de Mello chamado “Independência ou Morte”.

Nesta pintura, talvez a mais conhecida dos brasileiros, o Imperador D. Pedro I está ao centro com a espada estendida ao céu às margens do Rio Ipiranga soltando o brado de “liberdade” à Pátria. Ladeado da guarda imperial e de uma bucólica paisagem, o “herói” desconhece ao canto esquerdo da cena um homem puxando um carro-de-boi, mau vestido e atônito, sem saber muito bem o que ali se passava. Aquela imagem nos mostra que, o que aquele homem estava vendo o impressionava, mas para ele naquele grito não se encontrava nenhum sentido. Ele estava “de fora”. Ele, talvez o mais brasileiro da cena, representava um povo excluído da festa. De fato, ele não tinha parte naquela celebração.

A quem temos excluído em nossas celebrações? A quem temos deixado de fora dos nossos sonhos? O que temos celebrado inclui o irmão, o amigo, o semelhante? O que os brasileiros celebram tem se tornado uma realidade dantes tão sonhada?

Em segundo lugar, quando celebramos sozinhos corremos o risco de sermos incompreendidos. Lembro do astronauta brasileiro que celebrava o brotar dos feijões em pleno espaço com muita

alegria e realização. Entretanto, muitos não compreenderam tanta alegria com os feijões espaciais, enquanto milhares de crianças no Brasil não têm a oportunidade de se alimentarem dignamente durante o dia, e quando muito, têm um prato diário que desconhece a palavra “feijão”.

Por último, quando celebramos sozinhos corremos o risco de ficar sem futuro. Em casa, no trabalho, na sociedade, no país e no mundo, todos ficamos cansados de “sonhar sozinhos”. Aquele que sonha só, um dia deixa de querer... Quem não quer, é porque já não tem mais esperança. Perdeu a vontade, está conformado, cansado, fatigado...

Em algumas das viagens que fiz pelo interior do estado do Rio Grande do Sul conheci a bravura e a altivez com que o Quero-Quero se comporta diante de uma ameaça. Costumeiramente, este pássaro, em alto e bom som, alerta a todos do perigo na onomatopéia de seu canto: Quero, quero... Quero, quero...

Diante do perigo do cansaço, da ameaça fadiga, da desesperança, esse destemido pássaro nos desafia com a expressão do seu cantar. Afinal, o que queremos? Que família queremos para nós? Que sociedade queremos para nós? Que Brasil queremos para nós? Que mundo queremos para nós? Que futuro queremos para todos? Que celebração queremos?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sábias palavras do meu amigo Silvino

Nós, repetidas vezes, ficamos muito seguros num aprendizado efetivado no passado. E sentimo-nos bem fundeados sobre coisas que aprendemos quando moços, perdendo, por isso, o bonde da história. Porque o bonde sempre está em movimento e com uma velocidade cada vez maior, a exigir efetivas reoxigenações.

A Universidade Brasileira somente sobreviverá se o nível de convivialidade entre os seus especialistas das áreas mais diversas for ampliado. Um docente que se preze não pode ser um especialista destituído de consistente cultura geral, como também não pode ser um generalista superficial.

Alguém me fez outro dia uma triste confissão: "Ter uma idéia nova, nesta empresa, significa ganhar 10 inimigos. Estou convencido de que, aqui, tudo se relaciona com acomodação e bajulismo". Uma radiografia desalentadora, a comprovar a veracidade do axioma acatado nos meios desenvolvidos: "A fraqueza é a força do adversário".

Contemporâneo é todo empreendedor que assimilou a lição de Hayakawa: “Se você vê somente o que qualquer um vê, pode-se dizer que, além de ser muito representativo da sua cultura, você é também vítima dela”.

Preguiça, ignorância e incompetência não são armas para quem busca transformações conseqüentes e duradouras. George Orwell costumava dizer que os jovens de classe média vão para a esquerda por desemprego, sempre cobrando dos outros aquilo que não podem oferecer. Que os postulantes, veteranos e novatos, bem assimilem o ensinamento gramsciano: “Todo grande homem político não pode deixar de ser também um grande administrador, todo grande estrategista, um grande tático, todo grande doutrinador, um grande organizador”.

Tenho admiração pelos que possuem aquilo que Blaise Pascal definia como “esprit de finesse”. E que é diretamente proporcional ao asco sentido pelos que se imaginam muito acima das divindades, sócios de Deus, igualzinho aquele ajumentado cheio de reais que entrava nas igrejas de óculos escuros para Deus não lhe pedir autógrafo.

Juntemos as nossas migalhas de esperança. Vejamos os caminhos já percorridos e que não mais satisfazem. E verifiquemos as forças que nos restam, especialmente as que fundeiam a dignidade, para que possamos ingressar num futuro sem qualquer humilhação.

Fernando Antônio Gonçalves - Intelectual orgânico e meu amigo


sábado, 5 de setembro de 2009

Chato é ser o que se é...

Só pernambucano faz isso...



Mostra do pianista Pernambucano Vitor Araújo, uma das grandes promessas do instrumental brasileiro, interpretando essa belíssima música do Chico Buarque, "emendando" com um tema de Ray Charles.

Do Movimento Armorial ao Chico Science, De Capiba a Spock Frevo Orquestra, de Luiz Gonsaga ao Cordel do Fogo Encantado; tem muito talendo sobrando na terra de Lenine e Vitor Araújo... Brilhante terra da mistura!!!!


Multicultura nas veias, só nas veias de um pernambucano
Pode pesquisar que você vai entender o porquê.
É ch
ato ser o que se é...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O quase tudo...

Alguém me disse certa vez: Fábio, o dinheiro não é tudo, mas é quase tudo! Bem, o dinheiro é sempre objeto de discussões no que tange a sua importância na vida humana. O dinheiro é aquilo que para muitos traz felicidade, para outros tribulação, para alguns conforto e poder, para outros guerra e divisão. Muitos o adoram ante aos que o desprezam, mas todos concordam que dependem dele... Há, entretanto, uma verdade inquestionável para a realidade atual. A certeza de que ninguém vive sem dinheiro, porém, ele não compra tudo...

A palavra dinheiro vem do latim denarius, moeda de prata que valia dez asses, uma tradicional moeda de cobre. Por ser a moeda mais utilizada em Roma, tanto no Império quanto na República, o nome adquiriu valor genérico e passou a designar qualquer espécie de meio circulante. Do italiano vem o termo denaro que chegou até o árabe, que, em contato com os povos da Península Ibérica, importou a forma dinar. No fim da Idade Média, Portugal e Espanha chegaram a cunhar dinheiros de prata, e é por isso que nas traduções mais antigas do Novo Testamento para nosso idioma, Judas não vende Jesus por trinta moedas de prata, mas por "trinta dinheiros".

Porque será que existem pessoas que têm muito dinheiro e não são felizes, realizadas, amadas, fraternas? A pergunta então seria: Dinheiro é essencial?

Seguindo uma reflexão sobre o que é essencial para os seres humanos, podemos afirmar que existem coisas na vida que são essenciais e outras que são fundamentais. Trazer sentido para esta afirmação pode ser um caminho para trazer sentido para vida. Segundo o pensamento de Mario Cesar Cortella, o essencial é aquilo que não se pode viver sem, não se pode arrancar da vida humana, não se pode faltar imperativamente na essência de sua vida. O que não pode não existir. A amizade, lealdade, amor, sexualidade, fraternidade, liberdade são essenciais para a vida humana…

Já por outro lado, existem as coisas que são fundamentais, e essas são aquelas de dão “base”, dão “fundamento”, alicerçam para chegar ao essencial. São os degraus a subir, os sonhos a realizar, os desafios a vencer, os obstáculos a transpor, as oportunidades que não se pode deixar escapar. Não tê-los é dificultar muito as coisas. Mas tê-los, em si, não é o suficiente.

A carreira, por exemplo, é fundamental. Porém, de nada adiantaria chegar ao topo se não se consegue a amizade, a fraternidade, o amor… O fundamental é apenas a escada para chegar ao essencial. Dinheiro, por exemplo, não é essencial. É fundamental.

O problema é a forma como se localiza o dinheiro na vida. Muitas pessoas estão confundindo o lugar das coisas. Elas colocam as coisas fundamentais no lugar das essenciais e as essenciais no lugar das fundamentais. A complicação começa quando estamos desorganizando a locação do que é essencial e fundamental para a vida. Todas as vezes que o fundamental é mais requisitado, valorizado e abraçado do que o essencial, a vida começa a ruir...

A reorganização necessária do lugar das coisas essenciais e fundamentais torna a nossa vida mais simples. A simplicidade nos leva a saborear o essencial de uma forma singular. Podem-se buscar formas mais simples de ter prazer, coisas que não envolvem dinheiro, mas relações. Tudo aquilo que faz com que a vida, apesar de curta, não seja pequena e sim relevante!
O dinheiro é tudo ou quase tudo para quem é quase organizado...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ombra Mai fù - Xerses (G.F. Haendel)





Ao contrário do que se espera de um tirano, o Rei Xerxes, logo na primeira ária da ópera, louva a beleza da sombra de uma árvore.
Ombra mai fù
Di vegetabile,
Cara ed amabile Soave più.

Nunca houve sombra
de uma árvore,
tão querida, amável e suave.

A “Ombra ma fu” de minha Mãe...

Sabemos que a maioria das pessoas tem em seus primeiros passos sócio-educativos a presença pedagógica singular de sua própria mãe. Muitos também podem lembrar das primeiras canções cantaroladas e aprendidas, das primeiras orações ensinadas, e das primeiras palmadas sentidas ministradas pela mãe... Eu, por exemplo, me lembro com muito carinho e ternura da minha mãe me ensinando a cantar, a desenhar e a rezar. “Dona Deja”, trouxe para mim e meus irmãos, entre outras coisas, uma sensibilidade criativa para as coisas boas da vida. Uma mulher, que nascida no sertão, plantou um legado castanho e poético na nossa alma.
Neste momento em que escrevo, estou saboreando “Ombra ma fu” (da obra Xerses), uma ária de um compositor do barroco tardio do século XVIII, G.F. Haendel, interpretada pelo contratenor Andreas Scholl, e me veio à mente a imagem de minha mãe cantarolando enquanto cozinhava... Aquelas eram verdadeiras árias que ficariam marcadas dentro de meu coração de filho.
Cresci ouvindo todas as manhãs ouvindo uma rádio am de minha querida Recife, pois minha mãe tinha o hábito de preparar o almoço ao som das notícias do dia e das músicas que hoje chamamos de popularmente de “brega”. Músicas de linguagem simples, direta e ímpar, que retratam o cotidiano das classes populares. Naquela época o “som do povão” era defendido pelas estações de rádio que musicavam os cheiros da culinária caseira. Foi um tempo em que o “brega” me ensinou muito.
Viramos adolescentes e aquelas músicas, que inclusive cantávamos, passaram a ser lixo; viraram “coisa de pobre”. Esqueceríamos propositalmente delas e forjaríamos um preconceito a esse estilo popular, deixando de cantar suas músicas. Hoje, por vezes, apenas assoviamos ao lembrá-las, e às vezes numa festa de amigos só arriscamos cantá-las para sermos “engraçados”, e dizermos: “Vocês lembram dessa...?”.
Muitos que ficaram ou já eram “eruditos” em seu gosto musical, se renderam hoje a “riqueza cafona” da Banda Calypso, do Reginaldo Rossi, de Zezé di Camargo, de Latino e tantos outros que fazem “sucesso” pelos os meios que divulgam suas músicas. Diferentemente do tempo em que Leonardo Sullivam, Wanderlei Cardoso, Jane e Erondi, Odair José, Jessé, Waldick Soriano, Amado Batista e outros, ficaram eternizados por serem cantores do imaginário do “povão”.
Sempre digo que sou, quanto ao gosto musical, eclético. Acredito que música tem que ser boa, seja ela brega ou erudita, cada qual apreciada no seu momento oportuno. Gosto de ouvir Haendel, Mozart, Beethoven, Mahler, Vivaldi, mas também um bom Samba de Ari Barroso, um bom Frevo de Capiba, um Baião de Luiz Gonzaga, um Mangue Beat de Chico Science, um Chorinho de Pixinguinha, um Rock do U2, um Xote de Petrúcio Amorim, um instrumental Armorial do Sa-Grama, um progressivo do Pink-Floyd, um Hino Litúrgico cantado pela congregação, um Gospel de ministrado por Don Moen, uma Doxologia de Kleber Lucas, mas sem dúvida tenho meus momentos preciosos de música “brega”... Eles acontecem sem programação e por vezes brotam de um sentimento puro e lindo, como o que eu tenho quando lembro de minha mãe.
A cada “Dia das Mães”, em que o comércio faz questão de nos lembrar que elas merecem “presentes”, desperta em mim a imagem daquelas manhãs em que o perfume do tempero que vinha da cozinha, era recheado do cheiro e das árias maternas de “minha veia”... Então vem aos meus lábios uma bela música, e muito “brega” por sinal, de autoria de Carlos Colla e interpretação de Leonardo Sullivan, chamada “Mãe, um pedaço do Céu” :

Para mim sou grande / Mas pra ela pequenino
Sou adulto mas pra ela sou menino
Quando olha pra mim seus olhos brilham / Um amor feito de sonho
De alegria e de esperança
Se estou junto dela sou criança / O mundo é muito mais bonito
Sem pecado e sem perigo
E ninguém no mundo vai gostar de mim / Como ela gosta

Se eu estou errado ou certo não importa / Na alegria ou na tristeza ela está sempre comigo
Na hora do prazer me lembro dela /Mas na hora da tristeza e da saudade é meu abrigo
Por mim ela não mede sacrifícios / Pode parecer difícil que alguém ame desse jeito
Acontece que ela é a minha mãe
E mãe é sempre assim

Mãe, palavra que Deus inventou/ Um anjo que à Terra chegou
Voando nas asas do amor.
Mãe, palavra mais doce que o mel/ Talvez um pedaço do céu
Que Deus transformou em mulher.

sábado, 22 de agosto de 2009

Charge do dia

Os “Turbinados”...

Tivemos o privilégio de ao final da primeira década do século XXI testemunhar duas imagens fantásticas. O mundo contemplou o nadador Cesar Cielo nadar em 21,08 segundos os 50 metros livre, e tornar-se o homem mais rápido da atualidade nas águas. Recentemente, quase como uma imagem extraterrena, todos também acompanharam pela televisão as imagens do corredor jamaicano Usain Bolt na prova dos 100 metros rasos, quando conquistou a marca de 9,58 segundos. Incrível...!

Até onde vão os limites do ser humano? Esse Limite existe, é claro! Entretanto, não podemos ainda mensurá-lo em todas as áreas. “Turbinar” os limites do corpo com tecnologia esportiva, com a evolução científica ligadas ao esporte, programas de treinamento mais adequados ao atleta são lícitos... Tudo isso parece mais familiar neste momento da civilização. Porém, vive-se o momento em que o limite é apenas um detalhe, e por isso muitos não resistem ao doping... Quem não lembra do corredor canadense Ben Johnson?

E quando o detalhe faz a diferença nas “competições” da vida moderna? Muitos estão em busca dos “turbinamentos” pessoais em outros segmentos. Hoje, mais pessoas normais estão tomando drogas para aumentar a concentração e tentar ficar mais inteligentes... Empresários, gestores, pessoas do mundo dos negócios estão chegando aos quarenta anos e adotando o uso de Ritalina, um remédio indicado para portadores de síndrome de déficit de atenção (TDAH). Mesmo sem sofrer da síndrome usam a droga para aumentar sua capacidade de concentração, pois chegam a trabalhar 12 horas ininterruptas chefiando e liderando dezenas de funcionários.

Ainda no mundo dos negócios estão aqueles que fazem uso de drogas como Donepezil, que é usado para reduzir a perda de memória, característica do mal de Alzheimer. Testes em pilotos provaram que essa droga aumenta a precisão e o poder de reação em manobras complicadas. Assim, os “turbinados” se drogam para conseguir vantagens sobre os limites de seus corpos e mentes. O que mais impressiona, é que tudo isso é feito de forma ilegal, pois são medicações com venda sob prescrição médica...

Os “turbinados” buscam regular a atenção, aumentar a percepção, o aprendizado, a memória recente, a memória de fundo, a capacidade de tomar decisões, e a linguagem. Os indivíduos saudáveis que usam drogas psicoativas estão tomando conta das raias da vida moderna, buscando ultrapassar seus limites para alcançar mais e mais “sucesso”. Essa prática seria equivalente ao doping dos atletas.

Chegamos a um momento em que o estresse e a falta de tempo são os obstáculos de uma vida que se deseja conquistar. Contraditoriamente, o trabalho de muitos não está fazendo-os chegar ao sucesso, mas levando-os a solidão e a morte. A qualidade de vida de muitos executivos e homens de negócios é péssima, e tem sido questionada diante do preço que pagam para alcançar esse “sucesso”. Os modelos de gestão têm sido questionados sob a ótica de uma vida mais equilibrada, valores saudáveis, espiritualidade, relacionamentos maduros e duradouros, e realização mais coletiva.

As pessoas estão percebendo que até para competir no mercado elas precisam treinar e cuidar mais de si, pois não se chega a lugar nenhum sem a prática de valores morais, espirituais. Todo treinamento leva tempo, suscita esforço, pede sacrifícios, mas leva ao hábito de ser feliz e descobrir o propósito maior de nossas vidas. E para ser feliz não existe doping.

Para chegar ao verdadeiro sucesso temos que estar bem treinados e tranqüilos.

Qual o seu propósito de vida, afinal? ...Tem certeza?

Boa corrida!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Mensagem de esperança for you

Entre a dureza e a sensibilidade

É lindo ver a valentia desse nordestino! Onde Vaqueiro derruba boi no braço, e conduz o rebanho cantando... É um mix de bravura e poesia, de dureza e sensibilidade.
O "Aboio" é o canto para o gado seguir o vaqueiro, a "Toada" é a poesia presente na vida...



aboios e toadas vavÁ machado



O mundo é dos espertos?

O mundo é dos espertos... Alguns anos atrás percebi que ao ouvir essa afirmação, por vezes carregada de arrogância por parte de alguns, que a mesma estava equivocada. Observando a vida com olhos mais maduros e atentando para o que podemos chamar de crescimento pessoal, reconheci, em tempo, que o mundo não é dos espertos. Os dedicados é que conquistam o pico das montanhas, e lá, desenham o mapa para outros o conquistarem também.
Como disse o autor do livro bíblico de Tiago: “Tende na conta de pura alegria, meus irmãos, quando virdes a encontrar-vos provações de toda espécie, sabendo que a vossa fé produz constância. A constância, por sua vez, cumpra a obra, a fim de que sejais completos e perfeitos, em nada deficientes”. Todo ser humano deseja melhorar em alguma coisa. De fato, existem muitas tribulações que perpassam o nosso caminho e, por isso, muitos acabam desistindo de realizar algo.
Quantas vezes você sonhou algo e diante das dificuldades desistiu do sonho? Como pensar então na realização do que sonhamos? Bem, não podemos negar que se vive em uma era de resultados deterministas e menos autênticos. O ser humano ainda representa um número... Entretanto, ele ainda não se perdeu capacidade de escolher vencer.
Ninguém sonha algo impossível de ser realizado. Pense agora em um sonho e perceba que o que você sonhou é passivo de realização. Existem muitos sonhos que o próprio Criador promove dentro de nós, esses são sempre possíveis e reais e necessitam de nossa perseverança para se concretizarem em qualquer área de nossa vida.
Quando a melancolia, o desânimo, a mágoa, o cansaço, a má vontade, a desmotivação pesam o nosso caminhar, parecem intoxicar nossa alma e fazer moradia em nós, o sonho começa a desmoronar. Assim, faz-se necessário dedicar-se, cientes de que toda vitória é precedida por algumas perdas e por nossa “não desistência”. Sonhar também é reagir, é aceitar perseverar na realização, e planejar como realizar. Perseverança é condição indispensável para os sonhadores.
Lembro-me que um dos anglicanos mais famosos da história recente da humanidade, Sir Winston Churchill. Churchill sempre foi sábio em algumas de suas citações. Certa vez ele disse: “O pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade.” Em uma ocasião a qual foi convidado para ser paraninfo de uma turma de formandos na Universidade de Oxford, levantou-se, foi ao púlpito e fez o seu discurso para os futuros profissionais com apenas três palavras: “Perseverem... Perseverem... Perseverem...”.
O mundo é dos espertos? Não, o mundo é dos dedicados! Persevere!

O Homo-Ludens que joga, decide...

Sempre que estamos abertos a novas possibilidades, percebemos que as oportunidades se transformam em “atalhos” para o início da realização dos desejos e dos sonhos. A capacidade de mudar o leme e traçar uma nova rota, seja na vida, no grupo, na comunidade, na empresa está engastada na capacidade de decidir.
Decisão é algo que para muitos não consta no dicionário de suas vidas. Existem pessoas que tem como resultado de sua educação, de sua história de vida, a infeliz dificuldade de tomar decisões. São indivíduos frágeis emocionalmente, dependentes financeiramente, oprimidos socialmente, apáticos espiritualmente, mesmo quando intelectualmente privilegiados.
Quem não conhece alguém assim? São aquelas pessoas que nunca decidem. São aquelas que os outros decidem por elas, e que nunca querem deixar a “zona de segurança”, pois não gostam de correr riscos. Porém, essas pessoas ou “enrugam”, ou são esquecidas, e ficam quase sempre pelo caminho.
Mas será que decidir é arriscar? Bem, nem sempre. Contudo, o risco deve ser bem visto e entendido para que as oportunidades sejam ampliadas e as potenciais perdas sejam diminuídas na hora da decisão. Dentre várias ferramentas que podem ser usadas para gerenciarmos nossas decisões, uma delas está na capacidade de ouvir experiências relevantes. A capacidade para mudar não está nos conselhos dados, nem nas boas intenções, mas está em algo que une as pessoas na experiência de partilhar soluções. Aliás, lembro sempre de quando o amigo, consultor e professor doutor da UFSM, Rolando Soliz Estrada diz, quando vai partilhar algo, com aquele singular sotaque: “Ouça bem! Vou dar uma dica! Conselho eu não dou; dou apenas dica...”. Com isso ele colabora com as oportunidades dos seus ouvintes produzirem, não reduzindo o risco das suas decisões.
O termo “risco” vem do italiano “risicare”, que por sua vez é derivado do baixo-latim “risicu, riscu”, que significa arriscar. O termo indica que o risco significa ousadia, já que permite uma opção, e não relegar os acontecimentos para o destino. O termo significa também a colocação do futuro a serviço do presente. Risco também significa desafio e oportunidade, sendo também ponto-chave da natureza da tomada de decisões.
Arriscar é parte do jogo da existência. Afinal, o ser humano é também Homo-Ludens. É do jogo que nasce a cultura (os animais também brincam e jogam), sob a forma de ritual e de sagrado, de linguagem e poesia, permanecendo subjacente em todas as artes de expressão e competição, inclusive nas artes do pensamento e do discurso, bem como no jogo jurídico, na acusação e na defesa polêmica, como também, na arte do combate e na da guerra em geral.
Quando uma criança não joga, não se desenvolve, não se aventura em algo novo, não alcança o desconhecido... Se a criança joga está revelando ter aceito o desafio do crescimento, de ter a possibilidade de errar, de tentar arriscar para progredir e evoluir. Porém, não se joga sozinho. Precisa-se conhecer as regra, ser ensinado a jogar, ouvir a dica de quem já joga a mais tempo, se relacionar e observar as possibilidades.
Assim como Deus decidiu por criar a tudo e a todos, um dia um grupo se arriscou numa nova possibilidade de viver, deixando as cavernas e assumindo riscos... Decidiu.
Eles saíram da “zona de segurança”, e você?
Quer uma dica? Lá vai: Nós chegamos até aqui por uma decisão...

Não, obrigado! Prefiro café...

Como bom nordestino, sou um bom tomador de café. Diariamente pela manhã, no almoço e no jantar sempre estou acompanhado de uma boa xícara de café preto. Dizem que o café é bom para evitar câncer de próstata, que é bom estimulante para quem quer produzir mais acordado durante a noite, dizem que melhora a vitalidade, a memória, a atenção e a produtividade. Além do que, a cafeína é um auxiliar no tratamento de doenças como o mal de Alzheimer.
Entretanto, o café me lembra a casa de minha mãe, o cheiro de minha família, a conversa preciosa à mesa antes de uma jornada diária, a um bom “bolo-de-rolo” pernambucano, aos amigos do trabalho, e as conversas com meu velho, regradas a um bom licor de jenipapo e cafezinho...
Bem, dizem que tudo em excesso faz mal, até café... Daí se conhece o limite entre o hábito e o prazer, o desgaste e o vício.
A variedade dos hábitos e comportamentos humanos tem se refletido nos excessos que acontecem no cotidiano da vida. Excessos de violência, de informação, de imagens, de desejos, de diferenças, de preferências tornam a vida ainda mais desgastante...
Antes a diversidade que a mono-cromatização da vida, porém, o excesso atual tem provocado uma crise que consiste na incapacidade de assimilarmos a exagerada “oferta”. Com isso aparecem as dificuldades de escolhas e de tomada de decisões. O medo de escolher errado e fracassar, ou de perder a “oportunidade” que passa é um dos grandes fantasmas da pós-modernidade...
Infelizmente vivi-se no propósito de nunca se estar satisfeito. O apelo dos dias atuais é de criar imediatamente sentimentos de desejos ou aversões nas pessoas. Jamais estará o ser humano satisfeito com uma ciranda interminável de ganhar e gastar, conquistar e perder, almejar e não se contentar e se arrepender...
O segredo do equilíbrio está na capacidade de contentamento. Contentamento não é acomodação e enrugamento, não é conseqüência de fazer ou ter. Contentamento é uma experiência do “mundo de dentro” e não do “mundo de fora”. É uma atitude interior.
Não se pode buscar a satisfação e felicidade responsabilizando os outros por isso. Não se pode projetar a felicidade ou a infelicidade transferindo para as pessoas ou às coisas uma tarefa que é própria de cada um. Muitos de nós transferimos às pessoas ou às coisas a responsabilidade de nos tornarem felizes ou infelizes.
Uma maneira de superar as irresponsabilidades que temos com o nosso “mundo de dentro” é vencer nossa insatisfação com o “mundo de fora”, a quem culpamos por tudo. Aceitar sinceramente a quem somos verdadeiramente e vivermos honestamente a nossa realidade no aqui e agora é um bom começo. Esse é o primeiro passo para descobrir o caminho do amor pessoal e da alto-estima. Mesmo diante do bombardeio dos excessos, uma pessoa contentada tem tranqüilidade para dizer não para aquilo que já disse sim...
Ter contentamento é requerer ser o que se é, nem mais nem menos. Isso não quer dizer ser conformado, mas sim resolvido. É ser feliz nas pequenas coisas da vida. Conquistar o amor próprio é gostar de café pelo simples fato de gostar de café, e não por que alguém diz que café é bom para a próstata. É tomar café pelo sabor, pelo aroma, pelo momento, pelo bom papo, pela história, pelo acompanhamento; e não pelo vício. É dizer: Não, obrigado! Prefiro café...

À procura de extintor e “fora da casinha”...

O que torna os nossos tempos tão sombrios quanto a busca humana pela plenitude da vida e o cuidado que devemos ter com esse sopro divino? Bem, podemos crer que muitas coisas intentam mais que o “prazer” que nutrirmos pela satisfação da nossa alma. Muitos são os convites para o “hedonismo” efêmero de nossos dias, e pouca é a experimentação daquilo que podemos diferenciar “prazer” de “satisfação”.
Vivemos num tempo de “impermanências”... A “normalização” dos rompimentos afetivos parece denunciar que os seres humanos não têm a capacidade de cuidar das dificuldades próprias de qualquer relacionamento a sua volta. Não se permite a necessária reflexão sobre nossas perdas, quando inevitáveis, e dos vínculos que fizeram e fazem parte da nossa trajetória pessoal. Modelos de sucesso passageiros, sem compromissos duradouros, que “ficam”, mas não permanecem, ocupam o lugar das metas de longo alcance.
Esses padrões privam o aprendizado, o amadurecimento, as descobertas caminhantes e os valores essências. Muitas vezes impedem que gerações conheçam suas raízes, histórias e narrativas que as precederam e as forjaram. Assassinaram o termo “longo prazo” em que se garantiam os projetos da vida. Hoje, pode-se mudar a todo tempo, fazendo projetos fragmentados e frívolos... A ausência de “longo prazo” corrói a confiança, a lealdade e o comprometimento mútuo.
Na era do “não existe longo prazo” frustram-se ferozmente os projetos familiares, profissionais, políticos e espirituais. Na família, por exemplo, aparece na compulsão pela “troca”. A busca do não se comprometer com relacionamentos duradouros e não se sacrificar... Não deu, basta “trocar”... Esses paradigmas tornam-se condições bizarras do sentido da existência.
Como alcançar objetivos de longo alcance em uma sociedade de “curto prazo”? Como manter relacionamentos estáveis numa cultura de fragmentações? Como pode o ser humano desenvolver uma narrativa de identidade e história de vida, quando muitos só serão episódios e esboços?
Vivemos numa “cultura de sensações”... A falta de consciência realista dos limites e do caráter passageiro do corpo, a banalização da morte, esta causando um mal-estar insuportável e promovendo respostas patológicas e preocupantes. O desencantamento da vida, a ansiedade excessiva, a depressão crônica (não se pode estar ligado todo o tempo na tomada do prazer que se busca) tornaram-se “normais”... Porém a felicidade moldada por essa cultura é cada vez mais difícil de ser alcançada. É “normal” recorrer-se ao Lexotan, Prosac e outros, quando esses, hoje, são as bengalas mais vendidas no ocidente.
Como afirma a teóloga alemã Dorothee Sölle: A sociedade do mundo material e produtivo levou o ser a perder a “capacidade de sofrer”. A realidade vira fumaça e o sujeito perde sua essência e se torna artificial...
De fato, devemos é saber cuidar de nossa Alma (latim: anima; hebraico: né·fesh; grego: psy·khé), e conseqüentemente de nossa Casa - Lar (grego: oikos). Tem muita gente des-animada e sem Lar. Cuidar da Alma é descobrir-se ovelha do Grande Pastor das ovelhas, é desconhecer Deus como extintor de incêndio – aquele que só lembramos quando estamos no meio do fogo - , é cuidar da nutrição do que traz a Paz apesar do que estamos passando agora. Cuidar do Lar é cuidar daquilo que emoldura e dá forma à vida. Para tanto, muitos permanecem “fora da casinha”... Um indivíduo diagnosticado como sadio que é colocado em ambiente doentio, perde sua sanidade, pois ele é ele mesmo e mas também suas circunstâncias.
O cuidado não pode ser apenas individualista e exclusivo, mas deve propor aos âmbitos da vida social, política e econômica, relações de um projeto a longo prazo... O cuidado com o Lar começa quando aprendemos a construir o Lar relacional.
Cuidemos da Alma e do Lar enquanto podemos ouvir o que diz o Espírito de Deus.
Quem tem ouvidos para ouvir; ouça.

Qual será o Futuro da “Igreja”?

Onde está a linha que define o “corpo” do cristianismo da dita “instituição Igreja”? Que modelo vai resistir as dinâmicas daquilo que chamamos de pós-modernidade? Veremos nas vindouras décadas o fim do que chamamos de Igreja (fiéis em templos)? Ou a mudança dos seus conceitos? Que fôlego ainda tem a Instituição de propaga oficialmente a mensagem do Cristo? Estas perguntas geram muitas reflexões e apreensões sobre modelos existentes e outros que surgirão.
Gostaria de lembrar o que o teólogo Ed René Kivitz definiu, na sua opinião, quais serão as 10 principais possibilidades de igrejas no futuro no Brasil:
“Denominacionalismo dogmático - Igrejas tradicionais (batistas, presbiterianas, anglicanas, luteranas, metodistas, católicas e outras) que buscarão preservar suas doutrinas e sua tradição. Seguirão o que vem acontecendo na Europa, pois estas igrejas deverão ver a redução na sua quantidade de membros. No futuro, muitas destas igrejas poderão fechar, tornando-se bibliotecas e centros de cultura cristã; Pentecostalismo histórico - Igrejas pentecostais buscarão preservar o movimento pentecostal, com ênfase no poder e nas experiências místicas que caracterizam o movimento; Pós-pentecostalismo - Igrejas independentes e novas. São sincretistas, continuarão misturando religiões africanas, indígenas, características da cultura brasileira com a tradição cristã pentecostal e católica. Por pregarem um evangelho inventivo, que promete bênçãos materiais em troca da fé, comprometendo a mensagem do Cristo. Apesar disso, é um movimento que deve continuar crescendo; Igrejas com engajamento social - Comunidades católicas que têm como base a teologia da libertação e protestantes com base na teologia da missão integral. Continuaram como igrejas que procuram transformar a sociedade dando forte ênfase ao engajamento social. Como não fazem mediação entre a ação e a espiritualidade, diante de uma crise econômica elas definham; Cristãos nominais - Pessoas que a princípio vão continuar buscando mudança de religião e não mudança de vida. Ex-católicos, principalmente, que a princípio são atraídos por promessas de bênçãos materiais, mas tornam-se frustrados, e deixam de se comprometer com a igreja, sem deixar de se declararem “cristãos”. Tendência muito forte a crescer nos próximos anos; Comunidades independentes - Igrejas que continuarão a serem fundadas para corrigir desvios das igrejas de onde saíram seus fundadores. Elas tendem com o tempo à institucionalização e aos possíveis desvios que nasceram para corrigir; Igrejas nas casas - Deverão crescer muito o número de pessoas que não freqüentam, nem são membros de igreja (instituição) nenhuma, mas que reúnem-se com outros cristãos nas casas para estudar a bíblia, orar e manter a comunhão; Igrejas administradas como empresas - Embora seus líderes tenham boas intenções, continuarão como igrejas que utilizam “pacotes metodológicos” importados. Igrejas que seguem os métodos do G12, Igreja com propósitos e outros. Segundo Kivitz, estes métodos são a maneira como as igrejas se organizaram após crescerem, não o método que utilizaram para crescer. Estes métodos induzem as igrejas a terem o crescimento como objetivo principal. Por isso estes métodos são de gestão e não de crescimento; Igrejas-“impérios privativos personalistas” – Serão aqueles empreendimentos de homens visionários. Business. Igrejas com forte ênfase no marketing e propaganda, que divulgam suas marcas (vendendo produtos associados a elas, inclusive) e existem para ganhar dinheiro e juntar capital político. Kivitz cita o exemplo da “Marcha para Jesus” como um evento para “juntar capital político”. Segundo ele, por terem um “dono”, estas denominações estariam desclassificadas conceitualmente como igrejas; Igreja na informalidade – Serão um movimento não-insititucional. Comportarão os cristãos que aproveitam instituições, igrejas, missões, teólogos, sem se comprometerem com (ou se tornarem membros de) nenhuma instituição. É o cristão que, por exemplo, vai ocasionalmente a uma ou outra comunidade, dá seu dízimo para uma ONG, ajuda uma determinada Missão, mas não pertence a nenhuma destas expressões. Segundo Kivitz, este tipo de cristão tende a crescer nas próximas décadas, Seria o cristão que gosta de ser servido, mas não se compromete com o servir...”
Infelizmente, estamos olhando para o futuro da igreja como quem olha para o retrato... e não para a paisagem além da janela. Que Deus nos ajude a ver quem realmente somos como cristãos... Afinal, qual será o futuro da “Igreja”?

A Krisis e a decisão...

Vivemos um momento em que a palavra crise é a referência do cotidiano. Parece que estamos cada vez mais amigos do termo, que de amistoso não tem nada. Contudo, a maneira como o ser humano enfrenta a crise é o que o diferencia dos demais semelhantes. A crise pode ser um fim para uns, e um verdadeiro começo para outros.
De fato, o preço que se paga por não saber conviver com a crise (seja qual for a esfera) é marcado pelo descontentamento com a vida, pelo desânimo profundo, o conformismo constante e murmuração passiva...
A palavra “crise”, que tem origem no grego Krisis, significa separação, passagem estreita, e da mesma forma, é origem para a palavra “crivo” que separava o duto de água antigo em jatos menores. Esse termo na sua origem não tem uma motivação negativa e pode ser entendido como o inevitável momento de decidir.
Podemos ilustrar a crise como o momento em que o caminho se divide em vários e temos que decidir sobre qual devemos escolher seguir. Então, como podemos reagir à separação do caminho? Como decidir diante da Krisis?
Algumas pessoas usam como estratégia para se livrar das crises a “fuga pela tangente”, ou o “salto de banda”. É a ação do famoso jogo de cintura para sair de situações desconfortáveis e difíceis. Esse indivíduo está mais disposto a fugir do que enfrentar e resolver o conflito da decisão inevitável. Bem, infelizmente para esse, os outros decidem por ele...
Outros são aqueles que nunca acreditam na saída da crise. Diante de qualquer otimismo alheio eles sempre vêem o lado maléfico da crise. Com seu pessimismo, nunca acreditam no alcance do sucesso. Esses sujeitos se afundam mais e mais no poço em que se escondem e negam qualquer alternativa vitória sobre o problema, pois só saem da crise quando a única opção aparece: A derrota...
Não é necessário que sair em busca de uma crise para se viver. As crises sempre nos encontram e isso é inevitável. Bom é saber lidar com ela... Assim, outras pessoas vêem na crise a oportunidade de decidir e acertar a rota. São aquelas pessoas que percebem que há algo de oportuno e pedagógico na tomada infalível de decisão. A habilidade de decidir só surge quando perdemos o medo. O amadurecimento estratégico só brota quando praticamos decisões responsavelmente.
À medida que enfrentamos a crise do agora, ela nos ajudará a resolvermos conflitos da crise do amanhã com mais serenidade e maturidade. Isso é experiência. Isso é maturidade... Logo, quem não enfrenta a crise, não amadurece...
Podemos refletir sobre o fato de que a crise não é o problema em si, mas sim como ela nos atinge e nos afeta. Certamente, sua proporção está diretamente relacionada com a forma pela qual reagimos. Podemos fugir, podemos desistir, ou podemos enfrentar o problema à frente. É o “Turning Point”!
Todos nós já passamos ou passaremos por momentos difíceis, entretanto, o importante é que eles se tornem oportunidades de mudança, de crescimento, de amadurecimento em nossas relações internas e externas. Que esses momentos nos aproximem mais intimamente do Deus Criador de nossas vidas e das pessoas que nos cercam.
Não fujamos, não desistamos, mudemos o nosso olhar. Pode ser que mudando nosso olhar encontremos um caminho melhor para seguir diante da krisis da jornada. Avante!